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Millennials são maioria dos concurseiros no país, diz pesquisa | Distrito Federal

Os concurseiros millennials, pessoas nascidas entre a década de 80 e o começo dos anos 2000, representam a maioria dos candidatos a uma vaga no serviço público no país, segundo um levantamento feito por uma plataforma de cursos preparatórios. A faixa etária entre 18 e 24 representa 27%; e aqueles com 25 a 34 anos são 37%.

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A pesquisa foi realizada pelo Gran Cursos Online, com base nos dados de buscas e candidaturas pelas vagas. A análise aponta que, embora Brasília seja o epicentro do funcionalismo público, por abrigar a sede dos três poderes, ocupa o 4º lugar entre os estados com mais concurseiros, em números absolutos (saiba mais abaixo).

A estudante Fernanda Silva, de 27 anos, está se preparando para o concurso da Polícia Civil do DF, após estudar engenharia. Ela conta que a decisão foi tomada após muita resistência.

“Em Brasília, existe muito essa pressão pra passar em um concurso. No início, eu não queria isso”, diz a engenheira.

No entanto, a mineira, que cresceu na capital federal, decidiu se candidatar a uma vaga após, segundo ela, “ter decepções na iniciativa privada”. Mas a estabilidade não foi o que mais pesou na decisão, explica: “Eu tenho um filho, e pra mim, é muito mais do que uma questão de estabilidade”.

2 de 4 Douglas Rocha Almeida, de 26 anos, estuda para uma vaga de diplomata — Foto: Arquivo pessoal

Douglas Rocha Almeida, de 26 anos, estuda para uma vaga de diplomata — Foto: Arquivo pessoal

O jovem Douglas Rocha Almeida, de 26 anos, nascido em Goiás, estuda em Brasília desde o ensino médio. O objetivo já era se preparar para um concurso do Ministério das Relações Exteriores (MRE), para a carreira de diplomata.

“A estabilidade não é o que me atraiu. Sou uma pessoa muito emocionada pelo país e meu sonho é defender o Brasil. Seria unir isso a viajar pelo mundo, as duas coisas que me motivam mais”, conta Douglas.

O estudante passou os últimos três anos da escola viajando de Luziânia (GO), no Entorno do DF, onde morava, para Brasília, onde estudava e cursava francês e inglês no Centro Interescolar de Línguas (CIL), na rede pública. Conseguiu se formar na faculdade de Relações Internacionais, em uma universidade privada, por meio de uma bolsa do Programa Universidade para Todos (ProUni).

“Sou filho de diarista e pedreiro. Quando eu era pequeno, nunca imaginei ser diplomata. Mas fui motivado por professores e hoje é meu objetivo”, diz o estudante.

O sonho de Douglas é o mesmo que o de Daniel Victor da Silva, de 23 anos, que também tenta uma vaga no Itamarary após se formar em Relações Internacionais. Morador do Guará II, ele afirma que a função social como diplomata pesou mais na decisão de estudar para o concurso.

3 de 4 Daniel Victor da Silva, de 23 anos, comemora a aprovação no Curso de Relações Públicas — Foto: Arquivo pessoal

Daniel Victor da Silva, de 23 anos, comemora a aprovação no Curso de Relações Públicas — Foto: Arquivo pessoal

“A carreira pública é voltada para uma causa mais social do que lucrativa, temos a oportunidade de ajudar os brasileiros que estão no exterior”, diz Daniel.

Para o jovem, há outras carreiras com menor concorrência e bons salários, mas o objetivo, desde o ingresso no ensino superior “é viajar pelo mundo”. Como a pandemia da Covid-19 suspendeu as provas dos concursos, Daniel conta que está aproveitando para se preparar mais. “São 10 horas de estudo por dia, de segunda à sexta”, detalha.

Capital dos concursos em pandemia

4 de 4 Monumento Pombal na Praça dos Três Poderes, na Esplanada dos Ministérios — Foto: TV Globo/Reprodução

Monumento Pombal na Praça dos Três Poderes, na Esplanada dos Ministérios — Foto: TV Globo/Reprodução

O diretor-presidente da plataforma de cursos, Gabriel Granjeiro, destaca que o cenário dos concursos enfrenta um período atípico. “Estamos no meio de uma pandemia e tudo tem sido ajustado, adiado, adaptado. Algumas provas foram adiadas e editais de concursos previstos não saíram”, afirma.

No entanto, ele aponta que o momento de suspensão pode ser positivo. “Para quem não está pronto, é uma excelente oportunidade para construir uma base”, explica.

O DF, sede dos órgãos e entidades federais, atrai concurseiros de diversas regiões do país, mas devido ao número de moradores inferior aos estados, não é a região com maior número de candidatos.

São Paulo lidera o ranking nacional. Veja abaixo:

  1. São Paulo: 15,63%
  2. Rio de Janeiro: 12,22%
  3. Minas Gerais: 6,78%
  4. Distrito Federal: 7,92%
  5. Bahia: 5,89%
  6. Paraná: 5,06%
  7. Ceará: 4,73%
  8. Goiás: 4,64%
  9. Rio Grande do Sul: 4,37%
  10. Pernambuco: 4,20%

Concurseiros de mais idade

Os estudantes para concursos com mais de 35 anos representam 35,2% do total. Gabriel Granjero diz que a prevalência de jovens ocorre porque “o mercado de trabalho, de maneira geral, tem mais gente ativa na casa de 20 a 40 anos”.

Quanto mais idade, menor a proporção de candidatos às vagas públicas. Veja:

  • 18 a 24 anos: 27,82%
  • 25 a 34 anos: 36,93%
  • 35 a 44 anos: 15,73%
  • 45 a 54 anos: 9%
  • 55 a 64 anos: 6,22%
  • Mais de 65 anos: 4,31%

Apesar do cenário, ele afirma que a presença de pessoas mais velhas nos concursos é uma nova tendência. “Cada vez mais pessoas experientes têm buscado o serviço público, porque o serviço público oferece uma vida mais previsível”, diz ele.

“A estabilidade é importante para o exercício do cargo público, para que o servidor não se sinta pressionado politicamente para tomar decisões”, defende Gabriel Granjero.

VÍDEOS: Concursos e Emprego

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Fonte: Google News

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