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JAC lança carro elétrico mais barato do Brasil

A JAC Motors apresentou hoje à imprensa o carro elétrico mais barato do Brasil, o hatch compacto iEV20. O modelo começa a ser vendido em janeiro do ano que vem por sugeridos R$ 119.900, e não veio sozinho: a marca lançou, junto com ele, outros dois SUVs, iEV40 e iEV60, uma picape e um caminhão. Todos são 100% elétricos, e o iEV40 já está à venda nas 21 concessionárias da marca.

A marca chinesa será, assim, a que oferecerá mais modelos elétricos no Brasil hoje — sendo o caminhão e picape os primeiros de seus segmentos (se ninguém chegar antes de novembro e maio de 2020, claro).

Para promover sua “virada elétrica”, a JAC inaugura uma concessionária “100% Electric” na Avenida Europa, que concentra as concessionárias de luxo na capital paulista. Faz sentido. Afinal, carro elétrico é, ainda, artigo de luxo.

Carros elétricos são ainda tão caros que, mesmo com consumo e manutenção muito mais baratos (a manutenção do iEV40 custa 649,40 nos 60.000 primeiros quilômetros somados), raramente valem a pena. Há vantagens como a ausência de ruídos e a isenção de rodízio de veículos e benefícios fiscais, e a JAC fez parceira com uma seguradora que garante preços 15% menores que os dos modelos a combustão, mas, ainda assim…

São R$ 120 mil em um hatch subcompacto que nada mais é que um J2 “convertido para eletricidade”. Bem, tá certo, não é só… Vamos lá.

Detalhe: nenhum deles vem com o carregador ideal para usar em casa. A marca o vende em parceria com a empresa EDP por um valor sugerido de R$ 8.500 reais ou locação de R$ 300 mensais (contrato de 36 meses)  para uso residencial. Com esse equipamento, a recarga completa leva cerca de 7 a 8 horas.

City-car elétrico: iEV20

Dos modelos apresentados pela marca, o mais barato é o iEV20, e também o mais interessante. Do J2 que lhe dá origem ficam estrutura e diversos componentes estruturais e estéticos, internos e externos.

Há um belo upgrade no visual, com novas lanternas, grade e para-choques diferentes. O estepe pendurado na traseira da unidade avaliada foi descartado, e o compacto terá pneus run-flat (rodam mesmo furados).

Além disso, em relação ao antigo J2, o modelo elétrico tem acabamento interno mais caprichado e uma bela lista de equipamentos, com ar-condicionado automático digital, painel digital (sem muitas configurações), central multimídia com tela flutuante, freio de mão elétrico…

O motor tem 68 cv e 21,9 de torque, garantindo 0-100 km/h em 16 segundos (mas o 0-50 é bem rápido, apenas 4,9 segundos). E autonomia é de ótimos 400 km.

Ao volante, a primeira impressão foi de um carro ágil para o uso no trânsito, graças às disponibilidade de torque imediata típica dos elétricos. Mas a regeneração de energia das frenagens no modo eco podia ser mais forte e a direção, mais refinada.

O porta-malas minúsculo não é impecilho para o uso urbano, cenário ideal para carros elétricos. Falando nisso, como o carro é absolutamente silencioso, para evitar atropelamentos há um alerta sonoro que pode ser ativado para ser emitido automaticamente em baixas velocidades (mas devia ser mais alto).

A picape urbana: iEV330P

Primeira picape 100% elétrica do mundo, a cabine dupla da JAC tem bastante espaço para os passageiros e, ainda, uma caçamba como 1,8 metro de comprimento, que permite acomodar uma moto mesmo com a tampa fechada.

No total, são quase 5,6 metros de comprimento. Como em todos estes elétricos da JAC, a picape foi baseada em um modelo que já existia, adaptada ao powertrain elétrico.

A capacidade de carga da iEV330P é de bons 800 quilos, enquanto de baterias a picape leva outros 600 quilos. No total, pesa mais de três toneladas, então o motor não garante um desempenho empolgante. Nem é sua proposta.

A máxima e de 98 km/h, o que não é um problema considerando sua proposta principal, obviamente urbana. Andamos com a picape sem carga, e pareceu bem assentada no chão — afinal, as baterias ficam abaixo do assoalho.

Essa localização da bateria diminuiu bastante a distância do solo, e, com tração apenas traseira e autonomia de 300 km, a picape definitivamente não é para trilhas.

Por R$ 229.900, ela chega em março e custará mais caro que uma Toyota Hilux topo de linha ou uma VW Amarok V6, mas não vem tão equipada e não tem desempenho ou capacidades off-road que possam ser comparadas. Mas tem custo de manutenção e rodagem muito menor, que pode fazer com que compense para frotistas de certas áreas.

O modelo que andamos não tinha multimídia e estava com o visual antigo, que acaba de ser atualizado. Será vendida como a que você vê nas fotos.

Crossover: iEV40

A marca o chama de SUV, mas sabemos que o iEV40, assim como o T40 do qual deriva, é um crossover — vai pouco além de um hatch aventureiro. Com motor a combustão, ele deu trabalho para a concorrência e venceu nosso comparativo, mas aqui a história é outra.

Como nós demais modelos, o câmbio tem apenas as posições N, R e D. Não há modo P, trocas sewuenciais, nada disso (afinal, quase todos os elétricos têm apenas uma marcha à frente e uma à ré). Todos eles também mostram o fluxo de energia na tela central e dados de consumo em gráficos.

Em relação ao T40, como o iEV20, é basicamente o mesmo carro, mas com acabamento melhorado em varios pontos e adição de painel digital, freio de mão elétrico com auto-hold e etc.

O motor elétrico tem 115  CV de potência e 27,6 kgfm de torque, garantindo um desempenho com arrancadas rápidas, com 0-100 km/h em ótimos 9s8, mas logo perde o fôlego (primeira impressão, condições limitadas de teste). A autonomia é de 300 km, e, como nos demais, a regeneração poderia ser mais forte… ao menos no trânsito de São Paulo.

No resto, o iEV40 é um carro normal, como todos. O espaço interno é satisfatório e as suspensões, meio macias demais no T40, aqui ficaram até melhores.

A questão é que, por R$ 153.900 você pode comprar SUVs a combustão ou híbridos bem superiores. Não rodarão com o mesmo silêncio e com custo tão baixo, mas, de modo geral, oferecem muito mais. Uma escolha muito pessoal.

O SUV médio: iEV60

Diferentemente dos demais, o iEV60 ainda não teve a versão a combustão – o T60 de nova geração – lançada no Brasil (chega em novembro) Foi também o único modelo de passeio que ainda não pudemos acelerar. Ele só chega em maio do ano que vem e terá 380 km de autonomia.

Mas pudemos ver sua cabine, que pareceu espaçosa é bem acabada, alinhada com os rivais da categoria. Custará R$ 198.900.

O caminhão: iEV1200T

Um caminhão completa a linha de elétricos da marca chinesa. O iEV1200T pretende atender as empresas de transporte que usam os VUCs na cidade. Ele chega em novembro.

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Fonte: MOTORSHOW

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