Lápide de ‘verdadeira Branca de Neve’ é exposta em museu na Alemanha

Era uma vez um museu em uma charmosa e antiga cidade alemã que recebeu uma lápide muito importante, perdida há muito tempo.

O filme de 1937 da Disney, Branca de Neve e os Sete Anões, foi um sucesso global

Foto: Alamy / BBC News Brasil

Era do túmulo de Maria Sophia von Erthal, uma baronesa que teria, segundo se acredita, inspirado os Irmãos Grimm a escrever “Branca de Neve e os Sete Anões”.

Sua lápide restaurada acaba de ser exposta no Museu Diocesano de Bamberg, no sul da Alemanha. Ela foi doada pela família que a resgatou.

O diretor do museu diz que a vida de Sophia “se tornou o núcleo da Branca de Neve”.

A baronesa cresceu em um castelo em Lohr am Main, a cerca de 100 km a oeste de Bamberg, no norte da Baviera, e morreu em 1796.

“A história da vida de Sophia era bem conhecida no início do século 19”, disse o diretor do museu, Holger Kempkens, à BBC.

O conto de fadas “Branca de Neve” (“Schneewittchen” em alemçao), escrito por Jacob e Wilhelm Grimm, foi publicado em 1812 e alcançou audiências globais quando Walt Disney criou o filme de animação em 1937. Mas houve várias outras adaptações.

Oficial da igreja Norbert Jung com a lápide, que só ressurgiu recentemente (foto: Dominik Schreiner)

Oficial da igreja Norbert Jung com a lápide, que só ressurgiu recentemente (foto: Dominik Schreiner)

Foto: ARCHDIOCESE OF BAMBERG / BBC News Brasil

“Os irmãos Grimm transformaram em literatura as histórias que ouviram da população local”, disse Kempkens.

“Há indicações – embora não possamos provar com certeza – que Sophia foi a modelo (para a personagem) Branca de Neve. Hoje, quando você faz um filme sobre uma pessoa histórica, também há ficção. Então, neste caso, acho que existe uma base histórica, mas também há elementos fictícios.”

O amado conto de Branca de Neve tem alguns elementos famosos:

– Uma madrasta má que planeja matar Branca de Neve por inveja

– Um espelho mágico que responde “Branca de Neve” quando a madrasta pergunta: “Espelho, espelho meu, existe alguém mais bela do que eu?”

– A maçã envenenada da madrasta

– Os sete anões que cuidam de Branca de Neve e trabalham em uma mina

– Um príncipe que encontra Branca de Neve em um caixão de vidro e a resgata com um beijo.

Os irmãos Grimm viveram por muito tempo perto de Hanau, que fica a apenas 50 km de Lohr am Main.

Baronesa Sophia cresceu no castelo de Lohr am Main

Baronesa Sophia cresceu no castelo de Lohr am Main

Foto: Getty Images / BBC News Brasil

Na década de 1980, Karlheinz Bartels, um historiador local em Lohr, pesquisou paralelos entre a vida de Sophia e o conto de fadas, chamado “Schneewittchen” em alemão:

– O pai de Sophia, um nobre chamado Philipp Christoph von Erthal, se casou novamente após a morte de sua primeira esposa, e a madrasta de Sophia tinha a reputação de ser dominadora e agir em favor de seus filhos biológicos

– Lohr era um famoso centro de produção de vidros e espelhos. O pai de Sophia era dono da fábrica de espelhos, e hoje um museu em Lohr exibe orgulhosamente um daqueles espelhos com a inscrição: “Amour propre” (“amor próprio”, em francês)

– Uma floresta assustadora aparece no conto, e uma floresta perto de Lohr era conhecida por abrigar ladrões e animais selvagens perigosos

– Branca de Neve correu por sete colinas antes de chegar à cabana habitada pelos sete anões, que trabalhavam em uma mina; e uma mina fora de Lohr, agora em desuso, pode ser alcançada cruzando sete colinas

Na história, Branca de Neve morde uma maçã envenenada - mas sobrevive

Na história, Branca de Neve morde uma maçã envenenada – mas sobrevive

Foto: Alamy / BBC News Brasil

– Anões e/ ou crianças de fato trabalhavam na mina, e usavam capas como proteção contra pedras e poeira

Mas algumas partes significativas do conto certamente não foram derivadas da vida de Sophia: o caixão de vidro (apesar de seu pai ter um comércio de vidros), a maçã envenenada e o príncipe salvador.

A vida de Sophia não teve um final tão feliz: ela ficou cega em sua juventude e morreu solteira em um convento, aos 71 anos.

Kempkens disse que a lápide de mármore tinha uma camada de giz escondendo a inscrição, então exigiu uma cuidadosa restauração. A inscrição diz: “A nobre heroína do cristianismo: aqui ela descansa após a vitória da Fé, pronta para a ressurreição transfigurada”.

Também é historicamente significativa porque naquela época as mulheres não costumavam ter suas próprias lápides.

A lápide de Sophia estava originalmente em uma antiga igreja em Bamberg que foi derrubada, disse Kempkens.

A lápide foi então instalada em um hospital fundado por um irmão de Sophia. Quando uma nova clínica foi construída na década de 1970, a lápide foi removida e mantida por uma família local, que depois a doou para o museu de Bamberg.

BBC News Brasil
BBC News Brasil – Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização escrita da BBC News Brasil.

  • separator

Fonte: PORTAL TERRA – NOTÍCIAS

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: