Pochmann: PT reverá venda de ativos da Eletrobras e acordo Embraer/Boeing

Coordenador da campanha disse que eventual primeiro ano de mandato de Lula seria marcado ainda pela criação de um fundo de investimentos para infraestrutura

Por
Iuri Dantas e Eduardo Simões, da Reuters

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24 jul 2018, 16h06

São Paulo – O recente acordo entre Embraer e Boeing e eventuais vendas de ativos da Eletrobras e da Petrobras que saírem do papel serão revistos num governo do PT a partir de 2019 por questões estratégicas, ao mesmo tempo que um fundo com parte das reservas internacionais será montado para financiamento de projetos de infraestrutura.

As informações foram dadas à Reuters por um dos coordenadores da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à Presidência, o economista Márcio Pochmann, que definiu o acordo entre as duas gigantes da aviação como “inviável”.

“O acordo com a Boeing significa o desaparecimento da Embraer, não tem garantia alguma que ela vai ficar no Brasil, pelo contrário, e toda a tecnologia militar tende a desaparecer”, afirmou o economista em entrevista, no final da tarde de segunda-feira.

De acordo com Pochmann, a complexidade do sistema elétrico nacional e a importância das estatais para investimentos públicos exigem que não sejam tratadas “como uma empresa como qualquer outra”. O governo do presidente Michel Temer pretende vender seis distribuidoras da Eletrobras neste ano, sendo que o leilão da Cepisa está marcado para está quinta-feira.

“Essas empresas, na verdade, o tema sob o qual elas estão inseridas, não nos permite avaliar apenas e tão somente pela ótica empresarial.”

No início do mês, Embraer e Boeing anunciaram um acordo prévio sob o qual a norte-americana vai assumir o controle da divisão de aviação comercial da empresa brasileira por meio da criação de uma joint-venture de 4,75 bilhões de dólares e que enfrentará a parceria da Airbus com a Bombardier.

O eventual primeiro ano de mandato de Lula também seria marcado ainda pela criação de um fundo de investimentos, composto por cerca de 10 por cento das reservas internacionais, contribuição de bancos públicos e debêntures, para financiamento de projetos de infraestrutura e retomada do crescimento.

Com o nível atual das reservas, na casa de 380 bilhões de dólares, o fundo teria inicialmente cerca de 38 bilhões de dólares, ou 140 bilhões de reais.

Preso em Curitiba há mais de 100 dias por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, Lula permanece líder nas intenções de voto da população, segundo todos os institutos de pesquisa, mas o Tribunal Superior Eleitoral ainda não decidiu se ele está inelegível pela Lei da Ficha Limpa, que impede candidaturas de condenados em segunda instância.

Se a Justiça eleitoral não aceitar o registro de Lula, Pochmann disse que o candidato a substituí-lo será do próprio partido e um “preposto” do ex-presidente, de modo a permitir a transferência de votos do petista.

(Reportagem adicional de Christian Plumb)

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Fonte: Exame

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