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na volta da Apple à feira após 28 anos, Facebook tenta roubar a cena

Depois de 28 anos sem aparecer formalmente na Consumer Eletronics Show (CES), maior feira de tecnologia dos Estados Unidos, a Apple participou de uma mesa de debate sobre privacidade nesta terça-feira, 7. Ao lado de representantes do Facebook, da P&G e Comissão Federal do Comércio dos EUA (FTC), a diretora global de privacidade da fabricante do iPhone, Jane Horvath, falou sobre os esforços da empresa para proteger os dados dos usuários.

“Acho que não devemos nunca falar que estamos fazendo o suficiente”, disse Jane durante a discussão, “sempre podemos fazer mais”. A executiva afirmou que o desenvolvimento de cada novo produto da marca tem a participação de engenheiros e advogados especialistas em privacidade. Jane também disse que a Apple trabalha para usar em seus serviços somente os dados que são necessários – ela explicou, por exemplo, que a assistente de voz Siri baseia-se na localização ampla da cidade, e não na localização exata do usuário, para informar o clima da região.

Além disso, a executiva reforçou a ideia de uma campanha de marketing da empresa, que diz que o que acontece no iPhone, fica no iPhone. “No uso de reconhecimento facial, por exemplo, os dados ficam no aparelho. Essas informações não estão armazenadas em servidores da Apple associadas à identificação do usuário”, afirmou.

Foi a primeira vez que a Apple esteve presente na CES desde 1992, quando a companhia de Steve Jobs utilizou a feira para apresentar o Newton, uma espécie de protótipo de smartphone a frente de seu tempo. Na ocasião, a empresa era comandada por John Sculley – Jobs, por sua vez, estava ocupado com os primeiros projetos da Pixar. Em 2019, a Apple já havia feito um aceno tímido à feira de Las Vegas – ou uma provocação: mandou colocar um outdoor, diante do Centro de Convenções de Las Vegas, onde se realiza o evento, um painel falando sobre privacidade. “O que acontece no iPhone fica no iPhone”, dizia o cartaz.

Holofotes

Durante um debate marcado por falas bastante idealizadas e românticas, que se referiram à privacidade como um direito fundamental das pessoas, quem tentou roubar a cena foi o Facebook. Após receber no ano passado uma multa de US$ 5 bilhões da Comissão Federal do Comércio dos EUA por violação de privacidade, Erin Egan, diretora de privacidade da rede social, disse, categoricamente que “no Facebook hoje a privacidade das pessoas é protegida”.

Praticamente a cada resposta de Jane, da Apple, falando sobre as iniciativas da empresa em relação à privacidade, Erin, do Facebook aproveitava o gancho para mostrar o quanto o Facebook também está comprometido com a proteção de dados de usuários. “Diferentemente da Apple (que lucra com vendas de iPhone), nosso modelo de negócio é baseado em anúncios. Mas é possível ter um modelo com anúncios e privacidade ao mesmo tempo”, disse Erin. A reação da plateia, porém, foi mista: por vezes, as frases de Erin eram acompanhadas de risadas irônicas do público.

Mas se frustrou quem esperava que o debate tivesse uma reedição das faíscas trocadas entre Tim Cook e Mark Zuckerberg, líderes de Apple e Facebook, respectivamente, nos últimos anos. Ao ser questionada sobre as práticas de privacidade de seus rivais, Horvath disse que falaria apenas sobre a Apple.

Comissária da FTC, órgão que já impôs multas ao Facebook por problemas de privacidade e hoje investiga as gigantes americanas, Rebecca Slaughter ponderou o debate. “A privacidade não está propriamente protegida”, disse. “Olhem a quantidade de dados coletados sobre qualquer pessoa nesta sala: acho que ninguém seria capaz de responder quais desses dados são usados e como eles são usados”.

Proteção

O debate de privacidade no mundo da tecnologia ganhou força em 2018, após o escândalo da Cambridge Analytica, consultoria política que utilizou, sem consentimento, informações de 87 milhões de usuários da rede social. A empresa de Mark Zuckerberg também se envolveu em outros episódios de violação de privacidade ao longo dos últimos dois anos.

A Apple também esteve envolvida em situações de violação de privacidade. Em julho do ano passado, o jornal The Guardian publicou uma reportagem dizendo que a Apple permitia que funcionários da empresa tivessem acesso aos áudios de usuários da assistente digital Siri – terceirizados da companhia tiveram acesso inclusive a informações como históricos médicos, negociações para compras de drogas ilícitas e atos sexuais. Questionada sobre o tema durante o debate, Horvath reforçou que a empresa reviu seus métodos após a notícia e está sempre buscando melhorar.

*A jornalista viajou a Las Vegas (EUA) a convite da Intel


Estadão

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Fonte: PORTAL TERRA – TECNOLOGIA

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