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Os melhores fundos de ações e multimercados em setembro e em 12 meses

SÃO PAULO – O mês de setembro foi marcado por uma combinação de quedas expressivas das bolsas tanto do Brasil como dos Estados Unidos, com perdas até nos rincões mais conservadores da renda fixa.

O crescente temor dos investidores com a política fiscal em 2021, no âmbito doméstico, e com a eleição presidencial dos EUA e uma segunda onda da pandemia, na cena externa, fez o Ibovespa cair 4,8% no mês passado, enquanto a Nasdaq recuou 5,1%, as maiores quedas desde o tombo histórico de março.

Na renda fixa, o índice IMA-B, que acompanha os títulos indexados à inflação, teve desvalorização de 1,5% em setembro, e até o Tesouro Selic, o título público mais conservador do país, teve rentabilidade negativa em setembro.

Nesse cenário, os fundos de investimento de ações ou multimercados que se destacaram, no mês e em um ano, foram novamente aqueles com alocação em bolsas globais.

Embora as ações de grandes empresas americanas de tecnologia tenham derrubado os índices acionários dos EUA, a alta de 2,5% do dólar frente ao real no mês passado, que já se aproxima de 40% em 2020, mitigou as perdas para os fundos com exposição internacional.

Na ponta negativa, o Versa Long Biased caiu quase 20% em setembro, embora ainda seja o que mais sobe em 12 meses, com alta de 94%.

O multimercado é classificado como “long short” direcional – adota posições de arbitragem (compradas e vendidas) entre pares de ações – e tem uma volatilidade média de 15% desde o início em 2013, o que corresponde ao nível de oscilação das cotas e naturalmente guarda relação com o risco a ser assumido pelo investidor.

“Tivemos perdas na carteira de valor relativo que foram magnificadas pela alocação comprada por meio de opções. Custou caro o sell-off das varejistas, como Via Varejo, e de bancos”, diz Luiz Fernando Alves, gestor da Versa. “Foi uma volatilidade acima da desejada, mas faz parte da estratégia do fundo.”

Confira a seguir os melhores e os piores desempenhos de fundos de ações e multimercados em setembro.

Com a alta de 24,5% da Nasdaq, turbinada pela do dólar, e a queda de 18,2% do Ibovespa, o predomínio entre as maiores rentabilidades do ano continua sendo claramente dos fundos de ações que investem em BDRs e dos multimercados globais.

Veja quais fundos de ações se destacam nos últimos 12 meses, assim como seu desempenho em um período de 36 meses, no acumulado de 2020 e apenas em setembro.

Importante lembrar que retorno passado não é garantia de rentabilidade futura, ainda que seja interessante analisar o desempenho histórico dos fundos para observar sua consistência.

No caso dos multimercados, além dos fundos globais, os indexados ao ouro conseguiram cravar seu espaço, com ganhos próximos a 60% no ano.

Para a análise, que tem como base dados extraídos da Economatica, foram considerados fundos não exclusivos com patrimônio líquido médio superior a R$ 100 milhões em 12 meses e mais de 99 cotistas, em setembro.

No caso dos fundos de ações, foram excluídos os setoriais, os indexados e os monoações. Entre os multimercados, não foram considerados os fundos de crédito privado.

Sem pânico

Segundo Mauricio Lima, gestor da Western Asset, a realização recente, motivada por fatores de risco como a eleição nos EUA e uma segunda onda da pandemia na Europa, não abalou a confiança da casa no potencial das grandes empresas americanas de tecnologia, como Google, Facebook, Apple e Microsoft.

As empresas do Vale do Silício continuam respondendo pela maior fatia do fundo de BDRs da Western, com cerca de 30% do total.

Na avaliação do especialista, a queda das últimas semanas deve ser vista mais como um ajuste pontual, e natural, do setor que teve o melhor desempenho dos mercados globais desde março, do que como uma reversão de tendência daqui em diante.

“Muita gente ficou com receio de que pudesse ser uma nova bolha da internet, parecida com a crise do início dos anos 2000, mas, a nosso ver, existem algumas diferenças significativas”, afirma Lima.

As ações que sofreram nas últimas semanas, diz o gestor da Western, são de empresas já consolidadas em seus setores de atuação e fortes geradoras de caixa, diferentemente do cenário observado há duas décadas nas bolsas americanas.

Além disso, os juros baixos, que devem permanecer nesse patamar por um bom tempo, tendem a contribuir para que as ações mantenham o ritmo pujante, prevê o especialista.

De todo modo, além da tecnologia, o setor de consumo discricionário (não essencial) também é enxergado com bons olhos pela asset, com empresas como Advance Auto Parts, Booking Holdings e Home Depot, que não tiveram o mesmo desempenho que o setor de tecnologia nos últimos meses, e que devem se beneficiar dos sinais de reaquecimento da atividade, diz Lima.

O setor de saúde, em evidência diante da corrida pela vacina contra o coronavírus, também foi apontado pelo gestor da Western como um dos destaques do portfólio, por meio de empresas como United Health, Thermo Fisher Scientific e AMGEN.

Choque de realidade

Entre os multimercados que têm conseguido entregar rentabilidade positiva aos investidores em 2020 sem recorrer às bolsas globais ou ao dólar, o Especial Macro da ARX entrou no top 5 de setembro, com alta de 0,82%, e com valorização de 11,6% em 12 meses.

Segundo Elisa Machado, economista-chefe da ARX, parte relevante do resultado recente se deve à visão de que as taxas de juros dos títulos públicos negociados no mercado secundário não estavam condizentes com os riscos no cenário, como a significativa desvalorização cambial, a alta das commodities e as discussões sobre a agenda fiscal.

A aposta de que as expectativas para a inflação embutidas nos títulos começariam a subir, materializada por meio de derivativos na B3, gerou bons resultados tanto em agosto como em setembro, afirma a economista.

Após o recente aumento dos prêmios dos títulos públicos, a avaliação da ARX é a de que as taxas já estão mais adequadas ao cenário atual, o que levou a gestora a reduzir as posições na renda fixa.

Segundo a economista-chefe da gestora, diante do momento delicado das últimas semanas, com qualquer pista sobre a evolução das contas públicas no foco quase diário dos investidores, a opção tem sido a de manter uma postura mais conservadora.

A tática se mostrou acertada e ajudou a proteger a carteira da queda de quase 5% do Ibovespa no mês passado.

Com posições em Bolsa menores do que o habitual por entender que a relação entre risco e retorno não é das melhores entre as principais classes do mercado, a gestora tem apostado nos setores mais resilientes da renda variável doméstica, como comércio eletrônico e exportadoras, além dos bancos por uma questão de preço, diz Elisa.

No câmbio, a avaliação da especialista é a de que o dólar já andou demais contra a divisa brasileira, embora a volatilidade deva seguir bastante presente nos próximos meses.

“Por isso, de maneira tática, temos adotado posições vendidas [que apostam na queda] do dólar.”

No campo dos metais precisos, a economista-chefe da ARX conta que a casa chegou a manter nos últimos tempos uma alocação em prata, por entender que o ouro já havia subido demais. Mas agora, após uma alta de quase 30% em dólar, nem mais a prata segue no portfólio do multimercado.

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Fonte: Infomoney

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