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Qual é a diferença entre analista, assessor de investimento e broker?

(Getty Images)

Dúvida do leitor: Eu sei que eles cuidam dos investimentos, trabalham em corretoras e bancos, mas qual é exatamente a diferença entre analista, assessor de investimentos e broker?

Resposta de Bianca Juliano*:

As profissões no mercado financeiro também são recheadas de jargões e sopas de letrinhas, que em nada deixam a desejar em relação ao universo dos investimentos e dos conceitos econômicos. Mas vamos explicar e desmistificar esse emaranhado de informações.

Analista é o profissional que pode emitir opinião, por meio de análises sobre investimentos. Ele pode recomendar ou não a compra ou venda de um certo ativo, seja uma ação, um título de renda fixa ou qualquer outro tipo de aplicação financeira.

Ele apoia com suas análises a tomada de decisão de diversos investidores e de outros profissionais do mercado. Mas, para desempenhar essa atividade, ele precisa da Certificação Nacional dos Profissionais de Investimentos (CNPI), emitida pela Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais (Apimec). Você vai notar que nesse mercado existem diversas certificações, exigidas de acordo com a atividade.

O analista é um profissional bem analítico, estudioso, que gosta muito de ler, de interpretar dados, balanços patrimoniais de empresas e adora cálculos.

É à luz das recomendações dos analistas que outros profissionais do mercado atuam, como o assessor de investimentos e o broker. Ambos, por cumprirem uma função de distribuição de investimentos no mercado, não podem recomendar a compra ou venda de ativos, emitir relatórios de análise e documentos similares, por questões regulatórias. É por isso que eles fazem uso do trabalho dos analistas.

Perceba que todas profissões se relacionam e se conectam de alguma forma.

O assessor e o broker são profissionais, portanto, que distribuem investimentos e podem atuar de duas formas (a segunda eu explico lá na frente), sendo a primeira delas como agentes autônomos de investimentos, vinculados a escritórios de agentes autônomos. Nesse caso, precisam ter a Certificação de Agente Autônomo de Investimentos (AAI), da Associação Nacional das Corretores de Valores (Ancord).

Diferença entre assessor de investimentos, analista e broker
(Leo Albertino/InfoMoney)

Mas você pode estar se perguntando, então, qual é a diferença entre o assessor e o broker se a certificação é a mesma para atuar nesse formato como autônomo?

Imagine a certificação, nesse caso, como uma carteira de motorista: você tem a habilitação para dirigir, pode dirigir, mas o que vai fazer dirigindo, você define na sequência, de acordo com o seu gosto e as suas afinidades, por exemplo, se vai usar o carro a passeio, para trabalhar, etc.

Outra boa analogia é a carteira da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Ela autoriza o profissional a trabalhar como advogado, mas ele pode seguir inúmeras especialidades – tributarista, trabalhista, criminal etc. A certificação de AAI, da Ancord, funciona da mesma forma. Assessor ou broker são especialidades e funções diferentes, mas ambos passam pela mesma certificação.

O assessor cobre todas as classes de investimentos e sugere a alocação e diversificação de ativos ao cliente, de acordo com seu perfil, seus objetivos e as suas necessidades. Para sugerir a alocação, ele também considera a situação de mercado e as recomendações dos analistas.

O assessor carrega em sua “maleta de ferramentas” um conhecimento técnico sobre a estratégia de investimentos, a chamada de alocação de recursos ou asset allocation, bem como conhecimento sobre todas as classes de investimentos e precisa saber ouvir muito bem para identificar as necessidades do cliente e sua capacidade de exposição ao risco.

Já o broker tem um trabalho mais focal. Broker significa corretor em inglês, ou seja, ele é a pessoa que conecta pessoas interessadas em comprar, com pessoas interessadas em vender ativos no mercado de capitais.

Também é conhecido como operador de mesa. Seu foco maior é nas operações de curto prazo, geralmente. Muito em alta, os brokers de renda variável, realizam operações de compra e venda de ações para seus clientes. Esse profissional também oferece aos clientes as operações indicadas pelos analistas.

Ele precisa ter vasto domínio operacional do mercado de capitais e da Bolsa, se for broker de renda variável. Precisa ser ágil, pois os movimentos do mercado são muito rápidos, se comunicar bem, ter muito foco na execução das operações e saber lidar bem com adversidades devido, principalmente, às oscilações de mercado, crises, etc.

Podem existir brokers de vários tipos de ativos, é uma atividade bem especializada, geralmente o broker atua sempre mais concentrado em um tipo de investimento, ações, opções, commodities, renda fixa, etc.

Se esses profissionais forem atuar como funcionários de corretoras de valores, que é a segunda forma de vínculo e trabalho, além de AAI, as exigências regulatórias são outras.

Para assessores será exigida a certificação CPA-20, da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), na maioria dos casos. Isso também pode depender do segmento de clientes que o assessor atenderá e das exigências da corretora contratante. Se ele for atuar como broker na corretora, a exigência será a Certificação do Programa de Qualidade Operacional (PQO Operacional), da B3, a bolsa de valores brasileira.

Estamos falando aqui de três profissões que estão crescendo muito com a evolução de nosso mercado e são muito promissoras. Com a situação econômica atual do país e a queda histórica da taxa básica de juros, a Selic, os investidores individuais estão cada vez mais buscando a Bolsa e profissionais especializados em investimentos. Eles precisam arrojar seus investimentos para continuar ganhando um rendimento compatível com os altos juros proporcionados pelos investimentos mais conservadores nos últimos anos.

Nesse movimento, também existe uma forte migração de clientes dos grandes bancos tradicionais para as corretoras especializadas em investimentos, que possuem plataformas mais modernas, maior variedade de produtos, além de taxas mais atraentes.

Vale lembrar que para trabalhar no mercado financeiro é sempre muito importante intensidade, resiliência, foco e conhecimento técnico sobre investimentos. Recomendamos estudar, se preparar e se atualizar constantemente!

Para facilitar ainda mais, preparamos este outro infográfico para você ver como as profissões se relacionam. Espero que gostem!

(Leo Albertino/InfoMoney)

Quer tirar alguma dúvida sobre carreira? Envie sua pergunta para o e-mail carreira@infomoney.com.br. A próxima resposta dos nossos especialistas pode ser a sua!

*Bianca Juliano é formada em administração e é especialista em carreiras do mercado financeiro, educação online e processos de gestão e liderança. Sócia da XP Inc. e há 14 anos na companhia, estruturou processos de gestão e performance em toda a rede de distribuição B2B (entre empresas), fundou a área de gestão e performance de escritórios e hoje é responsável pela escola de MBAs do grupo, a Xpeed School Pro.

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Fonte: Infomoney

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