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O que podemos aprender com os praticantes de trekking resgatados

Apesar de não haver uma data oficial para chancelar a abertura de temporada de montanhismo, estabeleceu-se que o início do período de estiagem e frio no Brasil é também o período ideal para a prática do montanhismo. Como o período de estiagem e frio variam de um ano a outro, oficializar uma data é uma tarefa difícil. A cada ano mais e mais pessoas se animam a irem às montanhas para praticar trekking, hiking ou mesmo para ficar contemplando a paisagem para meditar. Este interesse é benéfico para a consolidação de uma cultura de montanha no Brasil e de fortalecimento da atividade como negócio.

Entretanto, este interesse também traz alguns efeitos colaterais. Por efeito colateral entenda que há muitas pessoas que sofrem de”superioridade ilusória”, e se aventuram a fazer algumas atividades que não estão preparadas para fazer. Não apenas fisicamente, mas principalmente por não possuírem conhecimento mínimo de técnicas de navegação e de montanhismo. Pessoas que imaginam que sabem algo que na verdade desconhecem, ignorando a importância do conhecimento e expertise de montanhistas experimentados, e acabam sempre sendo protagonistas de resgates em montanha.

Da mesma maneira que uma doença é identificada por vários sintomas, o aumento de pessoas com completa falta de preparo técnico para a prática de trekking pode ser detectada pelo aumento dos números de resgates que são realizados nas montanhas. Mas esta não é uma análise simples de ser feita, afinal apenas observar um número absoluto, e fazer inferências a partir dele, é cometer um erro clássico de má interpretação de dados. Inferência é uma dedução feita com base em informações, ou um raciocínio, que usa dados disponíveis para se chegar a uma conclusão. Portanto, é fundamental entender que tipos de resgates foram feitos e os motivos que levaram ao Corpo de Bombeiros a realizá-los.

Um resgate a um “montanhista perdido” é muito diferente de alguém que sofreu um mal súbito ou fraturou uma perna. No primeiro caso é notório que houve imperícia do resgatado em orientar-se na montanha (que pode demonstrar despreparo técnico e até mesmo imprudência). O segundo caso, é uma necessidade a qual há perigo de morte. Portanto, assim como deve ser feito em faculdades e entidades de montanhismo, é importante analisar casos reais de resgate e identificar os diferentes tipos. A partir deles, é que aprenderemos o que foi feito de errado e o que não se deve repetir.

Portanto peguemos três casos recentes: A moradora que do Mato Grosso que sobreviveu comendo brotos de bambu, o resgate de jovem perdido uma semana na travessia da Serra Fina em 2018 e o turista francês resgatado na Serra dos Órgãos em 2018. Os três casos foram escolhidos por não envolverem acidentes e por serem bons exemplos de más práticas de turistas em ambiente de montanha.

Moradora que do Mato Grosso

Foto: https://www.olhardireto.com.br/

A mato-grossense Cleidiane Ruive, de 37 anos, se perdeu ao tentar buscar socorro para o marido que havia sido atingido por uma árvore. De acordo com a informação do corpo de bombeiros, seu marido estava trabalhando com extração de madeira em uma fazenda na região da Cachoeiro da Serra (distrito de Altamira-PA). Ao tentar achar a sede da propriedade para buscar ajuda, acabou se perdendo. Os bombeiros fizeram buscas durante uma semana.

O marido de Cleidiane não resistiu aos ferimentos e acabou falecendo. Após 10 dias perdida numa região de mata fechada, foi resgatada pelo Corpo de Bombeiros Militar. Ruive sobreviveu por 10 dias alimentando-se com brotos de bambus.

Perdido uma semana na travessia da Serra Fina

Em julho de 2018, o praticante de trekking identificado como Luís Cássio Bezerra de Santana, 27 anos, perdeu-se quando estava fazendo a Travessia da Serra Fina. Cássio não tinha experiência em montanhismo e estava sem a orientação de um guia. Montanhistas e voluntários, além de um helicóptero, ajudaram os militares nas buscas com bombeiros de Lavras, Varginha e Passa Quatro. Foram mobilizados mais de 50 bombeiros mineiros e paulistas.

Familiares contaram aos militares que o homem fez contato no fim de semana, dizendo que estava voltando. Como a bateria do celular acabou, ele ficou sem GPS e errou o caminho. Luís Cássio foi encontrado a 2 km da trilha original.

Turista francês resgatado na Serra dos Órgãos

O estudante francês Marc Meslin, de 22 anos, desapareceu depois de iniciar sozinho a travessia entre Teresópolis e Petrópolis, sem o acompanhamento de um guia. Julgando-se capaz e que a contratação de guia era desnecessária, perdeu-se no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, em Petrópolis-RJ. As buscas pelo francês começaram após ele ter entrado em contato com a Polícia Militar pedindo ajuda.

O resgate de Marc envolveu equipe de 40 bombeiros e 20 voluntários integrantes do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade e da Federação de Esportes de Montanha do Estado do Rio de Janeiro. Quando encontrado não pode ser socorrido imediatamente devido à dificuldade acesso à área.

O que aprender com tudo isso?

Foto: www.soydeliebana.es

A realidade de que aprendemos com os erros é inegável. Sobretudo se formos sempre observadores e analíticos. Por isso, dizem que uma vez que adquirimos o ensinamento a partir de um erro, procuramos não repeti-lo. Parece bastante simples observar o erro se nós mesmos o cometemos, não é mesmo?

Mas, e se os erros vêm de outra pessoa (como as que citamos acima)? A vida é limitada e não temos muito tempo para errar tantas vezes. Por que não olhar os erros que os outros cometeram para então evitá-los?

Com esta linha de pensamento, qualquer um já deveria ter aprendido também que errar faz parte da vida, mas insistir em cometer o mesmo erro sempre já denota dificuldade de análise e aprendizado. A vida é uma oportunidade de aprendizagem constante, portanto observar os erros destas pessoas ajuda a perceber que o seu comportamento inconsequente e sua sensação de “superioridade ilusória” pode você fazer parte de exemplos como os acima citados.

Como evitar estes erros? Impossível fazer um mapa futuro da vida de cada pessoa, mas é possível também criar uma lista de conselhos que possam fazer você não virar notícia no futuro. Os seis mandamentos que deve seguir para não virar estatística negativa:

Não vá sozinho: Sair sozinho é uma escolha que muitos fazem quando quer se aventurar. Isso pode ser uma decisão de conveniência (quando ninguém está disponível para ir), ou pode ser uma decisão com intenção (quando só quer ter algum tempo sozinho). Infelizmente, ir para o ambiente outdoor sozinho, é quando as histórias trágicas começam.

Carregue seus eletrônicos: Lembre-se de utilizar o seu telefone para aquilo que ele fundamentalmente foi criado, que é fazer ligações. Para orientar-se, especialmente para navegações complicadas, use um GPS. Acreditar que o smartphone serve para tudo e torna todos os outros equipamentos eletrônicos da face da terra obsoletos, é o equivalente a ainda acreditar em Papai Noel.

Tenha um plano B: O que quer que você faça ao ar livre, você precisa ter um plano A e um plano B. Não acredite que você possui a maior sorte do mundo e que Deus está olhando por você. Faça a sua parte, prevenindo-se de qualquer imprevisto. Principalmente tendo um plano B, e que pense em tudo com clareza de raciocínio. Ter a calma e razão e saber o que fazer é importante.

Use o equipamento certo: Da mesma maneira que em sua casa você não usa uma faca para apertar os parafusos de algum objeto, no universo outdoor não procure usar um equipamento improvisado. Acreditar que sabe mais que todos e que está preparado para improvisar algo, apenas evidencia que é uma pessoa imatura, impulsiva e leiga.

Não entre em pânico: Desespero e medo intenso de que algo ruim aconteça poderão afetar o seu raciocínio lógico e fazer a sua situação piorar ainda mais. Mesmo que não haja motivo algum para isso ou sinais de perigo iminente. Tente raciocinar com clareza e utilizar pensamentos lógicos.

Obtenha algum treinamento: Cursos de orientação em ambiente outdoor, primeiros socorros, sobrevivência, montanhismo básico, etc., são imprescindíveis para quem quer praticar montanhismo. Se não tiver nenhum destes cursos, procure fazer um deles. Pois apostar em experiencia empírica, apenas fará você virar uma estatística negativa.

Formado em Engenharia Civil e Ciências da Computação, começou a escalar em 2001 e escalou no Brasil, Áustria, EUA, Espanha, Argentina e Chile. Já viajou de mochilão pelo Brasil, EUA, Áustria, República Tcheca, República Eslovaca, Hungria, Eslovênia, Itália, Argentina, Chile, Espanha, Uruguai, Paraguai, Holanda, Alemanha e Canadá. Realizou o Caminho de Santiago, percorrendo seus 777 km em 28 dias. Em 2018 foi o único latino-americano a cobrir a estreia da escalada nos Jogos Olímpicos da Juventude e tornou-se o primeiro cronista esportivo sobre escalada do Jornal esportivo Lance!

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Fonte: R7

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