No primeiro áudio da Vaza Jato, Dallagnol comemora proibição de entrevista de Lula em 2018

(José Cruz/Agência Brasil)

SÃO PAULO – Um mês após o início da divulgação de diálogos mantidos entre o ex-juiz Sérgio Moro (atual ministro da Justiça e da Segurança Pública) e o procurador Deltan Dallagnol, o site The Intercept Brasil publicou, nesta terça-feira (9), o primeiro áudio atribuído ao coordenador da força-tarefa da Operação Lava-Jato.

Desta vez, o veículo mostra as reações de procuradores, em grupo privado de um aplicativo de mensagens, à possibilidade de o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva conceder entrevista ao jornal Folha de S.Paulo durante a campanha eleitoral de 2018. Segundo a reportagem, procuradores se movimentaram e discutiram estratégias para evitar que o líder petista pudesse conceder entrevista, o que poderia influenciar no processo eleitoral.

O incômodo dos procuradores se dá a partir de uma decisão do ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal, tomada em 28 de setembro daquele ano. A decisão foi suspensa, horas depois, por decisão liminar de autoria do ministro Luiz Fux. Havia quase seis meses que Lula estava preso, em função da condenação, em primeira e segunda instâncias, pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, no caso envolvendo um tríplex no Guarujá (SP).

No grupo de Telegram, a decisão de Lewandowski provocou indignação. A reportagem atribui à procuradora Laura Tessler uma fala que diz que o direito a entrevista do ex-presidente era uma “piada” e “revoltante”, o que ela classificou nos chats como “um verdadeiro circo”. Uma outra procuradora, Isabel Groba, respondeu: “Mafiosos!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!”

Ao final do dia, porém, um áudio atribuído a Dallagnol dá a notícia ao grupo de que a decisão que autorizava a entrevista havia sido suspendida: “Caros, o Fux deu uma liminar suspendendo a decisão do Lewandowski que autorizava a entrevista, dizendo que vai ter que esperar a decisão do plenário. Agora, não vamos alardear isso aí, não vamos falar para ninguém. Vamos manter, ficar quieto, para evitar a divulgação o quanto for possível, porque o quanto antes divulgar isso, antes vai ter recurso do outro lado, antes isso aí vai para o plenário.”.

“Então, o pessoal pediu para a gente não comentar publicamente e deixar que a notícia surja por outros canais para evitar precipitar recurso de quem tem uma posição contrária à nossa. Mas a notícia é boa, para terminar bem a semana, depois de tantas coisas ruins. Abraços!”, disse o procurador no áudio revelado pela reportagem. Assim como nos demais casos, o material foi obtido por um hacker, que compartilhou com os editores do site The Intercept Brasil. A identidade da(s) fonte(s) é mantida em sigilo pela publicação.

Os envolvidos no material vazado voltaram a criticar, em nota divulgada pela reportagem, a ausência de direito de resposta e afirmar que “que têm circulado como se fossem de integrantes da força-tarefa são oriundas de crime cibernético e não puderam ter seu contexto e veracidade verificados”. Membros da força-tarefa dizem que “diversas dessas supostas mensagens têm sido usadas, de modo fraudado ou descontextualizado, para embasar falsas acusações que contrastam com a realidade dos fatos”.

Fonte: INFOMONEY

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