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Petrobras: por que a falta de novidades em coletiva surpresa gerou alívio para os investidores da estatal

SÃO PAULO – A semana começou já bastante movimentada para o mercado. Por volta das 15h10 (horário de Brasília) desta segunda-feira (27), o Ibovespa, que operava próximo à estabilidade, passou a cair até 0,81%, enquanto os ativos da Petrobras (PETR3;PETR4) viraram para queda, mesmo em um dia de alta para o petróleo.

O motivo? A Petrobras convocou uma coletiva de imprensa para 16h30 (horário de Brasília) desta segunda, o que surpreendeu muitos do mercado, para tratar sobre a política de preços de combustíveis.

A coletiva veio no mesmo dia em que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou ter conversado com o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, sobre como “melhorar ou diminuir” o preço dos combustíveis, um dos principais vilões da atual escalada inflacionária. Isso reacendeu os temores de uma eventual intervenção, ainda que Bolsonaro tenha destacado que não poderia intervir na companhia.

Contudo, posteriormente, o conteúdo da coletiva acabou gerando alívio para os acionistas de Petrobras e também para os mercados em geral, com as ações chegando a subir cerca de 2% após Joaquim Silva e Luna, presidente da estatal, destacar que a companhia não vai mudar política de preços.

Os papéis amenizaram nos últimos minutos da sessão, mas ainda fecharam com ganhos, com PETR3 em alta de 1,56%, a R$ 27,99, enquanto PETR4 teve alta de 0,89%, a R$ 27,14.

Confira os gráficos de desempenho das ações na sessão: 

Ações ordinárias da Petrobras (PETR3)

(Fonte: B3)

Ações preferenciais da Petrobras (PETR4)

(Fonte: B3)

Assim, justo a “falta de novidades” acabou animando as ações. “Não houve nada novo realmente nas declarações, mas foi válido para evitar volatilidade desnecessária”, destacou Henrique Esteter, especialista de Mercados do InfoMoney, afirmando que as falas justamente fizeram com que os investidores deixassem de criar uma expectativa por interferência.

Victor Hasegawa, gestor da Infinity Asset, aponta que a coletiva foi muito em linha com o que o próprio Bolsonaro tinha dito sobre a Petrobras, que ela precisaria explicar os preços, mas que ele não teria como intervir na companhia.

“A ideia da coletiva seria mostrar que não é só ‘culpa’ do governo federal o preço do diesel e da gasolina estar alto na bomba, mostrando especificamente os custos dos tributos estaduais”, avalia.

Desta forma, para o gestor, o saldo da coletiva foi positivo, uma vez que corrobora a sinalização do presidente de não intervenção.

Petróleo em alta

Quanto ao preço da commodity em si, o petróleo deve continuar em trajetória de alta, aponta o gestor. A sessão foi de alta pelo quinto pregão consecutivo para o petróleo no mercado internacional, com ganhos de 1,93%, a US$ 78,72 o barril brent com vencimento em dezembro, enquanto o WTI para novembro teve alta de 1,99%, a US$ 75,45 o barril.

Cabe ressaltar que o Goldman Sachs elevou sua previsão para os preços do petróleo bruto Brent no final do ano de US$ 80 para US$ 90 por barril, já que uma recuperação mais rápida da demanda de combustível da variante Delta e o impacto do furacão Ida na produção levaram a uma oferta global restrita. Os futuros do Brent já tinham atingido uma alta de quase três anos na semana passada, já que as interrupções na produção global forçaram as empresas de energia a retirar grandes quantidades de petróleo dos estoques.

“Isso, por um lado, para as petroleiras, é positivo, mas especificamente para a Petrobras é um sinal de risco, porque o preço do petróleo vai subir e ela vai ter que continuar elevando o preço dos derivados, de gasolina e de diesel [gerando maior pressão sobre ela]”, ressalta Hasegawa.

Na coletiva, a Petrobras também admitiu que os seus preços estão defasados em comparação com o mercado internacional. Por isso, a empresa afirmou que avalia reajustar os valores dos seus derivados de petróleo, conforme destacou Silva e Luna. Ele não detalhou, no entanto, de quanto é a defasagem e a qual produto se referia.

Confira a seguir como é formado o preço da gasolina:

https://www.youtube.com/watch?v=PdcRpAfj7dk

“O patamar elevado do Brent (petróleo negociado na Europa) nos indica necessidade de fazer algum movimento (de preço)”, disse o general, em coletiva de imprensa. “A gente está olhando com carinho a possibilidade de reajuste de preço dos combustíveis. Pontualmente, os preços de alguns derivados estão defasados”, acrescentou o diretor de Comercialização e Logística, Claudio Mastella.

Segundo o executivo, não é possível prever se o preço do litro da gasolina vai permanecer acima dos R$ 7, como acontece em alguns mercados, atualmente. Isso porque os valores cobrados pela empresa seguem as variações do mercado internacional e do câmbio. “O que existe de estrutural hoje e acontece todos os anos é o crescimento sazonal do óleo diesel no hemisfério norte e isso faz com que o preço da commodity suba”, afirmou Mastella.

Para o gestor da Infinity, quando os preços forem reajustados, a tendência é de que os mercados se acalmem um pouco, podendo sinalizar que a ação da Petrobras, no nível de preços atual, está muito descontada. Contudo, ele pondera que este desconto ocorre muito em função do risco político.

Neste sentido, o Morgan Stanley ressalta que, embora os analistas do banco não esperassem neste momento anúncios diferentes aos feitos nesta segunda, acreditam que o debate sobre os preços dos combustíveis está se intensificando, antes de um período delicado, como as eleições presidenciais de 2022.

“Sem uma evolução clara das discussões governamentais sobre um fundo de estabilização de preços de combustíveis ou outras ferramentas potenciais para suavizar os preços dos combustíveis ao consumidor, a Petrobras estará no centro das atenções, tendo que defender a sua posição e política de preços, que tem sido fundamental para os níveis saudáveis ​​e fortes de fluxo de caixa e potenciais distribuições de dividendos à frente”, avaliam Bruno Montanari e Guilherme Levy, analistas do Morgan.

Os analistas do banco americano possuem recomendação equalweight (exposição em linha com a média do mercado) para os ADRs (na prática, os papéis da companhia negociados na Bolsa de Nova York) da Petrobras PBR (equivalente aos ordinários). O preço-alvo é de US$ 12,60, ainda um potencial de alta de 20,6% em relação ao fechamento desta segunda-feira.

Sobre o impacto na inflação, a equipe de análise macroeconômica da XP ressalta que a defasagem da gasolina está em 13,7% e do diesel em 12,9%. Para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), com reajustes nessas magnitudes, levando em consideração o peso e o repasse para consumidor final, o impacto chegaria a 0,26 ponto percentual no índice do ano. “A nossa projeção de IPCA em 2021 é de 8,4% e poderia ficar próxima de 8,7%”, destacam.

Sobre GLP

Durante a coletiva, Silva e Luna disse ainda que não cabe à Petrobras subsidiar o preço do GLP, o gás de cozinha, e que esse seria um “tema de governo”, embora a empresa participe do debate sobre possíveis soluções para o problema.

O botijão de 13 kg, largamente consumido pela população de baixa renda, chega a custar mais de R$ 100 em algumas cidades.

Segundo o presidente da estatal, a contribuição social e econômica da empresa vem de seus programas internos, da geração de emprego e da distribuição de royalties e dividendos.

O CEO argumentou ainda que a Petrobras é uma empresa de economia mista, ou seja, apesar do controle estatal, possui ações em bolsa. “Temos olhos acompanhando todas as nossas ações. Isso dá um conforto para o nosso trabalho e para a sociedade”, disse.

(Com Estadão Conteúdo)

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Fonte: Infomoney

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