O montanhismo e os pensamentos de Joseph Goebbels que atrasam a prática dos esportes de montanha

Muito se fala sobre como o montanhismo, em suas diversas práticas, acabam mudando a percepção que as pessoas possuem da vida. Colocando cada um dos praticantes sob um mesmo nível de pequenez, realizar um trekking ou mesmo praticar escalada, ao menos em teoria, provoca um tipo de epifania em seus praticantes. O deslumbramento com este novo mundo descoberto, pode ser percebido pela frase clichê de “não é um esporte é um estilo de vida”. Frase esta que, de tanto ser repetida, acabou tornando-se uma espécie de mantra e, infelizmente, perdeu o real sentido com o tempo e o número de repetições vazias.

Não somente esta frase, mas também a repetição de pequenas mentiras, meias verdades, sofismas, boatos e lendas urbanas, sempre à exaustão, faz com que o conhecimento coletivo a respeito de um assunto se perca em relevância e em difusão. Esta disseminação de conceitos e ideias erradas acabam, infelizmente, atrasando a evolução e crescimento do esporte e, consequentemente, criando um círculo vicioso que acaba perpetuando as mesmas figuras de sempre. Esta perpetuação passa a afugentar quem tem uma visão do mundo mais expansiva e abanando a prática. Este abandono condena o esporte à estagnação e as pessoas que o praticam à ignorância perpétua.

Muito teórico a explicação? Pode até ser, mas este tipo de perpetuação de pessoas e de conceitos deturpados, além da glamorização de comportamentos inadequados, é concretizado naqueles praticantes de esportes outdoor que invadem propriedades privadas, desrespeitam normas (e até mesmo os próprios praticantes) chegando a encerrar o acesso a uma área. Mentiras que prejudicam tudo e a todos, mas ainda assim seguem sendo repetidas.

São estas mesmas pessoas que acabam espalhando ideias equivocadas, atrapalhando o esporte e a comunidade local, por ignorar a diferença entre direitos, deveres, obrigações e, principalmente, empatia e desconhecimento de algo. Mesmo sem querer, acabam perpetuando práticas nazistas e prejudicando, além dela mesma, o esporte que diz ser apaixonada.

Manual Joseph Goebbels em mídias digitais

Estas pessoas, embora não saibam, são seguidoras de Joseph Goebbels, um político alemão e Ministro da Propaganda Nazista Alemã. Não que elas sejam efetivamente nazistas, mas acabam por perpetuar uma das formas mais eficientes de controle mental e disseminação de mentiras e falsas ideias. Joseph Goebbels ficou conhecido pelas suas capacidades oratórias e, para espanto de muitos que desconhecem sua biografia, era também Doutor em Filosofia.

Como ministro da propaganda desenvolveu algo que escaladores e montanhistas adoram implementar no seu dia a dia em redes sociais:

  • Princípio da simplificação e do inimigo únicoSimplifique tudo, mas não diversifique a informação. Se alguém não gosta de X, é porque odeia Y.
  • Princípio da Exageração e desfiguraçãoExagerar más notícias até as desfigurar, transformando uma conquista em mil mil conquistas.
  • Princípio da VulgarizaçãoTransforma tudo o que convidar à reflexão, em uma coisa torpe e de má índole. Tudo é considerado um “desserviço” se não agrada.
  • Princípio do SilêncioOcultar toda a informação que não seja conveniente

Parece muito abstrato? Pode até ser, mas compare os linchamentos digitais, orquestrados vias redes sociais, não parecem seguir a cartilha dos princípios acima? Sim, todos estes “donos das verdades”, que eventualmente são desmascarados por insistir em perpetuar sua idolatria (mesmo que seja na comunidade local), apelam para os “parças” para “eliminar o inimigo”. O motivo deste comportamento é até entendível, afinal assim como Goebbels, os linchadores de notícias, pessoas e ideias procuram constante busca de reconhecimento.

Isso porque, o Ministro da Propaganda de Hitler sabia como mobilizar as massas, inflamá-las e manipulá-las a serviço da ideologia. Da mesma maneira que os patrulheiros de redes sociais.

A frase de Goebbels e porque os montanhistas e escaladores repetem

Todos que procuram estudar um pouco sobre a sociedade, e o comportamento social dos indivíduos, já deve ter se deparado com a frase “uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade”. Pois essa frase é de Joseph Goebbels. É uma frase que se apoia no raciocínio de que como todos são sempre desinformados, no momento que for oportuno repete a frase para não parecer ignorante perante aos demais.

A partir desta repetição insistentemente, aquilo que não é efetivamente verdade, infelizmente, é repetida por pessoas sem conhecimento aprofundado, ou mesmo reflexão, a respeito de algo. Mas como isso existe no montanhismo ou na escalada? Infelizmente acontece e maneira cotidiana, com pessoas repetindo, sem sequer realizar uma pesquisa, que um lugar de escalada possui um volume de vias que não corresponde com a realidade (somente para as pessoas irem visitar), que um local de trekking é o mais difícil, clássico ou magnífico. Exemplos não faltam deste tipo de repetição em forma de mantra.

Qual a melhor forma de não fazer parte desde círculo? Simples, à medida que alguém alardear estas “meias-verdades”, para promover lugares ou quem quer que seja, procurar se informar da veracidade da informação antes de também divulga-la. Não é exagero: ao espalhar um fato que sequer é verdade, apenas perpetua uma prática nazista. Obviamente não faz de você um nazista, mas apenas mostra que está se comportando como uma pessoa desinformada, como aconteceu na Alemanha nos anos 1930.

Combatendo na Goebbels e montanhismo

Felizmente, a consequência desta “repetição de mil vezes uma mentira”, não faz com que aconteça uma regra no montanhismo. Mas traz consequências para os lugares, os praticantes e até mesmo para quem explora o mercado outdoor no Brasil e no mundo. O que se vê é que estão sempre os mesmos lugares cheios, os mesmos tipos de lixo sendo despejados nos lugares e, para infelicidade do esporte, as mesmas pessoas sendo admiradas por algo que não são ou sequer possuem o mérito de conquistar.

Portanto, para evitar que mentiras espalhem a melhor maneira é combater o desconhecimento e aprofundar o domínio de informações que adquire. No momento que aparecer uma informação cheia de adjetivos e que parecer muito boa, ou muito ruim, para ser verdade, procure conhecer mais sobre o assunto.

Contra mentiras, assim como os mentirosos que as espalham, o melhor remédio para combater a estagnação do esporte de montanha, seja qualquer que seja a modalidade, é o conhecimento e a rápida reflexão antes de acreditar em uma informação, sobretudo se ela for do modelo “boca a boca”.

Pois, assim como “uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade”, quem a propaga aproveita para “quem conta um conto aumenta um ponto”.

Já pensou o que poderia virar o montanhismo e a escalada com este vício de espalhar mentiras e ainda por cima aumentar?

Formado em Engenharia Civil e Ciências da Computação, começou a escalar em 2001 e escalou no Brasil, Áustria, EUA, Espanha, Argentina e Chile. Já viajou de mochilão pelo Brasil, EUA, Áustria, República Tcheca, República Eslovaca, Hungria, Eslovênia, Itália, Argentina, Chile, Espanha, Uruguai, Paraguai, Holanda, Alemanha e Canadá. Realizou o Caminho de Santiago, percorrendo seus 777 km em 28 dias.

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Fonte: R7

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