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‘Mãe número 1 do mundo’, Alice Kuerten relembra título de Guga – Esportes


“Hoje sou o número 1 do mundo, mas ela sempre foi e sempre vai ser a mãe número 1 do mundo”. Não era Dia das Mães como neste domingo (10), mas para Gustavo Kuerten não precisava de data especial para homenagear alguém com um título de torneio. Foram com essas palavras que Guga quebrou o protocolo em Lisboa, em Portugal, e arrancou em direção às arquibancadas para comemorar o troféu da antiga Masters Cup e o inédito topo do ranking da ATP (Associação dos Tenistas Profissionais) ao lado de sua mãe Alice.


Em entrevista ao R7, Alice, dedicada aos trabalhos na presidência do Instituto Guga Kuerten, relembra com carinho daquela conquista que completará 20 anos no próximo 3 de dezembro. Ela conta que, independentemente da importância da competição, sempre tratou Grand Slams, Masters 1000, Jogos Olímpicos ou qualquer outra coisa como um torneio em que o filho participaria. Não foi diferente com a Masters Cup (hoje ATP Finals). Por isso, reuniu a família e rumou para Portugal para cuidar antes de tudo do filho.


Guga vinha de uma temporada irretocável, com o então segundo título de Roland Garros (conquistou o tradicional torneio também em 1997 e em 2001), além de importantes vitórias em Hamburgo e em Indianápolis. Tudo isso fez com que ele tivesse a oportunidade de se tornar o primeiro tenista sul-americano a chegar ao posto de número 1 do mundo. Mas, para isso, antes era preciso passar como algumas pedreiras como Pete Sampras na semi e André Agassi na final — foi o único tenista a derrotar essas duas lendas do tênis antes de um título.



Como se não bastassem os adversários, fortes dores na lombar e conhecido problema no quadril atrapalharam a campanha de Guga, que inclusive perdeu para Agassi no primeiro jogo, de virada. Daí entrou em cena a mãe de atleta. Alice recorda que fazia massagens para aliviar a dor do filho até que pegasse no sono.


“A gente sofreu primeiro uma derrota, contra o Agassi, e fiquei dando o suporte de mãe. Ele lembra de coisas que eu não lembro. Ele diz que eu ficava todas as noites com ele fazendo massagem até ele dormir. A gente acaba fazendo isso todos os dias e não vê que isso faz a diferença. Então a gente ficou nesta expectativa o torneio inteiro por que achava que ele não iria ter condições de dar sua performance total”, contou Alice. “Na realidade, sempre acompanhei como mãe. Sempre dei suporte de comida, de agasalho, de carinho… Nunca me meti em jogo. Pra isso, ele tinha o técnico.”


As dores passaram, Guga enfileirou vitórias contra o sueco Magnus Norman e o russo Yevgeny Kafelnikov até os jogos decisivos contra os norte-americanos. Nesse período, a mãe estava sempre na arquibancada fazendo o número um com os dedos, que enviavam força para que ele conquistasse ‘mais um ponto’, ‘mais um game’, ‘mais um set’. No fim, veio o ‘número um do mundo’. Guga, sem saber se poderia ou não, então correu em direção à mãe. Em sua carreira de 20 títulos de simples, já era costume invadir as arquibancadas e dedicar o troféu a alguém do seu círculo.



O brasileiro, que terminou sua carreira com 43 semanas no topo do ranking, já havia homenageado a mãe. E em um Dia das Mães. Foi no ATP 1000 de Roma, em 1999, mas, por conta de uma cirugia, Alice não pôde acompanhar a conquista de perto. Ainda assim, a surpresa foi grande no ano seguinte.


“Ter um filho número 1 do mundo e ter um filho é a mesma coisa. Filho é filho. Claro que naquela hora você fica com orgulho. Quando ele se machucou, pensei como filho e não como atleta, como número 1 do mundo ou coisa assim. Todo filho é importante. Você é a mãe do Guga? Sou mãe de três”, brinca Alice, que também é mãe de Raphael e Guilherme, que morreu em 2007. O pai, Aldo, morreu quando Guga tinha 9 anos.


Na luta para manter seu filho no esporte quando criança, Alice bateu de porta em porta com uma pasta com o currículo de Guga em mãos, procurando interessados em apoiar aquele jovem menino de Florianópolis. Como na biografia Guga, um brasileiro, o ex-tenista explica que em determinado momento “havia duas opções: ou parava de disputar torneio fora ou a gente fazia brotar dinheiro”.



“A capa da pasta trazia um retrato meu desenhado à mão […] No interior, estava o meu currículo, com dados pessoais e minhas principais conquistas, com nome do torneio, data, cidade e posição de batida”, diz Guga, em depoimento a Luís Colombini. “Como ninguém queria interromper minha carreira, a mãe começou uma peregrinação em busca de apoio. Por anos, bateu em porta de vereador, deputado, órgãos públicos, estatais, secretarias de esportes, companhias privadas, empresas pequenas, médias, grandes ou imensas, tentando levantar verba para a próxima viagem.”  


“Valeu a pena”, resumiu Alice.


Assim como os 20 anos do topo do ranking, o Instituto Guga Kuerten também completa duas décadas em 2020. À frente dos trabalhos, Alice desenvolve programas para atender crianças e adolescentes com deficiência. Atualmente, são 500 pessoas capacitadas e que levam os valores da família Kuerten adiante. O caminho para a profissionalização de um tenista não está entre os objetivo do instituto.



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Fonte: R7

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