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Medalhistas de bronze, Stefani e Pigossi foram inscritas na Olimpíada de Tóquio sem saber

Antes do início da Olimpíada, as expectativas de medalha no tênis brasileiro recaíam todas sobre Bruno Soares e Marcelo Melo. As duplas femininas não eram cogitadas nem mesmo por Luisa Stefani e Laura Pigossi, que acabaram conquistando o bronze na madrugada deste sábado, pelo horário brasileiro. E havia um motivo forte para isso: nem elas sabiam que estavam inscritas para competir nos Jogos de Tóquio.

A surpresa pela conquista da dupla, portanto, começou muito antes da primeira partida. Por iniciativa própria, a Confederação Brasileira de Tênis (CBT) inscreveu as duas no último dia permitido, 22 de junho, por acreditar que as eventuais desistências na chave poderiam abrir caminho para uma nova chance de medalha para o Brasil na modalidade.

“Só joga quem se inscreve. Por isso realizamos a inscrição das duas meninas com o melhor ranking de duplas para poder entrar”, disse ao Estadão, por telefone de Tóquio, o gerente esportivo da CBT, Eduardo Frick.

O dirigente apostava em mudanças na chave de duplas por desistências ou mesmo por causa da covid-19. Ajustes poderiam ser feitos pela Federação Internacional de Tênis (ITF, na sigla em inglês) até 16 de julho – a cerimônia de abertura aconteceu no dia 23. “No último dia, faltando quatro horas para encerrar o prazo, a ITF entrou em contato comigo dizendo que as meninas haviam entrado nos Jogos.”

A partir daí, foi uma correria por parte das tenistas e da CBT para organizar as viagens e readequar seus calendários. Stefani estava nos EUA, enquanto Pigossi jogava no Casaquistão. “A Laura estava jogando o torneio e não queria atender o telefone porque estava se preparando para disputar a semifinal. Aí eu falei: ‘atende o telefone agora, pô. É urgente’. Ela atendeu e perguntou o que houve. Eu respondi: você entrou na Olimpíada!”, lembrou Frick.

Stefani também foi pega no susto. “Eu ligava, ligava e ligava. Ela não atendia porque estava dormindo. O horário lá nos EUA era mais cedo. Quando me atendeu, ficou muito surpresa e muito contente.”

A surpresa foi maior para Laura Pigossi por causa do seu ranking. No momento da inscrição, ela figurava no 190º lugar na lista de duplas da WTA. E, até então, nunca tinha disputado torneios maiores no circuito. Mesmo mais velha que Stefani e perto de completar 27 anos (no dia 2 de agosto), ela está mais acostumada a jogar torneios da ITF, um nível abaixo da WTA. Nas duplas, já atuou no circuito mais competitivo, mas em simples nunca passou do qualifying, a fase classificatória.

“Realmente foi uma surpresa para a Laura porque ela não sabia que eu tinha feito a inscrição. Como ela estava muito longe na lista, não quis criar nenhuma expectativa em cima da atleta. E a deixei fazer o seu calendário normalmente”, afirmou o dirigente da CBT. “Por uma felicidade e por coisas que a gente acredita que tem de ser porque tem de ser, elas entraram e acreditaram que poderiam ganhar de qualquer dupla.”

A surpresa foi grande também porque, curiosamente, Stefani e Pigossi só haviam jogado juntas duas vezes antes da Olimpíada. Defendendo o Brasil na Billy Jean King Cup (novo nome da Fed Cup), perderam para a Alemanha, em fevereiro do ano passado. E, no ITF de Assunção, em novembro de 2019, venceram dois jogos e foram eliminadas na semifinal.

Sem surpresas

Para Luisa, entrar na Olimpíada não foi surpreendente. Mas não foi como ela esperava. Em entrevista ao Estadão no fim de 2019, ela cogitava a possibilidade, porém formando dupla com Beatriz Haddad Maia, melhor brasileira de simples da atual geração. Uma suspensão por doping e lesões acabaram com as chances de Bia competir em Tóquio.

Melhor brasileira no circuito profissional no momento, Stefani vem quebrando marcas nos últimos anos, desde que deixou o tênis universitário americano. Ao terminar 2020 no 33º posto do ranking, se tornou a primeira tenista do Brasil a entrar no Top 40 em mais de 30 anos. Quando entrou no Top 30, encerrou um jejum iniciado em 1976. Atual 23ª do mundo, ocupa a melhor posição de uma brasileira desde que o ranking foi criado, em 1975.

A atleta, que mora em Tampa, nos EUA, já tem três títulos de nível WTA no currículo, todos nas duplas. Neste ano, chegou à final do WTA 1000 de Miami, um dos principais torneios do circuito, de nível abaixo apenas dos Grand Slams.

Fonte: Terra

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