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O Keith Richards da Fórmula 1

Arturo Merzario: original, solidário, rebelde e irreverente (foto: reprodução/Wikipedia)

Muita gente nunca entendeu o que Arturo Merzario andou fazendo na Fórmula 1. Verdade, as habilidades técnicas do piloto italiano nunca provaram ser geniais. Bem, as de Keith Richards também não – mas o líder dos Rolling Stones é um dos mais famosos guitarristas da história. A associação entre os dois no título deste post, porém, não trata de genialidades, mas de estilo. E nesse quesito o italiano Arturo Merzario deixou sua marca no pedaço. Aliás, com algumas das mesmas virtudes que fizeram de Richards um cara respeitado. Ambos se enfiaram até o último fio de cabelo desgrenhado em profissões arriscadas (especialmente nos anos 70, quando o rock vivia um excesso de drogas e o automobilismo, de mortes). No meio da pauleira, dos altos e baixos da carreira, ambos tiveram tenacidade, espírito de camaradagem e, digamos, um apreço por figurinos extravagantes.

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Merzario teve menos sorte que Keith, hoje um senhor milionário, sócio da “maior banda de rock” da história. Entre 1972 e 1979, o piloto italiano participou de 85 grandes prêmios, largou em 57, e marcou apenas 11 pontos. E olha que até de Ferrari ele andou (1973) – tudo bem, o carro era um desastre. Para muitos brasileiros, a mais famosa aparição de Merzario foi no GP de Monza de 1975, na Itália natal: correu de Copersucar, substituindo o dono da equipe, Wilson Fittipaldi, que havia se machucado na corrida anterior. Era o ano de estreia da epopeia brasileira. O italiano não fez feio – chegou em 11º.

Merzario no Copersucar, na vez que substituiu Wilsinho Fittipaldi em Monza, no ano de estreia da Copersucar (Foto: reprodução)

Arturo Merzario tinha certo reconhecimento em corridas de carros esporte protótipo. Mas ficou famoso mesmo pelo fato de ter ajudado a salvar Niki Lauda das chamas da Ferrari, em Nurburgring em 1976. Preso nas ferragens depois de bater na proteção e de ser abalroado por outros pilotos, Lauda ia morrer carbonizado. Merzario não pestanejou: saiu a mil do seu carro, se enfiou no fogaréu em que Lauda estava metido no meio da pista, buscou o cinto do austríaco (que estava consciente) e arrancou o rival do incêndio. Todo queimado mas vivo. Consta que só há uma filmagem do acidente, feita em super-8 por um cinegrafista amador. E a cena foi muito cortada até chegar ao YouTube.

 

Mas Lauda confirma a bravura. Como agradecimento, deu a Merzario um Rolex de ouro. O agradecimento mesmo, no entanto, só veio numa declaração de 2006, que fez do relógio um mero recuerdo: “Eu não teria sobrevivido se Arturo Merzario não tivesse me tirado de lá. Não estaria aqui. Ele foi o único que entrou no meio do fogo, abriu o cinto de segurança e me puxou. Ele, só ele, não os outros. Um cara apenas”. A bem da verdade, outros três pilotos ajudaram a manter Lauda vivo, ajudando na remoção: Guy Edwarts, Brett Lunger e Harald Ertl. Merzario e Lauda foram amigos até a morte do austríaco, em maio de 2019.

O famoso relógio com que Lauda agradeceu a “atenção” do rival (Foto: reprodução Instagram/Arturo Merzario)

Esse espírito de camaradagem de Merzario já foi relatado por outros pilotos, protagonistas ou não de seus rompantes salvadores. O acidente de Lauda foi só o mais famoso.

Keith Richards também costuma segurar a barra dos colegas. Já organizou concerto-tributo para Chuck Berry, mesmo se desentendendo com o mestre durante o projeto. Já botou nos eixos o colega de banda Ronnie Wood, quando tinha um pé no poço do crack. A mais célebre ação “benemerente” de Keith, porém, foi quando quase acertou uma guitarrada no pescoço de um fã que subiu ao palco, durante a execução de “(I Can’t Get no) Satisfaction”. O show foi em 1981. John Lennon havia sido assassinado no ano anterior. Keith achava que o cara queria matar Mick Jagger. Como mostra o vídeo, Keith – da mesma forma que Merzario – não estava para brincadeiras.

O que talvez faça valer mais a alcunha de “O Keith Richards da Fórmula 1” é que Merzario parece ter as mesmas matrizes atitudinal e estética do roqueiro. Pra começar os dois adoram um look, digamos, extravagante. Merzario tem uma marca registrada: um chapéu de cowboy que nunca deixou de usar desde que apareceu com ele no ano de estreia na F1, em 1972. Era parte de um patrocínio da Marlboro e ficou. Um efeito bizarro, mais acentuado quando usa camisas xadrez (quase sempre). Fica meio western spaghetti: um piloto italiano, baixinho, com cara amassada, de cabelos longos (longe do estereótipo do “homem de Marlboro”), posando de rancheiro do Texas.

O italiano nos anos 70: a “rebeldia” da época turbinada pela grana do patrocínio (Foto: reprodução)

Hoje é um chiste, uma jogada, uma bossa (de gosto duvidoso, é verdade). Ainda mais quando o look é adornado por pulseiras de metal. Sem contar às vezes que usa um tênis de uma cor e outro de outra. Keith já foi mais sem noção. Hoje seu visual está mais pro cool do que pro excêntrico. Merzario enfia os dois pés na jaca estética. A galeria está para provar.

A unir os dois, também, os rostos: o de Merzario, emoldurado pela cabeleira tingida de loira que mais parece uma vassoura, e o de Keith Richards mostram os sinais da longa travessia nas águas, alcoóis e gasolinas turbulentas de uma carreira longeva. O chapéu de vaqueiro do cowboy de asfalto italiano continua lá, da mesma forma que a bandana de pirata de Richards. Assim como o Rolling Stone, ele não está nem aí.

Essa parece ser a mais sutil semelhança entre Merzario, 77 anos, e Keith Richards, 76 anos: viver a vida na plenitude, no gozo, no bom humor. Não estar nem aí (com a devida licença poética) é ter um pé fora do mainstream. Pode-se dizer que tudo isso – a rebeldia, a falta de compromisso, a leveza – hoje virou paródia do passado setentista. Para Richards, mais exposto, parece ser uma sequência natural da trajetória roqueira. Para Merzario, seja o que for, parece ser uma grande diversão. Esse seu jeito bufão, dá pra imaginar, deve ser mezzo natural mezzo comercial.

Do contrário, não estaria tão à vontade neste comercial que fez para um colecionador de carros no ano passado. A coisa já começa pela trilha sonora ‘bad boy’ (Serge Gainsbourg + a trilha de Ennio Morricone para Feios, Sujos e Malvados + Wild Thing, na versão original do The Troggs). Tudo remonta a uma grande brincadeira de rivalidade, ingenuidade, sensualidade e dois carros infernais: a Ferrari Daytona de Merzario e o Lamborghini Miura de Valentino Balboni, histórico piloto de testes da decana rival do cavalinho rampante (hoje no mesmo guarda chuva). Quem achar que esse filminho pra lá de simpático não é uma boa expressão de como levar a vida na boa, que conte outra.

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Fonte: Motorshow

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