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Livro da semana: “No Easy Way”

Por ser o montanhismo, como prática esportiva, acompanhado por um número de pessoas relativamente pequeno, ainda mais se compararmos com esportes de massa como o futebol, muitos jornalistas, além do público leigo, não possuem clara a diferenciação entre mérito esportivo e mérito pessoal. Este tipo de critério, acaba por admitir que o estilo alpino e subir com o auxílio de guias e agências de turismo possui o mesmo mérito.

Este tipo falta de conhecimento da área do montanhismo, e seu verdadeiro mérito, pode ser visto nos vários equívocos de reportagens que enaltecem montanhistas que fazem uma ascensão de uma montanha como conquista pessoal como algo de grande mérito esportivo. Uma clara distorção da realidade de um esporte simples, mas ao mesmo tempo complexo de explicar à quem não entende a diferença entre méritos. Por definição, Mérito ou merecimento, é a qualidade atribuída a alguém cujo ato ou atividade foram reconhecidos como de grande valor em favor da coletividade.

Michael Fowler

Esta diferenciação entre mérito esportivo e pessoal é a principal campanha que a comunidade de montanha vem procurando ensinar ao público leigo. O motivo desta campanha, todos conhecem: as principais notícias sobre montanhismo e escalada são dominadas pelas atividades das montanhas mais altas do mundo, ou das vias mais difíceis. Muitos jornalistas hoje em dia ainda acredita na falácia de que “quanto mais alto, mais perigo” ou que “o mérito é subir, não importa como”. Distante deste circo de adjetivos superlativos e marcas vazias como “o primeiro isso” ou “a primeira aquilo”, um grupo de montanhistas está buscando objetivos atraentes nos lugares mais remotos das maiores cordilheiras do mundo e tentando as primeiras ascensões em estilo alpino. Faz parte deste grupo Mick Fowler.

O britânico Mick Fowler é altamente respeitado em toda a comunidade de montanha e faz quase 30 anos que foi aclamado como o “Mountaineer’s Mountaineer” pelo jornal britânico The Observer e, desde então, recebeu prêmios de prestígio como o Piolet d’Or. Seu mais novo livro, “No Easy Way: The challenging life of the climbing taxman” pode ser considerado um livro de montanhismo diferente do que está sendo sendo publicado pelas editoras neste início de século XXI. O motivo? Aborda exatamente as diferenças entre os conceitos de mérito pessoal e mérito esportivo.

No livro, o qual é sua terceira obra de memórias após “Vertical Pleasure” e “On Thin Ice”, Fowler relata uma série de expedições às montanhas da China, Índia, Nepal e Tibet. Para quem acredita que o britânico é um montanhista efêmero, que aparece com marcas e conquistas quando é conveniente à sua imagem, Fowler é considerado um dos montanhistas mais importantes no universo do montanhismo desde os anos 1970. Atuando como presidente do Alpine Club do Reino Unido entre 2011 e 2013, se diferenciou entre por se destacar nas atividades burocráticas e também de montanhismo.

Isso porque Mick Fowler não ficou sentado no cargo de presidente e seguiu fazendo o que gosta: montanhismo. A consequência é que ganhou seu primeiro Piolet d’Or em 2002 por sua ascensão ao Monte Siguniang (6.250 m) na China. Mais tarde foi merecedor de seu segundo Piolet d’Or em 2013 por uma ascensão à Prow of Shiva (6.142 m) em Himachal Pradesh, na Índia. Fowler voltou a ganhar o Piolet d’Or, sua terceira premiação, por sua ascensão ao Gave Ding (6.571 m) no Nepal em 2015.

Mas por que todas as ascensões são tão comemoradas e premiadas?

Porque Mick Fowler as fez no estilo alpino, que é o que define a diferença de subir a montanha para ganhar um mérito esportivo. Lembrando que o montanhista que subir por guias, cabos prefixados, entre outros facilitadores pode somente ostentar como uma conquista pessoal. Afinal, assim como uma excursão a cidades turísticas Europa, na qual o guia turístico é quem decide desde onde comer até a hora de se locomover, é o guia da excursão que decide tudo, até o momento de ataque ao cume. Esta “terceirização de expertise” torna a conquista um mérito pessoal, sem agregar nada à história do esporte.

Para quem quiser saber mais sobre organização de expedições, reflexões a respeito da “everestização” de lugares como o Monte K2 (8.611 m), entre outras montanhas outrora pouco exploradas por agências de turismo, o livro “No Easy Way: The challenging life of the climbing taxman” parece ter sido feito sobre encomenda.

Ficha técnica

  • Título: No Easy Way: The challenging life of the climbing taxman
  • Autor: Mick Fowler
  • Edição:
  • Ano: 2018
  • Número de páginas: 272
  • Editora: Vertebrate Publishing

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Fonte: R7

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