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O mapa da mortalidade na Itália após um ano de Covid

Há exato um ano, uma série de casos descobertos em pequenas cidades do norte da Itália jogava o “Belpaese” na linha de frente da luta contra o novo coronavírus, dando início a uma saga de dor e isolamento ainda sem data para acabar.

Bandeira italiana em prédio em Roma, capital do país

Foto: ANSA / Ansa – Brasil

Quando entrou naquele 21 de fevereiro de 2020, a Itália ainda não tinha nenhum registro confirmado de transmissão interna do Sars-CoV-2, enquanto o mundo contabilizava apenas 76.841 casos e 2.252 óbitos, quase 100% deles na China, o “marco zero” daquela que se tornaria a pior pandemia em um século.

Até então, a Itália havia registrado apenas três infectados: um casal de turistas chineses e um italiano repatriado de Wuhan. No entanto, ao longo daquele fatídico 21 de fevereiro, as autoridades sanitárias confirmariam algo que já estava à espreita: o novo coronavírus, causador da Covid-19, estava sendo transmitido de forma comunitária dentro das fronteiras do país.

Em somente 24 horas, foram detectados cerca de 20 casos do Sars-CoV-2 (nenhum deles com passagem pela China) e, já à noite, em entrevista à ANSA, o governador do Vêneto, Luca Zaia, confirmou a primeira vítima em decorrência da Covid-19 no país: o pedreiro aposentado Adriano Trevisan, de 78 anos, morador de Vo’, vilarejo com apenas 3,3 mil habitantes.

Passado um ano, a Itália, um dos principais palcos da pandemia em todo o mundo, contabiliza quase 2,8 milhões de casos e cerca de 95,2 mil mortes, enquanto tenta acelerar a campanha de vacinação para colocar o vírus sob controle.

Em cifras absolutas, o país é o oitavo em número de contágios e o sexto em óbitos, de acordo com a Universidade Johns Hopkins, dos EUA. Segundo a mesma instituição, a Itália registra ainda a sexta maior taxa de mortalidade por Covid-19, atrás somente de San Marino (enclave situado na Península Itálica), Bélgica, Eslovênia, Reino Unido e República Tcheca.

Mapa da mortalidade

Apesar de números já vultosos, uma análise dos óbitos registrados ao longo de 2020 indica que é preciso esperar mais um pouco para se ter uma ideia exata do custo em vidas da pandemia na Itália.

Desde o fim de fevereiro, entre 17h e 18h, o governo italiano divulga religiosamente as estatísticas diárias da crise sanitária, mas, assim como em outros países, esses dados são acompanhados pela sombra da subnotificação.

Esse fenômeno foi mais comum nos primeiros meses da pandemia, quando muitos idosos morreram em casa, asilos ou clínicas privadas antes mesmo de um diagnóstico, produzindo uma série de óbitos que não entraram nas planilhas da Covid-19.

De acordo com o Instituto Nacional de Estatística (Istat), equivalente ao IBGE na Itália, o país teve uma média de 587.487 mortes por ano entre 2015 e 2019, considerando o período de 1º de janeiro a 30 de novembro.

No entanto, em 2020 foram registrados 668.453 óbitos nos primeiros 11 meses do ano, o que significa um “excedente” de 80.966 em relação à média do quinquênio anterior. Oficialmente, a Itália contabilizou 55.576 mortes por Covid-19 até 30 de novembro, 25.390 a menos que o “excedente” de óbitos no país.

Considerando o período entre março e maio, primeiro pico da pandemia, a média foi de 160.793 óbitos entre 2015 e 2019, contra 211.393 em 2020, um “excedente” de 50.600 mortes – em 31 de maio, a Itália somava 33.415 falecimentos atribuídos ao novo coronavírus.

“Desde o fim de fevereiro [de 2020], observou-se uma clara inversão de tendência em relação à evolução favorável da mortalidade que havia caracterizado a temporada invernal de 2019-2020”, diz um relatório publicado pelo Istat no último dia 3.

De acordo com o instituto, no período entre junho e setembro, quando a Itália deu sinais de que havia controlado a pandemia, o número de mortes voltou ao patamar esperado na comparação com a média de 2015 a 2019, porém logo viria um novo repique.

Em outubro e novembro, quando começou a chamada “segunda onda”, o país contabilizou 136.844 óbitos, contra 103.052 na média dos cinco anos anteriores, uma diferença de 33.792. Naquele mesmo período, no entanto, a Itália registrou 19.699 mortes confirmadas por Covid-19.

Lombardia

Epicentro da pandemia na Itália, a Lombardia concentra 45 dos 100 municípios com maior “excedente” de mortes em 2020.

Em seguida aparecem Piemonte (25), Trentino-Alto Ádige (oito) e Vale de Aosta (oito). As quatro regiões ficam no norte do país, e esses dados levam em conta até 30 de novembro.

Considerando apenas março a maio, a predominância da Lombardia é ainda maior (61 municípios entre os 100 com maior excedente), mas o Piemonte (30) aparece em primeiro lugar quando se leva em conta o período entre outubro e novembro.

A “segunda onda” também marcou uma distribuição maior da pandemia pelo território italiano. 13 das 20 regiões da Itália estão representadas na lista de 100 cidades com maior excedente de mortes entre março e maio (sendo que Lombardia e Piemonte concentram 78% desses municípios), mas esse número subiu para 16 entre outubro e novembro (59% na Lombardia e no Piemonte).  

Veja também:

Japão inicia vacinação a cinco meses dos Jogos Olímpicos

Ansa - Brasil
  

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Fonte: Terra

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