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Os nomes de vias e trilhas considerados ofensivos devem ser mudados?

Como pode ser constatado em um episodio recente do MontanhaCast, existe um lastro de racismo nos esportes outdoor. Não somente com afrodescendentes, mas também com índios e outras etnias. Nos EUA a problemática do racismo estrutural chegou ao universo outdoor e, muito provavelmente, irá se espalhar ao redor do mundo.

Por meio das redes sociais mensagens de apoio as comunidades de afrodescendentes e antirracismo, compartilhadas por grande parte da comunidade de escaladores levaram a uma reflexão a respeito da atitude do passado de esportes outdoor. Criou-se então um debate sobre a existência de racismo na escalada, o qual evoluiu a uma campanha destinada a modificar os nomes de vias que poderiam ser consideradas ofensivas em questões raciais, sexuais, religiosas etc.

Por meio de mensagens, também em redes sociais, pessoas da comunidade outdoor brasileira também se manifestou de maneira ambígua sobre o tema. Há quem acredite que é necessário e outros, por algum motivo, que “é um exagero” ou que “é fantasioso”. As mensagens podem ser lidas em todas as redes sociais da Revista Blog de Escalada.

A discussão não ficou somente na escalada. Nomes de trilhas e monumentos naturais também estão sendo avaliados para serem renomeados. No Canadá, por exemplo, a comunidade de escalada de Alberta (província canadense) está fazendo um esforço para mudar alguns nomes controversos para montanhas e trilhas na província.

Nomes sexistas na província como, por exemplo, “Naked Teenage Girls” (garotas adolescente peladas). “Alguns deles são depreciativos, racistas e sexistas“, disse Brandon Pullan, editor da Gripped Climbing Magazine.

A comunidade mostra resistência

Alterar nomes para uma via é algo bastante simples. Ou pelo menos deveria ser, porque o nome de uma via de escalada é nomeado pela primeira pessoa a subir a área. Mas a partir daí mostra uma certa inconsistência a respeito da tão alardeada “comunidade inclusiva”. Para alterar os nomes das vias seria simplesmente entrar em contato com os autores das vias e dos guias e estabelecer um novo nome.

Porém, caso o autor do guia, ou mesmo o conquistador da via, não ser aberto a essa mudança, fica escancarado o tipo de preconceito que pode haver na escalada e no universo outdoor. Isso porque a maneira com a qual a comunidade de escalada, como um todo, enxerga o direito autoral do conquistador torna possível uma situação desconfortável: o autor da via ser resistente a mudar o nome ofensivo, racista ou sexista.

Nomes de vias como “Prechecagem” (Belchior-GO), “Priapismo” (Morro do Cabeludo-GO), “Marvada Bunda” (Pedra do Baú-SP), “A Vaca Gostosa” (Pindamonhangaba-SP), “Japonês Virgem” (Lapa do Seu Antão-MG), “Velha Virgem” (Lapa do Seu Antão-MG), “O Buraco é mais embaixo” (Lapa do Seu Antão-MG), “Secuzinho” (Sítio do Rod-GO), “Capitão do Mato” (Morro de Araçoiaba-SP), entre muitas outras, podem ser interpretadas por alguém mais sensível a algum tema e enender como ofensivo.

Importante lembrar que não importa se você não o considera ofensivo, se alguém o considera, é o suficiente para discutir uma mudança. Isso porque a interpretação do que seria o direito autoral de vias de escalada no Brasil também precisa de compreender que as vias pertence a todos nós, e isso deve incluir seus nomes.

O editor chefe da revista Rock and Ice Andrew Bisharat escreveu um artigo esta semana com o título Between the Lines: It’s Time To Change Offensive Route Names (Entrelinhas: é hora de mudar nomes de vias ofensivas). No artigo, ele diz que “Escalar é algo que pessoas de todas as idades, sexos, raças, religiões e origens gostam. Ano após ano, mais e mais pessoas de partes de nossa sociedade cada vez mais amplia os dados demográficos das pessoas que desfrutam de escalada. Os conquistadores de vias devem se lembrar de que estão fazendo todo esse trabalho para essa comunidade em crescimento. Portanto podem mostrar seu orgulho e respeito por seu ofício de conquistador, tendo um pouco mais de maturidade quando se trata de escolher nomes de rotas”.

Formado em Engenharia Civil e Ciências da Computação, começou a escalar em 2001 e escalou no Brasil, Áustria, EUA, Espanha, Argentina e Chile. Já viajou de mochilão pelo Brasil, EUA, Áustria, República Tcheca, República Eslovaca, Hungria, Eslovênia, Itália, Argentina, Chile, Espanha, Uruguai, Paraguai, Holanda, Alemanha, México e Canadá. Realizou o Caminho de Santiago, percorrendo seus 777 km em 28 dias. Em 2018 foi o único latino-americano a cobrir a estreia da escalada nos Jogos Olímpicos da Juventude e tornou-se o primeiro cronista esportivo sobre escalada do Jornal esportivo Lance! e Rádio Poliesportiva.

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Fonte: R7

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