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IRB presta esclarecimentos à CVM após nova carta da Squadra e diz desconhecer fraudes além das já divulgadas

IRB Brasil (Foto/Reprodução: Youtube)

SÃO PAULO – Em comunicado prestando esclarecimentos à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) sobre a carta da gestora Squadra divulgada na última sexta-feira (21), o IRB (IRBR3) afirmou que que não lhe compete fazer juízo de valor sobre a opinião da Squadra nem sobre sua opção em manter uma posição “short” (vendida) em ações da resseguradora.

A nova carta da Squadra apontou que reconhece o trabalho e os esforços da nova gestão do IRB Brasil Re para revisar estratégia, números e contratos anteriores do ressegurador, mas que ainda enxerga uma “ótima relação risco x retorno” para permanecer vendida nas ações da companhia.

A carta veio após outras duas, publicadas em fevereiro, e que questionavam a recorrência dos resultados do IRB e a rentabilidade apresentada pelo ressegurador ante seus pares internacionais em exercícios recentes. As missivas, que justificavam a posição short da gestora nos papéis do IRB, desencadearam uma crise de credibilidade que culminaria na demissão da antiga cúpula e na republicação de balanços de exercícios anteriores. No ano, as ações caem mais de 77%, ficando na “lanterninha” do Ibovespa.

No comunicado, o IRB destacou que a sua nova gestão – que assumiu após a queda do CEO e do CFO – realizou a revisão das demonstrações financeiras, bem como a apuração de irregularidades que foram cometidas contra a companhia.

“Do mesmo modo, a nova gestão do IRB tem se preocupado em aprimorar seus controles e governança interna, bem como procura manter o mais alto nível de transparência com o mercado”.

A companhia cita que houve a apuração, por investigadores independentes (KPMG Assessores e Felsberg Advogados) das questões envolvendo a informação de que a empresa americana Berkshire Hathaway faria parte da base acionária da Companhia, tendo apresentado os resultados dessa apuração à CVM e à SUSEP, bem como denúncia ao Ministério Público Federal do Rio de Janeiro.

Além disso, houve a apuração de indícios de destinação indevida de recursos pelo pagamento de bônus irregulares a executivos e colaboradores da companhia, fatos que também foram levados ao conhecimento das autoridades públicas, entre outras medidas como a renovação do Conselho de Administração e do estatuto social.

Segundo a companhia, os contratos de seguros estão sendo revistos, conforme informado ao mercado quando da apresentação dos resultados do primeiro trimestre.

Com relação à parte da carta da Squadra que aponta esperar que o IRB faça novos ajustes em seus resultados nas próximas divulgações, a empresa afirma “que não possui, atualmente, o conhecimento de fato ou mesmo indício de que haja outras manipulações contábeis ou fraudes, além daquelas já divulgadas”.

Já quando o assunto são os montantes elevados de prêmios ganhos “não caixa”, segundo ressaltado pela Squadra, a companhia informou que a contabilização de uma resseguradora segue os padrões internacionais contábeis, aplicando-se rígido regime de competência para reconhecimento de Receitas
e Despesas Operacionais. “A inferência feita pela Squadra faz entender que a contabilidade do IRB Brasil RE deveria ser por modelo de caixa, que não é adequado”, afirma a companhia.

Com relação aos “créditos a receber de centenas de milhões de reais reconhecidos originalmente como expectativas de salvados e ressarcimentos”, o IRB informou que detém em seus ativos, ressarcimentos a serem recebidos, entre os quais os mais relevantes referem-se a dois processos transitados em julgado decorrentes de ressarcimentos oriundos de sinistros pagos no passado.

“Na atividade, os salvados ou ressarcimentos são recebíveis tácitos de uma resseguradora. Tais valores encontram-se devidamente contabilizados dentro dos critérios das regras contábeis vigentes. Se, no decorrer dos processos, os valores de indenização sofrerem alterações, a companhia reconhecerá tal fato. No entanto, até o momento, a atual gestão não encontrou motivos objetivos para considerar tais ativos – devidamente auditados – como não realizáveis”, afirma.

Um outro apontado pela Squadra é o de altos volumes de créditos fiscais decorrentes de prejuízos acumulados, sobretudo na sucursal de Londres. O IRB informou que mantém em seus ativos – que são potencialmente monetizáveis – créditos tributários das operações do referido escritório.

“Esses ativos poderiam vir a ser baixados no futuro, ou via impairment baixados parcialmente, no caso em que a companhia desista de utilizar o referido escritório para futura concentração das operações internacionais”. A companhia afirma que o escritório em Londres não foi desativado e sua manutenção é justificada potencialmente.

“A decisão futura sobre o destino do referido escritório passou a requer uma análise mais criteriosa, sobretudo tendo em vista os estudos do Grupo IMK (Iniciativa do Mercado de Capitais), que visam a transformar o Brasil num hub internacional de resseguros, reduzindo-se a carga tributária local dos resseguradores locais”, apontou a companhia.

Caminho difícil daqui para frente

Vale destacar que, ao comentar a carta da Squadra na última segunda-feira, a Levante Ideias de Investimentos ressaltou que, apesar da notícia não ser um fato relevante “oficial” emitido pela companhia, as cartas da Squadra sobre a tese de venda em IRB se mostraram bem fundamentadas a acertadas no primeiro semestre do ano. Assim, o teor da carta tem potencial de impactar o desempenho das ações no curto prazo.

A equipe de análise da Levante ainda ressalta que, apesar de uma nova gestão ter assumido a companhia nos últimos meses, não significa que a vida da companhia será fácil daqui para a frente.

Isso porque ainda há muitas dúvidas se o retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) futuro da companhia serão capazes de justificar o múltiplo preço sobre valor patrimonial (P/VP) na qual as ações negociam no momento.

“Acreditamos que vai levar tempo para a nova administração do IRB conseguir acertar os números da companhia em termos de patrimônio líquido e rentabilidade (ROE) e ainda mais tempo para recuperar a confiança dos investidores”, afirma a equipe de análise.

(com Agência Estado)

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Fonte: Infomoney

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