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‘O Filho de Mil Homens’, de Valter Hugo Mãe, é a nossa dica literária – Notas – Glamurama

‘O Filho de Mil Homens’, Valter Hugo Mãe / Crédito: Instagram

Valter Hugo Mãe lançou o seu primeiro livro em 2004, mas já era um grande poeta e escritor desde 1996. Hoje aos 49 anos, ele carrega no CV grandes obras, todas aclamadas pela crítica, e a nossa indicação do autor é ‘O Filho de Mil Homens’, lançado em 2011, que fala sobre relações humanas, preconceitos e dilemas sociais.

Tudo começa com a história de Crisóstomo, um pescador de 40 anos que tem o sonho de ser pai. À procura de um filho, ele encontra e adota Camilo, um rapaz de 14 anos, filho de uma anã que se relacionou com 15 homens. Após se tornar pai, ele sente vontade de conhecer outro sentimento: o amor. Paralelamente, conhecemos também a história de Isaura, Antonio, conhecido na vila em que mora como “homem maricas”, e Matilde.

Em cada capítulo, descobrimos separadamente um pouco mais da vida e das questões de cada um deles. Antonio e sua mãe, Matilde, enfrentam preconceitos por ele ser homossexual. Enquanto isso, Isaura, uma mulher que cedeu aos prazeres muito nova, tem que lidar com problemas familiares e um casamento de fachada.

Aos poucos, a vida dos personagens começa a se entrelaçar e todos se unem por sentimentos em comum, como frustração e incompletude. Apesar disso, eles não perdem o desejo de ter uma trajetória mais satisfatória, e nem a capacidade de julgamento, presente em todo o livro de maneira gritante.

Não existem pontos negativos em ‘O Filho de Mil Homens’. A história prende do começo ao fim, tanto pela trama cheia de surpresas e reviravoltas, como pela forma poética e leve com que é escrita. É um livro simples, mas cheio de passagens fortes e emocionantes, que nos fazem refletir sobre nossa própria vida e escolhas. Em diversos trechos, Valter Hugo Mãe fala sobre sentimentos com que lidamos no dia a dia, amor, solidão e aceitação, como neste: “Ser o que se pode é a felicidade, pensou nisto a Isaura. Não adianta sonhar com o que é feito apenas de fantasia e querer aspirar ao impossível. A felicidade é a aceitação do que se é e se pode”.

Para entrar na história de vez, é necessário sensibilidade e ter a mente aberta para entender de verdade cada personagem. ‘O Filho de Mil Homens’ tem 224 páginas e é editado pela Biblioteca Azul. Do mesmo Valter Hugo Mãe, vale a pena ler também ‘O Paraíso são os Outros’, ‘A Máquina de Fazer Espanhóis’ e “As Mais Belas Coisas do Mundo”.


Fonte: Glamurama

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