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o que fazer para evitar polêmicas?

O uso das redes sociais por atletas de diversas modalidades tem preocupado os clubes. No futebol, por exemplo, o São Paulo promoveu neste mês uma palestra sobre o comportamento na internet. Na Ponte Preta, o atacante Dadá foi multado e suspenso por uma semana por ter xingado um torcedor em uma “live” (transmissão ao vivo) em seu Instagram durante um almoço entre elenco e comissão técnica.

A maioria dos clubes prepara uma cartilha para os jogadores sobre as redes sociais. Além disso, o departamento de comunicação é responsável por verificar se algum reforço tem perfil oficial, analisar postagens antigas e avisar à imprensa. Atletas mais consagrados ainda contam com o chamado “estafe”, responsável por orientá-los e administrar as redes sociais.

Para o advogado especialista em direito eletrônico Renato Opice Blum, que ministrou a palestra no São Paulo, o caso Neymar chamou a atenção dos atletas sobre como agir nas redes sociais. O atacante da seleção brasileira é investigado sobre crime virtual por ter divulgado conversas contendo imagens íntimas da modelo Najila Trindade, que o acusou de estupro.

Blum contou como foi a reação dos atletas são-paulinos durante a palestra realizada no último dia 5, no CT da Barra Funda. “Fiquei muito contente, porque os jogadores participaram demais. Foi até difícil voltar para o treino, estava muito gostoso o papo. Expliquei jogadores, técnicos e dirigentes são formadores de opinião, então precisam ter cuidado com o que é postado. Me pediram para fazer uma outra detalhando a segurança de informação, saindo do conteúdo para os ataques de possíveis hackers”, afirmou o advogado, que também já ministrou palestra para profissionais das escolinhas da NBA e no Clube Monte Líbano, além de ter outra marcada no Clube Pinheiros.

A palestra no São Paulo foi idealizada e contou com a participação da psicóloga do clube, Anahy Couto. Na visão de Blum, “um time ideal para cuidar das redes sociais precisa ter um profissional de comunicação de comunicação, um especializada em mídias, um psicólogo e um jurídico”. Ele reconhece, porém, que não são todos os atletas que conseguem bancar esse estafe.

René Simões, ex-técnico que atuou durante três anos como coach de treinadores em atividade, contou os conselhos que dava a seus clientes. Ele trabalhou com Fábio Carille, do Corinthians, Zé Ricardo, do Fortaleza, entre outros. Os próprios técnicos se preocupam com o que os jogadores postam nas redes sociais.

“Falava para não tentarem achar ou fazer que os jogadores abrirão mão do celular. É preciso orientá-los de que são pessoas públicas e devem satisfação a quem os paga, que são os clubes e na ponta disso os torcedores. Os técnicos são de gerações mais antigas, então não há excesso. É preciso ter cuidado com quem você se relaciona nas redes sociais, porque isso traça o seu perfil e as empresas e clubes olham”, avaliou René Simões.

Outra coach esportiva ouvida pelo Estado, Amanda Ciaramicoli alertou para os malefícios que as redes sociais podem trazer aos atletas. Ela acumula trabalhos com o ex-atacante e atual coordenador do Corinthians, Emerson Sheik, o goleiro Sidão, o atacante Lucca, a meia Bebel e o campeão mundial de jiu-jitsu Alexandre Ribeiro.

“A rede social é benéfica e prejudicial para o atleta na mesma proporção. Os atletas normalmente passam muito tempo nas redes sociais, e há comentários do público e da imprensa que nem sempre são positivos. os comentários das redes sociais prejudicam o desempenho dos atletas nos dias da competição, porque acaba gerando ansiedade e estresse que atrapalham não só a parte mental, como também a parte física. Conversamos em como utilizar a internet apenas para coisa produtivas, filtrando o que se lê, e como preencher esse tempo que ficaria nas redes com algo benéfico. É um desafio”, disse Amanda.

Uma pesquisa divulgada neste mês pela GlobalWebIndex mostra que o Brasil é o segundo país onde as pessoas passam mais tempo nas redes sociais, com uma média de 225 minutos por dia, atrás apenas das Filipinas, com média de 241 minutos. Os números alertam os esportistas, que costumam atrair milhares (às vezes até milhões) de seguidores em seus perfis oficiais.

VEJA DICAS DO ADVOGADO RENATO OPICE BLUM:

O QUE POSTAR?

Ações sociais – “É algo positivo, porque você atrai esse comportamento em seus seguidores. A sugestão é de que sejam postados conteúdos que provoquem ações positivas nas pessoas”, opina Blum.

Posts neutros – “São as fotos de atletas jogando ou treinando, muitas vezes postadas pelo estafe. Serve para movimentar a rede social”.

Humor – “O mundo está tão tenso hoje em dia, que posts de humor acabam sendo positivos, geram descontração. O Hernanes (meia do São Paulo) vem postando alguns pensamentos que os seguidores acham engraçados e não geram consequência nociva. É algo interessante”.

O QUE NÃO POSTAR?

Produtos luxuosos – “A maioria dos seguidores não vai ter essa riqueza, e acaba gerando um sentimento ruim”.

Política – “É difícil um atleta se posicionar neste assunto, ainda mais nesta época mais polarizada. Muita gente não vai concordar com sua posição e vai deixar de gostar de você por isso. Consequentemente, pode haver perda de seguidores. Na religião, há diversos pensamentos, mas todos convergem para o mesmo ponto que é ajudar o próximo, então não tem tanto problema. A política é mais complexa”.

Respostas de cabeça quente – “Se não houver preparo psicológico, o atleta pode ser afetado pelos comentários, porque é um ser humano e ninguém gosta de sofrer algum ataque. Se não há preparo, a sugestão é restringir os comentários das postagem. É preciso ter muito cuidado para não responder, não pode ser feito no mesmo dia, sempre no dia seguinte, com mais calma. Para quem tem estafe mais preparado, uma boa alternativa pode ser responder admitindo que não atuou tão bem, mas que está trabalhando para melhorar, ou perguntar alguma sugestão e demonstrar aproximação com o seguidor, porque a pessoa gosta de se sentir próxima”.

COMO EVITAR SER HACKEADO

Por terem milhares e até milhões de seguidores, muitos atletas são alvo de hackes. O advogado sugeriu algumas medidas para evitar os ataques. “Há diversas possibilidades de clonagem dos redes. Sempre alerto para atualizar o sistema operacional assim que já estiver disponível, ter uma senha específica em cada conta na rede social, deixar o celular em bloqueio automático e ler os termos de uso dos aplicativos. Se por algum tiver alguma conta hackeada, é preciso fazer um boletim de ocorrência, contatar a operadora e o aplicativo o mais rapidamente possível e trocar de chip”.

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Fonte: TERRA

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