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O que os professores no Brasil precisam de fato (além de bons salários)

Um terço dos professores brasileiros está muito insatisfeito com a profissão – mas o caminho para mudar esse quadro pode ser mais simples do que se imagina

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30 jul 2018, 08h01

São Paulo – Oito em cada dez professores do ensino básico no Brasil (que vai desde a educação infantil até o ensino médio) aderiram a essa carreira por motivos relacionados à vocação ou por convicção do quanto esse trabalho é importante para a sociedade. Apesar dessa visão positiva sobre a própria profissão, 49% deles admitem que certamente não a recomendariam para outra pessoa – apenas 23% defenderiam a escolha para terceiros.

É o que mostra pesquisa do Todos pela Educação e do Itaú Social, feita pelo Ibope Inteligência, divulgada nesta segunda-feira (30).

Segundo o estudo, o que acontece entre a visão idealista que move a escolha pela profissão e a recusa de recomendá-la para terceiros vai além da dura realidade das salas de aula do país. Segundo a pesquisa, a desvalorização da carreira é o principal fator para tanta insatisfação entre os docentes. A sondagem revela que isso não está ligado apenas a uma questão de baixos salários.

No total, 48% dos entrevistados apontaram fatores ligados ao baixo reconhecimento da profissão perante a sociedade e o poder público como a principal explicação para não recomendar a carreira para terceiros. Outros 31% citaram a má remuneração como uma razão para isso – vale lembrar que os professores brasileiros recebem 25% menos do que as pessoas que atuam em outras áreas mas que têm a mesma formação que eles..

O estudo revela que os poucos que recomendariam a profissão, em sua maioria, trabalham nas etapas iniciais da educação (ensino infantil e fundamental I) e têm menos tempo de carreira.

A maior satisfação desse grupo se explica pela própria natureza do trabalho docente nos anos iniciais do ensino básico, de acordo com Gabriel Corrêa, gerente de políticas educacionais do Todos pela Educação. Nessas etapas, os professores, geralmente, têm uma proximidade maior com os alunos uma vez que passam mais tempo com eles. Isso, segundo o especialista, favoreceria os índices de satisfação com a carreira.

Quando questionados sobre o que precisaria ser feito para que a carreira docente fosse mais valorizada, 69% dos professores mencionaram a necessidade de oferecer mais oportunidades de qualificação aos docentes e 67% afirmaram a importância de envolver os profissionais que estão em sala de aula nos processos de decisão de políticas públicas.

O problema: para a maior parte dos professores, as secretarias estaduais de Educação falham no diálogo com os professores, criam programas pouco alinhados com a realidade das escolas, não dão continuidade a boas propostas e falham em remodelar aquelas que não estão dando certo.

“Os professores querem participar do debate público. Mas há um grande descolamento entre eles e as secretarias, que têm um modelo de gestão muito centralizado”, diz o especialista.

Em média, o grau de satisfação dos professores com a própria carreira tem nota 7 em uma escala que vai de zero a dez. Um terço dos professores ouvidos pela pesquisa afirmou que está totalmente insatisfeito com a profissão. Apenas 21% estão muito satisfeitos. O grau de satisfação tende a ser maior  na rede privada de ensino e entre os professores das etapas iniciais da educação.

A pesquisa foi feita pelo Ibope Inteligência entre os dias 16 de março e 7 de maio. Foram 2.160 entrevistas com professores de todas as etapas da educação básica no Brasil, que compreende da Educação Infantil ao Ensino Médio. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos.

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Fonte: Exame

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