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quais ações devem se beneficiar mais?

(Getty Images)

SÃO PAULO – O Brasil ainda enfrenta números bastante desoladores com a pandemia do coronavírus, registrando mais de 420 mil mortes pela Covid-19 e com um processo de vacinação ainda lento na comparação com outros países, notoriamente os mais desenvolvidos.

Contudo, com a expectativa de aceleração na vacinação, associada à maior resiliência da atividade mesmo em meio aos momentos de piora da pandemia e redução do auxílio do governo, economistas e estrategistas de mercado têm mostrado maior otimismo com a atividade do país em 2021, principalmente a partir do segundo semestre.

Na última segunda-feira, economistas do mercado financeiro elevaram a expectativa para a economia para este ano de alta de 3,14% para elevação de 3,21%, de acordo com Relatório de Mercado Focus. Há quatro semanas, a estimativa era de 3,08%. Para 2022, o mercado financeiro alterou a previsão do PIB de alta de 2,31% para 2,33%.

Com uma previsão ainda mais otimista do que o consenso, a XP revisou a projeção para o crescimento do PIB este ano de 3,2% para 4,1%, e de 1,8% para 2,0% no ano que vem. Na véspera, o Credit Suisse elevou a projeção para o PIB de 3,2% para R$ 3,6% em 2021, destacando que a recuperação do lado da oferta, assim como uma demanda externa muito robusta, devem ser os principais catalisadores de crescimento para o ano. A expectativa para 2022 também foi revista de 2,4% para 2,5%.

Os economistas da XP apontam que os ativos brasileiros vêm passando por uma descompressão, com as fontes de risco que pressionaram no primeiro trimestre registrando alívio a partir de abril. O teto de gastos ficou (novamente) sob forte pressão com a crise do orçamento, mas acabou sendo preservado – ainda que às custas de uma má alocação das despesas discricionárias. A alta dos preços das commodities, em linha com a perspectiva de recuperação global, também é um fator positivo.

Para a XP, contudo, a expectativa de recuperação relativamente rápida da atividade econômica no curto prazo tem como hipótese fundamental a continuidade da melhoria dos indicadores relativos à pandemia. O que, por sua vez, depende de avanços no programa de vacinação da população.

Sobre o tema, as expectativas são positivas: “nossas contas sugerem que a disponibilidade de vacinas a partir de maio será muito superior ao total observado nos primeiros meses de 2021. Por exemplo, esperamos 80 milhões de doses em maio e junho, superando os 72 milhões disponíveis entre janeiro e abril”.

Caso a expectativa de aceleração na aplicação de doses se materialize, a reabertura gradual da economia brasileira deve prosseguir, permitindo uma recuperação consistente do setor de serviços – sobretudo dos serviços prestados às famílias – na segunda metade do ano, levando o PIB total a expandir cerca de 1% na comparação trimestral (em média) no terceiro e quarto trimestres.

Também com uma visão mais otimista, o banco suíço UBS destacou que a atividade econômica brasileira pode se normalizar no mais tardar em outubro, ao fazer projeções sobre o ritmo de vacinação.

De acordo com os economistas Alexandre de Azara e Fabio Ramos, a chamada imunidade de rebanho clássica, de pouco mais de 70% da população, pode ser atingida até o fim do ano levando em conta a hipótese conservadora de que pessoas com 20 anos ou mais sejam vacinadas.

Contudo, a retomada pode acontecer com a imunização de brasileiros acima de 30 anos, de forma a aliviar o sistema de saúde e liberar o funcionamento de atividades que dependem de maior aglomeração. O grupo corresponde a  56% da população, o que pode ser considerado a “imunidade de rebanho efetiva” no país na avaliação do banco. Com a visão de que o grupo deve receber as duas doses da vacina até setembro, a expectativa é de retomada ao “velho normal” no início do quarto trimestre.

Ações para ganhar com a reabertura

Andre Carvalho, Rodolfo Ramos e Fernando Cardoso, estrategistas do Bradesco BBI, também estão mais construtivos em relação ao processo de vacinação no país.

Os estrategistas apontam que a maioria dos países da América Latina segue atrasada na comparação com os Estados Unidos e com os maiores países da União Europeia (UE) na reabertura e normalização de suas economias. Enquanto os países desenvolvidos têm reduzido materialmente o número de mortes desde o primeiro bimestre deste ano, os latino-americanos (com exceção do México) vêm registrando números próximos ao pico.

No entanto, os estrategistas também esperam que esse cenário mude drasticamente nos próximos meses. Assim, avaliam, uma combinação de redução de risco e métricas de avaliação atraentes pode desencadear um melhor desempenho dos mercados acionários nestas regiões.

No caso específico do Brasil, a avaliação é de que o país poderá passar de uma situação de saúde dramática para a reabertura e recuperação econômica mais forte.

“Esperamos que o Brasil vacine seus grupos prioritários até junho, aproximadamente 60% de sua população até setembro e cerca de 73% até dezembro de 2021. Em nosso cenário-base, o Brasil administrará 30 milhões de vacinas por mês, mas terá uma média acima de 50 milhões de vacinas por mês de maio a dezembro de 2021. Portanto, vemos possibilidade de um ritmo mais rápido de vacinação no Brasil”, apontam os estrategistas. Na opinião de Carvalho, Ramos e Cardoso, a economia brasileira atingiu o seu ponto mais baixo em março de 2021 e começou a se recuperar em abril – assim, o processo de vacinação impulsionará uma recuperação econômica e normalização mais expressivas na segunda metade do ano.

Com esse cenário se desenhando, eles destacam alguns setores altamente expostas à reabertura e normalização das economias. Dentre eles, os setores de vestuário, calçados, alimentação fora de casa, shoppings, rodovias, concessionárias de aeroportos, distribuição de combustíveis, companhias aéreas e turismo. “Nos próximos anos, as melhores histórias de crescimento de lucros podem estar relacionadas à reabertura das economias”, apontam.

Alguns destaques positivos em relação à taxa de crescimento médio anual ponderado (CAGR, na sigla em inglês) de lucro por ação entre 2021 e 2023 seriam empresas como Lojas Renner (LREN3) e C&A (CEAB3) no varejo de vestuário e lojas de departamento e Alpargatas (ALPA4) no setor de calçados.

Já Multiplan (MULT3) e Aliansce Sonae (ALSO3) estariam em destaque entre os shoppings, enquanto CCR (CCRO3) e Ecorodovias (ECOR3) seriam boas opções no setor de rodovias entre as ações brasileiras.

Os estrategistas, contudo, possuem as ações de Renner, Alpargatas, Iguatemi, Ecorodovias e BR Distribuidora em sua carteira para a América Latina.

Lojas Renner, por sinal, também está entre as apostas do Bank of America e do Morgan Stanley de ações para ganhar com a tese de reabertura, sendo que o Morgan também conta com os ativos de CCR e o BofA aposta em BR Distribuidora.

“Adicionamos a Lojas Renner [na tese de ações que ganham com a reabertura], uma vez que a companhia é beneficiária de um setor fragmentado, enquanto a mudança na indústria deve acelerar a consolidação do mercado. Os esforços de digitalização também podem ser catalisadores de longo prazo”, aponta a equipe de análise do BofA. Cabe destacar que a Renner levantou R$ 3,98 bilhões em oferta de ações no fim de abril, gerando especulações sobre possíveis aquisições no setor de varejo de vestuário, um dos mais afetados pela pandemia.

Destacando o noticiário de fusões e aquisições e avaliando vestuário como o segmento que deve voltar aos holofotes no pós-pandemia –  por conta da demanda reprimida pela categoria e fácil base de comparação após prejuízos e/ou fortes quedas dos lucros em 2020 -, a XP destaca o Grupo Soma (SOMA3) como o preferido dentre os papéis do setor para se posicionar durante a retomada. A recomendação de compra e o preço-alvo é de R$ 17,00.

Os analistas Danniela Eiger, Thiago Suedt e Gustavo Senday apontam que, após a companhia incorporar a Cia. Hering (HGTX3), ela se tornará a segunda maior empresa de vestuário listada na Bolsa brasileira, trazendo também uma maior liquidez para o papel. Além disso, “tendências de moda se destacam em momentos pós crise e enxergamos o Grupo Soma bem posicionado para se beneficiar deste movimento. Dentre as tendências que acreditamos que ganharão força no novo normal estão as peças de tecidos confortáveis ​​e leves, roupas casuais e coloridas/divertidas, tendências que se encaixam muito bem com a proposta de valor do Grupo”, avaliam os analistas. O Grupo Soma é dono de marcas como Farm e Animale.

Entre outros segmentos do varejo, Assaí (ASAI3) aparece como uma opção de proteção na visão da XP. Isso porque, embora o setor possa sofrer à medida que os consumidores voltam a comer fora de casa, o segmento de atacarejo é uma boa alternativa por conta da recuperação da demanda de pequenas empresas/negócios e também porque deve capturar a mudança de canal dos consumidores, que buscarão por uma opção de melhor custo/benefício. A recomendação é de compra, com preço-alvo de R$ 120 por ação ao final de 2021.

Já o e-commerce sai dos holofotes, enquanto a competição permanece feroz: por essa ótica, os analistas da XP preferem empresas que operam em segmentos de nicho, com destaque para a Enjoei (ENJU3. Isso pois, além de estar exposta à categoria de vestuário, também está protegida (e potencialmente até se beneficia) de um ambiente econômico mais complexo, uma vez que oferece preços mais acessíveis e um fluxo de receita adicional para os consumidores/vendedores. A recomendação é de compra, com preço-alvo de R$ 15 por ação ao final de 2021.

Em sua carteira de estratégia, o BofA também incluiu a BR Distribuidora na lista tendo em vista a recuperação de volumes e iniciativas de redução de custos. Por outro lado, os estrategistas apontam que continuam cautelosos com algumas das histórias de recuperação, como serviços, companhias aéreas e shoppings. Sobre o último setor, os analistas destacam que o momentum para alta de lucro segue fraco.

Os estrategistas do BofA também apontam que a contínua recuperação global sugere que os nomes de empresas de valor podem apresentar desempenho superior este ano. Assim, mantêm as alocações em grandes bancos no Brasil, como Bradesco (BBDC4) e Itaú (ITUB4).

“Embora reconheçamos os riscos das fintechs para os números das instituições financeiras, vemos o ímpeto dos ganhos, valuation barato e o desempenho inferior no acumulado do ano como fatores de alta. Também temos exposição a commodities, pois nossos analistas acreditam que os preços devem permanecer favoráveis”, citando JBS (JBSS3), BRF (BRFS3), Vale (VALE3) e Klabin (KLBN11) entre as companhias brasileiras.

Apesar da visão positiva, a recomendação para o Brasil dentro do portfólio de América Latina é marketweight (exposição em linha com a média do mercado). “A economia está reabrindo gradualmente e a agenda de reformas está avançando. No entanto, o ruído político aumentou e a percepção em relação às empresas públicas piorou”, apontam.

Depois da tempestade perfeita…

O Morgan Stanley aponta que o consumidor brasileiro parece enfrentar uma tempestade perfeita no primeiro semestre de 2021, com as restrições de mobilidade associadas à Covid e os bloqueios decorrentes, espaço limitado para estímulos fiscais e aperto monetário devendo afetar o consumo privado; o banco projeta uma queda sequencial de 3,7% do consumo no primeiro trimestre de 2021.

Para os estrategistas, a retomada do auxílio emergencial a partir de abril e o uso da poupança das famílias podem amortecer queda do consumo do segundo trimestre. Ainda assim, na maior parte da primeira metade do ano, o resultado ficará abaixo do segundo semestre de 2020, não sendo surpresa que o consumo privado deva apresentar contração em todo o semestre (queda de 2,1%).

“Esperamos que o consumo das famílias volte a crescer de forma sustentável na segunda metade do ano (alta de 2,8%). A partir daí, o mercado de trabalho, cuja recuperação estagnou em fevereiro com a população ocupada ainda 8% abaixo dos níveis pré-pandêmicos, deve ter uma retomada mais significativa”, avalia o Morgan.

Neste cenário, as empresas favoritas do Morgan para ganhar com o tema da reabertura, além de CCR e Renner, são Cyrela (CYRE3), Iguatemi (IGTA3) e Notre Dame Intermedica (GNDI3).

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Fonte: Infomoney

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