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o que a varejista ganha com a compra de Imaginarium e Puket

São Paulo – Produtos autorais, tíquete médio relevante, ausência de concorrência direta e potencial de crescimento. Foram essas características destacadas por consultores ouvidos pelo Infomoney que fazem do Grupo Uni.co, dona das marcas Imaginarium e Puket, relevante a ponto de ter virado alvo das Lojas Americanas.

O negócio foi anunciado na noite de terça-feira. A Lojas Americanas (LAME4) comprou 70% da empresa, que tem uma rede de 445 franquias, sendo que a participação pode chegar a 100% em até três anos. O valor da aquisição não foi revelado, mas a XP Investimentos calcula que a transação ficou em torno de R$ 250 milhões.

A busca por um sócio não surgiu de uma hora para outra dentro do Grupo Uni.co, que ainda tem as marcas MindD e LoveBrands. No final de 2020, a empresa deu início a um processo de abertura de capital (IPO, na sigla em inglês), mas a operação foi suspensa e foi então que a empresa começou a estudar outras alternativas.

Em entrevista concedida ao InfoMoney antes do anúncio das Lojas Americanas, Wellington Santos, presidente da Uni.co, afirmou que um parceiro estratégico estava nos planos de crescimento não orgânico da rede de franquias. Até então, o plano da rede era abrir 40 novas lojas em 2021, principalmente no segundo semestre, e anunciar a criação de uma nova marca em uma parceria, que seria anunciada ainda nesse semestre.

“A gente vê muita oportunidade para acelerar o nosso crescimento com a aceleração digital e algum M&A”, disse, em entrevista concedida antes do anúncio. Na época, Santos afirmou que a expansão do número de lojas ocorreria independente do caminho que eles tomassem, com parceiro estratégico ou IPO. Segundo relatório da XP, o executivo deve permanecer como CEO.

A Uni.co e a Squadra viram na transação com a Lojas Americanas a chance de acelerar o crescimento das marcas atuais e também de adquirir novas franquias de varejo especializado, segundo o comunicado enviado ao mercado.

A Imaginarium, fundada em 1991, era 100% controlada pela Squadra Investimentos desde 2015. Em 2017, ocorreu a compra da Puket. As duas marcas são o carro chefe do Grupo Uni.co.

Atualmente, a Uni.co tem 172 lojas da marca Puket, que atua no segmento de moda infantil e adulto, e outras 219 da Imaginarium, especializada em itens presenteáveis com apelo criativo, o chamado “fun design”. Outras 39 lojas são da LoveBrands, que reúne diferentes marcas e está presente em cidades menores. Já a MinD opera apenas no comércio eletrônico.

O tíquete médio do grupo Uni.co varia de acordo com a marca. Na MinD é de R$ 230, superior aos R$ 145 e R$ 179 da Imaginarium e Puket, respectivamente.

“Nosso plano para 2021 prevê a expansão da rede no segundo semestre, com a entrada em novas praças e crescimento da operação digital”, afirmou.

A transformação da Uni.co

Por se tratar de um segmento não essencial, as marcas da Uni.co sofreram em 2020 – e 2021 também começou com o recrudescimento da pandemia e novas restrições para os estabelecimentos comerciais.

No acumulado de 2021 até fevereiro, o varejo registra recuo de 2,1%, segundo dados do IBGE. No acumulado de 12 meses, há uma alta de 0,4%. No entanto, segmentos como o de vestuário, são muito mais afetados.

Para driblar esse cenário negativo, a Uni.co acelerou a integração entre os canais digitais e físico. Com isso, 30% das vendas originadas nas plataformas digitais foram entregues pela rede de franquias.

Segundo Santos, a Puket tem um apelo maior ao público em um cenário de distanciamento social, já que os consumidores buscam peças de maior conforto. No caso da Imaginarium, o foco mudou, e a marca passou a vender mais itens para escritórios para atender o público que passou a trabalhar de casa.

A mudança no mix de produtos e o esforço de diversificação de canais fez com que o e-commerce respondesse por 15% das vendas em 2020 – a fatia era de 5% no ano anterior.

“O objetivo é que essa fatia chegue a 25% ou 30% em breve”, disse Santos.

A maior participação do e-commerce também ajudou a suavizar a queda das vendas. A redução das vendas nas lojas físicas em 2020 ficou em torno de 35%. No consolidado, no entanto, a queda foi um pouco menos, de 25%.

A Uni.co ainda não divulgou os dados de 2020, mas em 2019 a receita líquida da empresa foi de R$ 270 milhões.

Eduardo Terra, presidente da Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo, afirma que a Uni.co tem oportunidade de crescimento por atuar em um segmento pulverizado.

“Com caixa, a empresa tem recursos para acelerar um movimento de consolidação”, disse.

No entanto, lembra que os itens vendidos por Puket e Imaginarium, por serem não essenciais e ligados a uma compra de impulso, têm maior demanda em momentos de maior crescimento da economia e do crédito.

Já na avaliação de Alberto Serrentino, presidente da consultoria Varese Retail, o grupo Uni.co se destaca e se torna atrativo por trabalhar em um segmento de produtos autorais, em que há pouca concorrência.

“São dois negócios (Puket e Imaginarium) não rotuláveis. A Imaginarium, principalmente, se destaca por desenvolver produtos com apelo presenteável muito forte. É algo “cross categoria”, o que faz com que a marca não tenha uma competição direta”, explicou.

Aquisições nesse setor, segundo ele, são importantes porque têm a capacidade de melhorar a logística e a retaguarda dessas operações, reduzindo os custos.

Ana Paula Tozzi, presidente da AGR Consultores, considera que a Uni.co tem espaço para crescer, embora o curto prazo seja mais desafiador.

“A pandemia pode afetar o processo de abertura de novas lojas franqueadas, mesmo com a maior quantidade de pontos vagos em shoppings. Mas, no geral, o grupo ainda tem espaço para crescer”, disse.

Na avaliação da AGR, um dos segmentos que o grupo pode crescer é no segmento de itens infantis, que ainda é pouco explorado no Brasil.

Na avaliação da XP Investimentos, a transação é positiva para a Americanas por garantir a entrada em novas categorias (Puket com moda infantil e Imaginarium com presentes). Além disso, os analistas destacaram a experiência da Uni.co em criação, o que “pode alavancar o desenvolvimento das marcas próprias da Americanas”. No entanto, destacam que a operação ficará mais complexa.

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Fonte: Infomoney

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