“Preconceito é o medo do desconhecido” – Notas – Glamurama

O ator já trabalhou em Escrava Mãe e O Outro Lado do Paraíso // Crédito: Instagram

Com alma livre, Pedro Carvalho costuma dizer que o Brasil o buscou em Portugal. É que trabalhar no nosso país foi algo inesperado, que aconteceu em 2015, quando ele foi convidado a interpretar o mocinho Miguel em ‘Escrava Mãe’, novela da TV Record. Em Portugal, o ator já havia trabalhado em mais de 13 novelas, além de peças teatrais e cinema. Porém, Pedro, 34 anos, revela que já se sente em casa no Brasil e pretende ficar por aqui. “Quero continuar fazendo essa ponte aérea e estou focado na minha carreira por aqui, inclusive comecei a fazer fono para amenizar o sotaque e aumentar o leque de personagens”, diz ele, que, diferente do Abel de ‘A Dona do Pedaço’, tem um sotaque muito leve. Depois de ‘Escrava Mãe, Pedro foi para a Globo. Seu primeiro papel na emissora foi em ‘O Outro Lado do Paraíso’, em que vivia o vilão Amaro. Agora, apesar de fazer parte do núcleo de comédia, está envolvido em um assunto dos mais atuais e sérios: a transfobia. Abel é um doceiro bem ingênuo e careta que se apaixona por Glamour Garcia, uma transexual, sem saber. “Acredito que as novelas, junto com os atores, precisam tentar educar o público. O preconceito é o medo do desconhecido, mas é possível ensinar as pessoas, falar de respeito. Na minha opinião, a diferença do outro é a maior qualidade que ele pode ter”. Conheça melhor o português Pedro Carvalho, que bateu um papo bem legal com Glamurama.

Glamurama: Quando e como você começou a sua carreira de ator em Portugal?
Pedro Carvalho: Já faz tanto tempo… Comecei com 16 anos, mas nessa época eu fazia moda, principalmente desfile e fotografia, só que sabia que não era exatamente aquilo que queria. Sempre fui muito ligado à arte: teatro, design, desenho… Então fiz um teste para um filme que era uma colaboração entre Portugal e França, e passei. Em seguida, aos 17, fiz um teste para a novela ‘Morangos Com Açúcar’, que é parecida com a ‘Malhação’, e fui o protagonista da 4ª temporada. Enquanto isso, fiz faculdade de Arquitetura e também Artes Cênicas. Ao todo, já fiz 13 novelas em Portugal, além de teatro e também dublagens, como ‘As Crônicas de Nárnia’, ‘Encantado’ e ‘Piratas do Caribe’.

G: E como você veio parar no Brasil?
PC: Assinei contrato com a maior emissora de Portugal, que é como a Globo aqui. Em 2015, passei por uma ótima fase por conta da trama ‘Remédio Santo’, que foi indicada ao Emmy, e venceu dois prêmios de melhor telenovela no Troféu TV 7 Dias. Então surgiu o convite de fazer ‘Escrava Mãe’ no Brasil, ao lado da atriz Gabriela Moreyra, e eu não pensei duas vezes. Desde então sigo nessa ponte aérea entre os dois países.

G: Depois de 4 anos entre Brasil e Portugal, você já se sente brasileiro?
PC: Costumo dizer que tenho alma cigana e já me sinto em casa. Quero continuar fazendo essa ponte aérea e estou focado na minha carreira no Brasil, inclusive comecei a fazer fono para amenizar o sotaque e aumentar o leque de personagens. Nas novelas que fiz aqui, sempre interpretei portugueses, e quero sair disso, ampliar.

G: Qual a diferença entre viver no Brasil e Portugal, e do que você mais sente falta?
PC: Sinto falta da minha família, amigos, do meu cachorro, mas também tenho a minha família brasileira com pessoas que me apoiam. Hoje em dia conseguimos matar a saudade pela internet. Também existem diferenças no clima. No Rio de Janeiro, onde moro, é sempre verão, e isso é muito diferente da Europa, que tem as quatro estações bem definidas ao longo do ano. O idioma é parecido. Além disso, acho o povo brasileiro mais espontâneo e livre. Os fãs aqui no Brasil sempre abordam, pedem foto. Lá em Portugal não é assim.

G: Trabalhar no Brasil era um sonho ou foi o acaso que te trouxe?
PC: Sou um cara que adora traçar metas e eu sabia que quando chegasse aos 29 ou 30 anos, queria internacionalizar a carreira. De início, pensei na Espanha porque sou fluente no idioma. Quando adolescente, procurei me especializar por lá, na mesma escola para atores em que Javier Bardem estudava. O Brasil também estava na lista, mas foi o acaso que me trouxe pra cá. Gosto de dizer que o Brasil me buscou em Portugal.

G: E as novelas brasileiras: como é a relação de Portugal com as nossas produções?
PC: O mercado português de novelas e séries cresceu bastante, mas sempre assistimos muito às novelas brasileiras e amamos. ‘A Dona do Pedaço’ está passando lá e é um sucesso. Quando era jovem, lembro de ver ‘Rei do Gado’, ‘Tieta’, ‘Chocolate com Pimenta’, e várias outras.

G: Em ‘A Dona do Pedaço’ seu personagem faz parte do núcleo cômico. Já tinha feito trabalhos na comédia?
PC: Já sim, mas fiz comédia mais no teatro do que na televisão. Nas novelas sempre fui o mocinho, só que em determinada altura comecei a querer fazer outros personagens. O melhor é que aqui no Brasil, fiz três trabalhos bem distintos. Em ‘Escrava Mãe’ eu era um mocinho, em ‘O Outro Lado do Paraíso’, um vilão que passou por uma reviravolta, e em ‘A Dona do Pedaço’ estou na pele do Abel, um playboy de bom coração, mas bem quadrado em algumas opiniões.

Abel e Glamour de “A Dona do Pedaço” // Divulgação

G: Seu personagem está envolvido com um assunto atual e delicado: a transfobia. Como trabalha isso na novela?
PC: Estou muito feliz de ser porta-voz dessa história. A Glamour é incrível, temos muita química e acho que isso o público consegue perceber. Logo de cara nos demos bem, então sempre nos divertimos durante as gravações. Falar sobre esse assunto é importante. E acho ótimo fazer isso de forma mais leve. É claro que existe cena de preconceito, bullying, transfobia, não tinha como deixarmos isso de fora porque é a realidade. Acredito que as novelas, junto com os atores, podem educar o público. O preconceito é o medo do desconhecido, mas é possível ensinar as pessoas, falar de respeito. Na minha opinião, a diferença do outro é a maior qualidade que ele pode ter.

G: Você já sabe como o Abel vai lidar com a descoberta da real sobre Glamour?
PC: Ainda não sei como ele vai lidar. Vai ser uma surpresa até para mim, mas espero que ele lide bem. Estou na torcida para que os dois fiquem juntos no final, eles são incríveis e merecem isso. Gosto de pensar que o amor consegue superar tudo. Mas, como toda história de romance, vai ter seus altos e baixos.

G: Por morar no Brasil, você acompanha a política daqui?
PC: Eu acompanho porque me interesso pelo assunto, mas sou cidadão português. Mesmo assim, fico triste por essa fase e por tantas coisas acontecendo. O Brasil é um país lindo e o povo é cheio de esperança. Espero que melhore.

G: Tem outros planos para cá?
PC: Quero fixar a minha carreira aqui. Por enquanto, estou focado na novela. Depois, vou tirar um tempo para treinar o sotaque. Pretendo seguir nessa ponte aérea com Portugal. (por Jaquelini Cornachioni)

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Fonte: Glamurama

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