fbpx

Os 5 assuntos que vão movimentar o mercado nesta quarta-feira

Donald Trump e Joe Biden Participate no primeiro debate presidencial (Foto: Scott Olson/Getty Images)

As bolsas mundiais operam em queda depois de um debate presidencial turbulento nos Estados Unidos, acrescentando incerteza a um mercado já preocupado com o desenvolvimento do coronavírus ao redor do mundo. Na Europa, as bolsas apresentam quedas, assim como os futuros de Nova York, enquanto na Ásia os mercados fecharam mistos.

No Brasil, o mercado acompanha os próximos passos do governo em relação ao financiamento do programa Renda Cidadã. Depois do mal estar gerado com o anúncio de que o programa usará recursos do Fundeb e de precatórios, o governo fez uma reunião de emergência na tarde de ontem e poderá rever as fontes de recursos, segundo o Valor. No entanto, outras fontes do governo disseram que a proposta original será mantida.

Além disso, está marcada para hoje a sessão do Congresso que vai analisar o veto do presidente Jair Bolsonaro à desoneração da folha salarial. No entanto, de acordo com o Estadão, o governo deve agir para esvaziar a reunião e adiar a análise da proposta, na tentativa de evitar mais uma derrota.

No front corporativo, o mercado acompanha hoje o julgamento da ação que busca impedir a venda de refinarias da Petrobras sem licitação ou aval do Congresso Nacional. A Raia Drogasil previu a abertura de 240 lojas por ano entre 2021 e 2022, enquanto o IRB recebeu o rating de crédito “brAAA” da Standard & Poor’s, com perspectiva estável.

1. Bolsas mundiais

As bolsas mundiais operam em queda nesta manhã, enquanto os investidores reagem ao primeiro debate presidencial nos Estados Unidos, analisando o cenário global em meio à crise do coronavírus.

Na Europa, o índice Euro Stoxx cai 0,29%. O DAX, da Alemanha, cai 0,57%, enquanto o CAC, de Paris, recua 0,46% e o FTSE MIB, da Itália, perde 0,19%. Ao mesmo tempo, o FTSE 100, de Londres, cai 0,15%.

O debate entre o presidente Donald Trump e o candidato democrata Joe Biden foi marcado por trocas agressões, interrupções e gritaria. Nos Estados Unidos, os índices futuros de Wall Street caem nesta manhã, enquanto os investidores digerem o duelo entre os candidatos. Os futuros do S&P 500 caem 0,77%, enquanto os do Dow Jones recuam 0,84%. Os futuros da Nasdaq têm queda de 0,90%.

O debate Trump-Biden foi marcado por insultos que acabaram por abafar as questões; o presidente dos EUA sugeriu que o voto por correio poderia ter fraude. “O que vimos do debate é o reforço de que, se Biden vencer, Trump não vai aceitar isso”, disse Chris Weston, chefe de pesquisa do Pepperstone em Melbourne, à Bloomberg.

Na Ásia, os mercados fecharam mistos, também influenciados pelo cenário político nos Estados Unidos. No Japão,o Nikkei caiu 1,50%, enquanto o Shangai SE, da China, recuou 0,20%. Já o índice Hang Seng, de Hong Kong, registrou alta de 0,79%.

Na região, o mercado reagiu aos dados de atividade industrial na China de setembro (PMI), que foi de 51,5, acima das expectativas dos analistas, e superior ao índice de 51,0 visto em agosto. Leituras acima de 50 indicam expansão ante o mês anterior.

Em relação ao coronavírus, repercutiu a notícia de que o remédio REGN-COV2, da Regeneron, reduz os níveis virais e melhora os sintomas de pacientes não hospitalizados. No mercado de commodities, os contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa de Dalian fecharam em alta de 5%, cotados a 809.000 iuanes, equivalente hoje a US$ 118,72.

*Veja o desempenho dos mercados, às 7h12 (horário de Brasília):

Nova York

*S&P 500 Futuro (EUA), -0,77%
*Nasdaq Futuro (EUA), -0,90%
*Dow Jones Futuro (EUA), -0,84%

Europa

*Dax (Alemanha), -0,58%
*FTSE 100 (Reino Unido), -0,17%
*CAC 40 (França), -0,46%
*FTSE MIB (Itália), -0,19%

Ásia

*Nikkei (Japão), -1,50% (fechado)
*Hang Seng Index (Hong Kong), +0,79% (fechado)
*Shanghai SE (China), -0,20% (fechado)

*Petróleo WTI, -0,94%, a US$ 38,92 o barril
*Petróleo Brent, -1,27%, a US$ 40,51 o barril

**Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa de Dalian fecharam em alta de 5%, cotados a 809.000 iuanes, equivalente hoje a US$ 118,72 (nas últimas 24 horas).
USD/CNY = 6,81351

*Bitcoin, US$ 10.703,65, -0,37%

2. Agenda

O mercado acompanha hoje a divulgação da PNAD Contínua de julho, com a taxa de desemprego nacional, que será anunciada pelo IBGE às 9h. O dado deve apresentar um resultado entre 13,50% e 13,70%, de acordo com a análise da professora da Fipecafi, Luciana Machado. É esperado que com a flexibilização das medidas de isolamento social a taxa de desocupação comece a estabilizar, avalia.

“Com a flexibilização das medidas de isolamento social, alguns setores, antes paralisados, tendem a retomar gradativamente as suas atividades. Isso afeta negativamente a taxa de desocupação. Uma vez voltando a funcionar, voltam também a empregar. Ainda é cedo para se enxergar melhoras substanciais no indicador, mas é esperado que o efeito ao menos atenue o aumento da taxa de desocupação, mantendo o indicador estável”, explica a professora da Fipecafi.

Logo depois, às 9h30, o Banco Central divulga nota sobre a política fiscal de agosto. O resultado primário do setor público deve mostrar déficit de R$ 98 bilhões em agosto, segundo estimativa mediana em pesquisa Bloomberg, depois de registrar déficit de R$ 81,1 bilhões. Já a relação dívida/PIB de agosto é esperada em 61,3%, ante dado anterior de 60,2%.

Os investidores também aguardam os dados de geração de emprego formal em agosto, que será noticiado pelo Caged às 14h30. A estimativa, segundo o consenso Bloomberg, é de criação de 149.575 vagas.

Nos Estados Unidos, será divulgada a leitura final do PIB do segundo trimestre, às 9h30, com expectativa de queda de 31,7% da atividade na comparação trimestral na base anualizada. Um pouco antes, serão revelados os dados do ADP, com os números de empregos no setor privado em setembro, às 9h15, com estimativa de criação de 649 mil vagas, ante dado anterior de 428 mil vagas criadas no setor privado, segundo consenso Bloomberg.

3. Renda Cidadã

Os passos do governo em relação à reforma tributária e ao Renda Cidadã continuam no foco do mercado. Depois de a proposta de criar o programa social Renda Cidadã ter sido mal recebida, o governo discute a possibilidade de um recuo. Segundo o Valor Econômico, alguns integrantes do governo consideram mudar as fontes de financiamento do programa. Segundo o jornal, isso foi discutido ontem, pelo presidente Jair Bolsonaro, o ministro da Economia Paulo Guedes e outros ministros, em uma reunião de emergência.

A proposta do Renda Cidadã prevê o uso de recursos de precatórios. Com isso, cerca de 1 milhão de pagamentos judiciais podem ser atrasados por ano, em média, segundo a Folha de S.Paulo. Além dos recursos dos precatórios, o programa será financiado com dinheiro do fundo para educação básica (Fundeb).

Ao mesmo tempo, outras fontes afirmaram que a proposta está mantida. O senador Márcio Bittar, relator do Renda Cidadã, disse à CNN Brasil que o texto será apresentado hoje, sem mudanças na fonte pagadora. Segundo o Valor, os líderes no Senado, Fernando Bezerra (MDB-PE), e na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR), também prometeram que a proposta continua de pé e estará no relatório a ser apresentado nos próximos dias.

Além disso, está marcada para hoje a sessão do Congresso que vai analisar o veto do presidente Jair Bolsonaro à desoneração da folha salarial. Segundo a Agência Senado, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre pretende convocar a sessão às 10 horas.

No entanto, de acordo com o Estadão, o governo deve agir para esvaziar a reunião e adiar a análise da proposta, na tentativa de evitar mais uma derrota. A estratégia dependerá de uma articulação com a Câmara dos Deputados, por onde a votação começa. O governo precisa evitar que haja 257 votos para derrubar o veto na Casa.

A desoneração pode garantir o benefício a 17 setores da economia em 2021.Se o veto for mantido, a desoneração acaba em dezembro. Ontem, líderes se reuniriam para discutir a pauta da sessão, mas a reunião foi cancelada. Por isso, a expectativa é de que dificilmente a proposta será votada hoje.

Além disso, a proposta do ministro da Economia Paulo Guedes de criar um imposto sobre pagamentos nos moldes da antiga CPMF atraiu novamente críticas do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). “Por que Paulo Guedes interditou o debate da reforma tributária?”, questionou Maia, em seu perfil no Twitter.

O presidente da Câmara fez a declaração um dia após o governo desistir de enviar a segunda fase da proposta de reforma tributária. O imposto sobre pagamentos não é consenso entre líderes partidários.

4. Crédito

A Câmara dos Deputados aprovou ontem a Medida Provisória que libera crédito de R$ 20 bilhões ao fundo do BNDES para concessão de crédito a micro e pequenas empresas. Segundo a Agência Brasil, a matéria segue para o Senado e precisa ser votada até amanhã (1º) para não perder a validade. O texto foi aprovado da forma como foi editado pelo governo em junho, sem alterações.

Serão beneficiadas empresas com receita bruta entre R$ 360 mil e R$ 300 milhões em 2019. De acordo com a Folha, o aporte será direcionado ao Fundo Garantidor de Investimentos (FGI), administrado pelo BNDES e que faz parte do Programa Emergencial de Acesso a Crédito criado pelo Ministério da Economia em junho. O programa foi instituído por meio da MP que permitiu a liberação de crédito por meio das maquininhas de até R$ 50 mil com juro de até 6% ao ano.

No Brasil, outro destaque é a notícia de que o ministro Celso de Mello decidiu retirar do plenário virtual do Supremo Tribunal Federal (STF) o recurso que discute se o presidente Jair Bolsonaro pode, ou não, prestar depoimento por escrito no inquérito que apura suposta tentativa de interferência política na Polícia Federal, segundo o G1.

Com a decisão do relator, o tema volta para o plenário convencional do Supremo – a data do julgamento ainda não foi definida. Em razão da pandemia, os ministros têm se reunido por videoconferência, mas podem ler os votos, debater e argumentar durante a sessão. O caso havia sido remetido para o colegiado virtual na semana passada pelo ministro Marco Aurélio Mello, que substituiu o decano durante licença médica encerrada na última quinta-feira, 24.

Além disso, o mercado deve acompanhar a fala do presidente Jair Bolsonaro, que deve discursar hoje na Cúpula da Biodiversidade da Organização das Nações Unidas (ONU), por meio de um vídeo, segundo a CNN. Em um discurso considerado tranquilo por interlocutores do presidente, Bolsonaro deverá defender a Amazônia.

Ontem, no primeiro debate presidencial da eleição de 2020 nos Estados Unidos, o candidato democrata Joe Biden ameaçou o Brasil com “consequências econômicas significativas se não cuidar da Amazônia”. Biden disse que conseguiria que várias nações dessem ao Brasil US$ 20 bilhões para acabar com o desmatamento na Amazônia e, se o Brasil fracassar, então haveria “consequências econômicas significativas”, de acordo com o Valor Econômico.

5. Radar corporativo

No front corporativo, o mercado acompanha hoje o julgamento da ação sobre a venda de refinarias da Petrobras sem licitação ou aval do Congresso Nacional.

Além da Petrobras, o setor de saneamento terá uma quarta-feira movimentada. Nesta mesma data, o Congresso pode fazer reunião para analisar os vetos do presidente da República, Jair Bolsonaro. Dentre eles, os polêmicos vetos do novo Marco Legal do Saneamento Básico (VET 30/2020 – Parcial), para modernização do setor.

Vale ressaltar ainda que  sete consórcios e empresas interessados na concessão de água e esgoto da região metropolitana de Maceió entregaram propostas visando levar saneamento básico a 13 cidades de Alagoas, que reúnem 1,5 milhão de habitantes. O leilão será realizado também na quarta, na B3, em São Paulo, a partir das 10h, sendo o primeiro após a implementação da nova lei do setor e também saindo na frente por ser o primeiro projeto estadual de água e esgoto estruturado pelo BNDES que sairá do papel. Veja mais clicando aqui. 

A Raia Drogasil previu a abertura de 240 lojas por ano entre 2021 e 2022, enquanto o IRB recebeu o rating de crédito “brAAA” da Standard & Poor’s, com perspectiva estável.

Além disso, a Lojas Americanas elevou sua emissão de bons para US$ 500 milhões, enquanto a Camil anunciou que vai captar R$ 350 milhões por meio de debêntures. Já a Locaweb anunciou a compra da Etus Social Network Brasil, que atua com redes sociais, por R$ 18,95 milhões.

Operação Stock Pickers: série gratuita explica como você pode ingressar e construir uma carreira bem remunerada no mercado de investimentos

 

Fonte: Infomoney

Deixe uma resposta

Do NOT follow this link or you will be banned from the site!