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Joe Biden: o ex-vice presidente que quer ocupar o Salão Oval

Nome completo: Joseph Robinette Biden Jr.
Ocupação: Político
Local de Nascimento: Scranton, Estados Unidos
Data de Nascimento: 20 de novembro de 1942

Quem é Joe Biden?

O candidato democrata para bater Donald Trump nas eleições presidenciais de 2020 possui uma longa carreira na política. Mas ela começou quase por um acaso. Formado em Direito, Joe Biden conseguiu emprego em um escritório de um político democrata, que o incentivou a se filiar ao partido.

Ele ganhou uma vaga no equivalente à Assembleia Legislativa do estado de Delaware já em sua primeira tentativa. Com pouca experiência e discurso de mudança, Biden deu um passo ousado dois anos depois, ao buscar uma vaga no Senado norte-americano desafiando o republicano que ocupava o cargo e tinha o apoio explícito do presidente Richard Nixon.

Com pouco dinheiro e estrutura, Biden garantiu sua vitória gastando sola de sapato e saliva para conversar diretamente com os eleitores na rua. Essa foi a primeira de sete vitórias consecutivas entre 1972 e 2008, quando ele abriu mão do Senado para ser vice-presidente dos Estados Unidos durante o governo de Barack Obama.

Ao longo da trajetória como senador, Biden ficou marcado pela presença nos debates sobre assuntos internacionais e pela grande capacidade de negociar soluções entre seu partido e a oposição. Mas ele também se envolveu em polêmicas ao se posicionar contra pautas progressistas e a favor de guerras – posições das quais ele se arrependeria depois.

Após um início fraco nas primárias democratas para a eleição de 2020, Biden consolidou seu nome entre o eleitorado negro e do centro, superando o ultraprogressista Bernie Sanders. Agora, ao lado da candidata à vice Kamala Harris, tenta chegar ao cargo de presidente dos Estados Unidos.

Formação

Nascido em 1942, Joe Biden é o filho mais velho de Joseph Biden e Catherine Eugenia – conhecida como Jean. Seu pai era representante de vendas da companhia de petróleo Amoco, mas perdeu o emprego com a recessão nos EUA após o final da Segunda Guerra Mundial. A família precisou se mudar para a casa dos pais de Jean. Pouco tempo depois, os Biden deixaram estado da Pensilvânia e se mudaram para Delaware, onde Joe Biden Sr. conseguiu um emprego como vendedor de carros usados.

Falecido em 2002, Biden Sr. é sempre lembrado por seu filho como uma pessoa que nunca desistia, ensinando aos filhos que “um homem não é medido por quantas vezes é derrubado, mas sim quão rápido ele se levanta”.

Logo na infância, Joe Biden descobriu um problema contra o qual lutaria ao longo de toda sua vida: ele tinha dificuldades na fala e gaguejava. Por causa disso, alguns de seus colegas que tiravam sarro conheceram o peso de sua mão. Já a freira do colégio que riu dele chegou a ser ameaçada pela católica e protetora mãe de Joe.

Joe adorava esportes e foi um dos principais jogadores de futebol americano de sua escola. Ele conseguiu levar seu fraco time para uma temporada invicta no campeonato estadual. Mas suas notas não acompanhavam o brilhantismo dentro do campo. Entre seus amigos da época, ele é mais lembrado por sua liderança e carisma do que pela excelência acadêmica.

Quando já estudava Ciência Política e História na Universidade de Delaware, Biden viajou com amigos para as Bahamas, onde conheceu Neilia Hunter, com quem se casaria dois anos depois em 1966. Formado, seguiu para a Universidade de Syracuse, a mesma de Neilia, para cursar Direito.

Em uma disciplina do primeiro ano, foi reprovado por causa de um evento que o assombraria décadas seguintes: Joe Biden foi acusado de plagiar de cinco das 15 páginas de um trabalho, algo que ele classificou como um “erro de citação”.

Progressista, Biden entra na política

Após se formar na faculdade de Direito – “a coisa mais chata do mundo” –, Biden passou no Exame da Ordem em 1969, começando a carreira jurídica como defensor público. Meses depois, entrou no escritório de advocacia de um membro dos Democratas, que o convidou para entrar no partido.

Como a vida no Direito não lhe trazia dinheiro ou felicidade, Biden resolveu concorrer para o equivalente à Assembleia Legislativa de Delaware, com uma plataforma progressista. Essa foi sua primeira vitória nas urnas. Quatro décadas depois, Biden ainda não sabe o que é perder uma eleição no voto popular.

Entre 1970 e 1972, ele manteve a jornada dupla como membro do legislativo e advogado. Então, resolveu assumir um desafio ainda maior ao tentar uma cadeira no Senado Federal. O problema é que ele deveria tirar do cargo um conhecido republicano, que já era senador há 12 anos e tinha o total apoio do então presidente Richard Nixon.

Sem experiência e dinheiro, a campanha de Biden não tinha muitas chances de bater um concorrente tão forte. Mas, com o apoio de sua irmã Valerie, que se tornou a gerente da campanha, e diversos outros membros da família, Biden acreditou que conseguiria convencer o eleitor de Delaware na base da conversa cara-a-cara.

Com uma plataforma progressista, ele defendeu o fim da Guerra do Vietnã, a preservação do meio ambiente, a ampliação dos direitos civis, a revisão dos impostos e usou a carta da “mudança” para renovar a política de Washington. Biden venceu a eleição por uma margem de apenas 3.162 votos.

Mas a felicidade de Biden, que havia acabado de completar 30 anos, o mínimo legal para ser um senador nos EUA, durou pouco.

Tragédia familiar

Poucas semanas antes de assumir o cargo como senador, sua esposa Neilia sofreu um acidente ao colidir o carro que dirigia com um caminhão. Ela havia saído com os três filhos do casal para fazer compras de Natal. Neilia e Naomi, que tinha um ano de idade, morreram no acidente. Os outros dois filhos, Hunter e Beau, sobreviveram com ferimentos.

Viúvo, Biden cogitou renunciar ao cargo para cuidar dos filhos, mas foi demovido da ideia pelo presidente do Senado. Assim como seu pai, ele se levantaria. Biden decidiu permanecer morando perto de seus pais, em Delaware, e pegar o trem de ida e volta para Washington, em um trecho de 1h30 em cada sentido, para trabalhar no Senado e ver Hunter e Beau todos os dias.

Cinco anos após a tragédia, Biden se casou novamente com Jill Tracy, professora e doutora em Educação. Os dois se conheceram em um encontro às cegas marcado pelo irmão de Joe. Segundo Biden, Jill renovou sua paixão pela vida e pela política. Juntos, eles têm uma filha, Ashley, nascida em 1981.

Em 2015, Biden enfrentaria outra tragédia familiar: a morte de seu filho mais velho, Beau, após uma longa batalha contra um câncer no cérebro.

Evolução constante

Nos seus 36 anos no Senado americano, Biden acumulou uma longa experiência nas comissões de Justiça e de Relações Internacionais, assumindo a presidência delas em diversas ocasiões.

Seu longo histórico na casa mostra um senador progressista, mas com uma opinião que, ao longo dos anos, “evoluiu” – como ele costuma dizer. Biden diz se arrepender de algumas de suas opiniões e votos passados. Ele se condema, em especial, por organizado a aprovação de uma lei que aumentou o encarceramento de negros e latinos nos EUA. Em 2019, ele disse que esse foi um “grande erro”.

Biden também se posicionou contra a presença de homossexuais no corpo militar dos EUA e a união civil entre casais do mesmo sexo, além de votar pela invasão ao Iraque e se opor à política de miscigenação das escolas públicas.

Ele também disse “não ter feito o suficiente” para apoiar Anita Hill, jovem que acusou de assédio sexual um indicado à Suprema Corte em 1991. Em 2019, Biden tentou se desculpar com Anita. Mas ela não aceitou.

Política internacional

No Senado dos EUA, Biden criou uma carreira reconhecida no debate de política externa, defendendo que os americanos não deveriam intervir em assuntos de outras nações soberanas. Ao longo de três décadas na Comissão de Relações Internacionais, Biden se reuniu com 150 líderes de 60 países e organizações internacionais.

Entre suas principais interações, ele foi à antiga Iugoslávia em 1993 para uma tensa reunião de três horas com o Slobodan Milosevic, na qual relata ter chamado o então presidente sérvio de “criminoso de guerra”. Ele também chegou a ser reunir com o ditador líbio Muammar Gaddafi em Tripoli.

Biden defendeu a entrada dos EUA na Guerra do Kosovo, assim como a invasão norte-americana ao Afeganistão e ao Iraque. Em relação ao último conflito, Biden disse ter mudado de opinião – acha que cometeu um erro ao aprovar a guerra e a derrubada do regime de Saddam Hussein.

Aspirante à presidente

Em meados dos anos 1980, Biden era uma voz proeminente no Partido Democrata. Muitos consideravam que ele chegaria à presidência de forma natural. Sua primeira chance viria em 1988. Ao contrário de sua primeira eleição ao Senado, ele foi visto como um forte candidato, recebendo grandes doações nos primeiros meses após anunciar que estava na disputa.

A campanha, contudo, foi um desastre, culminando em uma briga interna na sua equipe. Mas a pá de cal da campanha viria na forma de um discurso plagiado: Biden usou trechos completos de discursos de um conhecido político britânico, até mesmo atribuindo à sua família fatos que não eram verdadeiros.

Joe Biden na campanha presidencial de 1988Joe Biden na campanha presidencial de 1988
Durante uma coletiva de imprensa, Joe Biden anuncia sua intenção de concorrer à indicação do Partido Democrata para para as eleições presidenciais de 1988 (Crédito: Howard L. Sachs/CNP/Getty Images)

Biden disse que seu erro foi deixar de citar o autor, citando outros momentos em que tinha feito referência ao texto original. Essa falha poderia ser perdoada, se outro caso não tivesse voltado à tona: o plágio no trabalho da faculdade de Direito. Com esses dois casos, a imprensa e seus competidores passaram a procurar – e achar – outros trechos copiados em discursos anteriores, além de exageros no seu currículo.

Assim, a campanha fez água e Biden desistiu de se lançar à presidência. Meses depois, ele sobreviveria a duas cirurgias para o tratamento de dois aneurismas cerebrais após um deles se romper. Ele se recuperou totalmente, mas precisou ficar afastado do trabalho por sete meses.

Nova tentativa

No final do governo Bush, os EUA estavam enfiados em duas guerras no Oriente Médio e em meio uma recessão que abalou a raiz do sistema financeiro global. Biden decidiu que era o momento de tentar ser presidente novamente.

Conhecido pelo o patrimônio baixo, em comparação com seus pares no Senado, e as origens na classe média baixa, Biden é visto como um membro da classe trabalhadora e com uma capacidade de empatia acima da média.

Esse background, aliado a sua experiência na política externa, o tornou um candidato fortíssimo para um EUA que via famílias de classe média perdendo tudo, enquanto o país gastava trilhões em guerras intermináveis.

Mas apesar de querido entre os concorrentes e financiadores, Biden não conseguiu levar sua campanha acima dos 10% de intenções de voto nas primárias democratas e acabou desistindo da candidatura no começo de 2008.

Em junho do mesmo ano, Barack Obama o convidou para ser o vice em sua chapa, após os dois desenvolverem uma boa relação pessoal em Washington. Obama enxergava em Biden a pessoa certa para trazer a experiência internacional que lhe faltava, atrair a classe trabalhadora e atacar o herói de guerra e concorrente republicano John McCain.

Conhecido por suas gafes ao falar de improviso, Biden teve diversos atritos com a equipe de Obama, que passou a não compartilhar parte da estratégia de campanha, com receio de que ele falasse demais e atrapalhasse. Quando descobriu isso, Biden ficou furioso.

Após semanas de atrito, os Obama e Biden conversaram, trocaram pedidos de desculpas e decidiram se reunir semanalmente para jantar e construir uma relação mais próxima. Esse hábito foi mantido ao longo dos oito anos da dupla na Casa Branca.

Na mesma eleição em que foi escolhido como o vice-presidente dos EUA, Biden também conseguiu a reeleição ao Senado por Delaware, se tornando o senador mais jovem a conquistar um sétimo mandato na Casa. Ele renunciou ao cargo em 15 de janeiro, cinco dias antes de assumir a vice-presidência.

A Casa Branca

Durante os oito anos do governo Obama, entre 2009 e 2016, Biden teve uma atuação destacada como vice-presidente, assumindo o controle de grande parte do governo, a convite do presidente.

Sua experiência e capacidade de reduzir conflitos entre as opiniões divergentes dentro do próprio governo era muito valorizada por Obama, que o tinha como um importante conselheiro.

Ele costumava fazer o papel de “advogado do diabo” nas principais decisões, forçando os membros do governo a se prepararem mais, revisarem suas posições, defendendo-as com mais argumentos. Essa característica foi elogiada por Obama como essencial para melhorar as políticas de seu governo.

Biden foi escalado como o responsável por gerenciar a Guerra do Iraque, visitando o país do Oriente Médio em oito ocasiões no primeiro mandato, além de usar sua experiência no Senado para aprovar as políticas do novo governo, como o investimento em infraestrutura para combater os efeitos da recessão e a expansão do sistema de saúde público, conhecida como Obamacare.

Barack Obama e Joe BidenBarack Obama e Joe Biden
Barack Obama e Joe Biden participam de uma cerimônia para marcar o retorno das tropas americanas e o fim da guerra do Iraque em 20 de dezembro de 2011 (Crédito: Kristoffer Tripplaar-Pool/Getty Images)

As boas relações de Biden com os republicanos também evitaram o primeiro calote da dívida dos EUA e a aprovação da renovação do tratado de redução de armas nucleares, negociado entre Obama e o então presidente russo Dmitri Medvedev.

Antes de deixar a Casa Branca, ele recebeu a Medalha Presidencial da Liberdade, a mais alta condecoração presidencial dos EUA, em uma cerimônia surpresa organizada por Obama, que fez um emotivo Biden chorar.

De azarão ao indicado

Nos anos seguintes ao fim do seu segundo mandato de vice-presidente, Biden sempre foi considerado como um potencial candidato democrata em 2020, mas se recusava a confirmar se estava de fato na disputa, normalmente desconversando o assunto com uma piada.

Durante o governo Trump, Biden manteve participação ativa na vida política do país ao defender mais estudos contra o câncer, combate às mudanças climáticas, maior acesso à saúde pública e os direitos dos imigrantes e da comunidade LGBTQIA+.

Em julho de 2019, Biden decidiu entrar na disputa à presidência. Logo depois, foi arrastado para o centro da disputa política do país, após o vazamento de uma conversa na qual Donald Trump pedia que o novo presidente ucraniano investigasse os negócios do filho de Joe, Hunter Biden, no Leste europeu.

Segundo Trump, havia sinais de corrupção na participação de Hunter como lobista e diretor da empresa estatal de gás da Ucrânia. As alegações nunca foram comprovadas. Em troca, o presidente americano ofereceu apoio financeiro para o exército ucraniano.

Pelo caso, Trump sofreu um processo de impeachment na Câmara, mas foi absolvido no Senado.

Primárias democratas

No início da corrida das primárias democratas, seu estilo mais moderado para os padrões atuais do partido e sua imagem de homem branco mais velho não atraiu uma legião de fãs, como seus concorrentes Bernie Sanders e Elizabeth Warren.

Nas primeiras votações estaduais, os resultados de Biden foram fracos, colocando-o entre o quarto e quinto lugar nas preferências dos eleitores democratas.

Mas sua campanha ganhou força quando começaram a sair os resultados nos estados com uma maior participação da população negra, que o levaram a sua primeira vitória nas primárias. Após a desistência de outros candidatos moderados, que se uniram para impedir a vitória do ultraprogressista Sanders, Biden conquistou surpreendentemente 22 estados nos dois meses seguintes.

Com a pandemia adiando as votações e sem ver chances de vitória, Sanders desistiu da campanha e abriu caminho para que Biden fosse o indicado para concorrer à presidência dos EUA contra Donald Trump.

Biden manteve uma promessa feita em um debate e selecionou uma mulher para o cargo de vice-presidente. A escolhida foi Kamala Harris, que, curiosamente, fez um dos principais ataques contra Biden durante as primárias.

Em sua campanha, Biden tem sido um crítico ácido ao fraco combate à pandemia do governo Trump, que levou o país ao topo do indesejado ranking de número de casos e mortes no mundo.

Ele também ataca o modo divisionista que o presidente age, especialmente em relação aos protestos antirracistas que se multiplicaram após a morte de George Floyd pela polícia de Minneapolis.

Biden abraçou vários temas da área da ala mais progressista e à esquerda do partido, como o apoio à creche pública universal, um plano de US$ 1,7 trilhão para combater as mudanças climáticas pela descarbonização e criação de empregos “verdes” e a expansão ilimitada da saúde pública dos EUA, que passaria a ser uma opção para todos os cidadãos.

Vitorioso em todas as disputas que entrou até hoje pelo voto popular, Biden tenta ser o próximo presidente dos EUA e fazer um governo de transição entre a sua e a próxima geração do Partido Democrata.

Para saber mais

  • Promises to Keep: On Life and Politics (Joe Biden)
  • Promise Me, Dad: A Year of Hope, Hardship, and Purpose (Joe Biden)
  • Joe Biden’s 30-Year Quest (The Daily Podcast)
  • Barack and Joe: The Making of an Extraordinary Partnership (Steven Levingston)

Fonte: Infomoney

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