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Nos Estados Unidos, operação policial mira comercialização de vaporizadores ilícitos

BRISTOL, Wisconsin – Uma captura de droga ilegal quebrou o silêncio da manhã em uma subdivisão do Estado a sudeste de Wisconsin. A polícia entrou num apartamento em um condomínio pintado de branco e tirou os moradores da cama com pancadas fortes na porta. O que foi encontrado dentro do apartamento não era metanfetamina cristalizada ou cocaína, mas cartuchos de cigarros eletrônicos com sabores como morango e pêssego e creme. Outros 98.000 estavam vazios. Cinquenta e sete jarras Mason continham uma substância semelhante a mel escuro: era o líquido com THC usado para fumar, prática que hoje está no centro de um grande temor no campo da saúde pública em todo o país.

Os cigarros eletrônicos, que se tornaram muito populares como maneira de consumir nicotina, e o ingrediente psicoativo THC da maconha foram ligados a quase 400 casos de doenças e seis mortes, nos últimos meses. Investigadores da área da saúde, estaduais e federais, ainda não determinaram a causa, mas as autoridades querem saber se essas sustâncias químicas nocivas estão entrando nos cigarros vindos talvez de um mercado negro que vem florescendo em todo o país insuflado pelas vendas online e uma legislação permissiva.

A batida realizada em Wisconsin, onde o THC é ilegal, dá uma ideia dessas operações clandestinas que vêm atendendo um grande número de adolescentes e adultos em todo o país que estão usando produtos encontrados no mercado negro, às vezes sem saber, uma vez que é difícil separar estes produtos falsos dos legítimos.

No centro da operação em Bristol, disseram as autoridades, estão dois irmãos com cerca de 20 anos de idade, Jacob e Tyler Huffines, que vivem numa pequena cidade vizinha. Ambos estão sob custódia agora na prisão do condado de Kenosha. Mais prisões e acusações no caso devem surgir, de acordo com a polícia. Tyler, 20 anos, é acusado da manufatura, distribuição e entrega de maconha. Jacob, 23, é acusado de posse de cocaína e posse de arma de fogo. E está sendo investigado pelo seu envolvimento na operação com a droga.

Em todo o país, as autoridades de saúde pública vêm despertando para um enorme mercado clandestino de vaporizadores ilícitos com nicotina e cocaína. Os produtos são vendidos online e nas ruas, em lojas pop-up (que abrem e fecham instantaneamente) e no caso de transações individuas às vezes combinadas por meio de mídias sociais. “Encontro as pessoas no Starbucks, na frente de um apartamento, onde elas disserem para você”, disse um jovem de 17 anos que foi um dos hospitalizados por causa de uma doença pulmonar ligada ao uso de cigarro eletrônico, no Estado de Nova York.

Os investigadores ainda não conseguiram determinar se existe uma conexão entre a operação de Wisconsin e alguns dos casos de enfermidades graves do pulmão. Mas autoridades da saúde pública no país, incluindo Mitch Zeller, diretor do Center for Tobacco Products da FDA (agência federal fiscalizadora de medicamentos e alimentos) disseram que os produtos comprados na rua devem ser evitados pelos consumidores e são o maior risco.

O cigarro eletrônico funciona com a queima de líquido que é transformado em vapor para ser inalado. O objetivo original era dar aos fumantes uma maneira de satisfazer sua necessidade de nicotina sem inalar os carcinógenos que vêm com a queima do tabaco. Mas os aparelhos para fumar e os cartuchos podem ser usados para queima de muitas substâncias, incluindo óleos de maconha, e alguns solventes usados para dissolvê-los também causam problemas à saúde.

Na quarta-feira, 11, o governo anunciou que pretende proibir muitos cigarros eletrônicos com sabor e cápsulas de nicotina – incluindo os de sabor de menta e mentolados – para reduzir sua atração junto aos adolescentes. Mas a medida pode aumentar a demanda clandestina, e não acabar com esse robusto comércio ilícito de produtos para fumar maconha.

“A operação de Wisconsin deixou muito clara a existência de um mercado muito avançado e maduro ilícito de cartuchos para cigarro eletrônico com THC'”, disse David Downs, da Leafy, website que fornece informação e exames de produtos de maconha. “Essas operações são inerentes à distribuição de cartuchos de THC contaminados nos Estados Unidos Unidos”, afirmou.

Elas são conhecidas como “pen factories” e têm um papel intermediário crucial: compram cartuchos vazios e pirateados de fábricas chinesas e os enchem com líquido THC comprados no mercado americano. Cartuchos vazios em embalagens são vendidos também em sites como eBay, Alibaba e outros.

Segundo os oficiais de saúde pública alguns agentes seriam a causa das doenças pulmonares abrigada em um deles em particular, o acetato de Vitamina E, que provoca problemas de respiração e inflamação do pulmão se não for aquecido totalmente durante o processo de transformação do líquido em vapor.

O THC grau médio custa US$ 4.000 o quilo e o THC em grau mais alto vale o dobro, mas os aditivos custam centavos de dólar, segundo a empresa Chip Paul de Ohio, que liderou o movimento para legalizar a maconha para fins medicinais no Estado. “É o que estão fazendo, reduzindo o óleo à metade, achando que vão dobrar seu lucro. É assim que pensam.”

Os produtos do mercado negro são embalados de modo igual aos produtos para fumar que são legais. Às vezes as embalagens são pirateadas de marcas que estão no mercado e vendidos na Califórnia ou Colorado, onde o THC é legalizado. “Uma pessoa não reconhece que não é um produto legítimo”, disse Howard Zucker, comissário do Departamento de Saúde do Estado de Nova York, acrescentando que é um tremendo risco. “O pacote pirateado que você compra na esquina não vai matá-lo, mas o aparelho pirateado tem essa possibilidade”, disse ele.

A polícia de Wisconsin ficou impressionada com o escopo e ambição da operação dos irmãos Hufthines e só começou a entender a que ponto ela teria chegado. As ações de um adolescente da vizinha Wakesha acabaram levando a polícia à operação em curso em Bristol, que fica a poucos quilômetros da fronteira com Illinois. Os pais do jovem descobriram ele estava fumando cigarros eletrônicos e o levaram à delegacia de polícia, onde ele informou onde se abastecia. A polícia seguiu os vendedores do produto passo a passo e chegou aos irmãos Huffhines. / Tradução de Terezinha Martino

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Fonte: PORTAL TERRA – VIDA E ESTILO

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