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Multidão protesta em Beirute; premiê cogita antecipar eleições

Milhares de pessoas saíram às ruas de Beirute neste sábado (8) para protestar contra o governo e o sistema político vigente no Líbano, acusados de serem os responsáveis pela explosão que devastou a zona portuária da cidade e deixou pelo menos 154 mortos.

O epicentro da tragédia foi um galpão que armazenava 2.750 toneladas de nitrato de amônio, substância geralmente usada em fertilizantes e inseticidas, mas também em explosivos. A carga havia sido apreendida no fim de 2013, mas, apesar dos apelos das autoridades alfandegárias para removê-la do porto, permaneceu estocada sem respeitar padrões mínimos de segurança.

Após o surgimento das primeiras manifestações contra o sistema político em função da explosão, o presidente Michel Aoun disse que não descartava a hipótese de uma “ação externa” na origem da tragédia, talvez por meio de um “míssil ou uma bomba”.

Neste sábado, no entanto, milhares de libaneses mostraram que, independentemente das causas, a insatisfação contra um sistema político engessado só aumentou. Os manifestantes ocuparam a Praça dos Mártires e montaram cadafalsos para simbolizar a vontade popular de enforcar membros do governo e representantes das instituições.

Em um dos patíbulos, foi pendurado um boneco semelhante a Hassan Nasrallah, secretário do partido e milícia xiita Hezbollah, um dos principais grupos políticos e mais poderosa força armada do país. Seguidores do grupo também saíram às ruas para protestar contra os manifestantes, mas o Exército se interpôs entre os dois lados para evitar embates.

Ainda assim, o ato deste sábado teve confrontos entre manifestantes e forças de segurança, que protagonizaram cenas de guerrilha urbana no centro de Beirute. Pelo menos 109 pessoas ficaram feridas, de acordo com a imprensa local, que cita a Cruz Vermelha. Segundo a Al Jazeera, um policial morreu.

Além disso, manifestantes invadiram a sede do Ministério das Relações Exteriores e destruíram uma foto do presidente Aoun. Os mandatários da França, Emmanuel Macron, e do Conselho Europeu, Charles Michel, visitaram Beirute nesta semana e ofereceram ajuda, mas cobraram reformas “estruturais” na economia e o fortalecimento do combate à corrupção.

Durante sua visita, Macron chegou a ouvir pedidos para administrar ele mesmo o dinheiro das ajudas e não enviá-lo para as autoridades libanesas. Em discurso em rede nacional de rádio e TV, o primeiro-ministro Hassan Diab convidou os partidos políticos a resolverem a crise em dois meses. Do contrário, as eleições serão antecipadas.

“Agora é o momento da responsabilidade coletiva, queremos uma solução para os libaneses”, disse. País multicultural e multirreligioso, o Líbano possui um engessado sistema político para garantir a convivência entre todos os grupos. Por convenção, o primeiro-ministro deve ser um muçulmano sunita, o presidente é sempre um cristão maronita, e o mandatário do Parlamento, um muçulmano xiita.   


Veja também:

Explosão no Líbano: BBC visita epicentro do desastre no porto de Beirute

Ansa - Brasil
  

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Fonte: Terra

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