qual é a visão dos analistas para a ação da companhia após os leilões do pré-sal?

SÃO PAULO – Tido como um dos eventos mais importantes para a Petrobras (PETR3;PETR4) em 2019, o megaleilão da cessão onerosa ocorrido na quarta-feira (8) gerou frustração com a ausência dos estrangeiros e fortes emoções para os acionistas da estatal brasileira, com as ações registrando fortes variações a cada lance que a estatal dava. O movimento se prolongou na sessão seguinte, quando houve um novo leilão do pré-sal, ainda que a valores mais módicos, com ambos sendo dominados pela estatal.

Os leilões frustraram pela falta do apetite de estrangeiros (veja mais clicando aqui). Apesar disso, a tese de investimentos nas ações entre os analistas da Petrobras não sofreu grandes alterações em relação ao momento pré-leilão, com a visão geral seguindo bastante positiva – mesmo havendo algumas questões sobre alavancagem da empresa depois dos certames. Desde quarta, por sinal, os ativos PN da companhia subiram 3%.

Depois dos leilões, Bradesco BBI, Citi, Itaú BBA, Credit Suisse e XP Investimentos reiteraram recomendação equivalente à compra dos ativos PETR4.

Vale destacar que, das 14 casas de análise que cobram Petrobras, de acordo com compilação feita pela Bloomberg, 13 recomendam compra do ativo, mesmo número de antes do evento. Apenas uma casa recomenda a manutenção dos papéis. As estimativas para o preço-alvo dos ativos PETR4 também não sofreram alteração, com uma média de R$ 30,40, praticamente em linha com a cotação atual dos ativos.

Apesar de não haver grandes mudanças nos modelos de avaliação dos ativos, os analistas destacaram que os leilões deram indicações bastante importantes sobre a atuação da estatal e traçaram expectativas sobre o futuro da estatal pós-leilão.

A visão geral é de que a companhia deve diminuir o ritmo de sua desalavancagem no curto prazo, uma vez que gastou mais do que o esperado nos leilões – ainda mais com a falta de parceiros -, mas que pode se beneficiar no longo prazo com os frutos destes investimentos.

Na quarta-feira, logo após a companhia arrematar o campo de Búzios com um bônus de R$ 68,194 bilhões, em um consórcio em que tinha 90% em parceria com as estatais chinesas Cnodc e Cnooc (ambas com uma participação de apenas 5% cada uma), as ações saíram de uma alta de 3% para uma queda de 5%, para depois amenizarem os ganhos.

Isso porque a Petrobras entrou com uma participação bem acima da mínima de 30% que ela tinha por ter exercido o direito de preferência. Ela também arrematou sozinha o bloco de Itapu com um bônus de R$ 1,76 bilhão.

Assim, apenas no primeiro dia, o desembolso seria de mais R$ 28,5 bilhões do que os analistas e investidores estavam esperando (R$ 63 bilhões ante expectativa de R$ 34 bilhões, que já viriam do aditivo recebido do governo no contrato de cessão onerosa).

Isso deve levar, no curto prazo, a alavancagem a subir de 2,6 vezes no terceiro trimestre de 2019 para 2,8 vezes, segundo cálculos feitos pela equipe de análise do Itaú BBA.

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No médio prazo, apontam os analistas, a Petrobras terá que dedicar uma parcela maior de seu fluxo de caixa a investimentos e haverá um retorno no caixa muito menor. Nesse sentido, seria de esperar um atraso em pagamentos mais altos de dividendos da Petrobras, pelo menos nos próximos anos.

Porém, conforme aponta Regis Cardoso, analista do Credit Suisse, o balanço final do leilão é positivo: “Búzios é um dos melhores campos do pré-sal, com alta produtividade e baixos intervalos de produção”.

O Bradesco BBI também aponta que o bloco foi arrematado tendo que conceder o valor mínimo de óleo para a União, o que tornam os ativos como de alto valor agregado para a Petrobras Ele aponta que as áreas arrematadas podem angariar um valor entre R$ 1,90 a R$ 4 para os ativos PETR4. O preço-alvo do banco para os ativos PETR4 é de R$ 38, o que corresponde a um potencial de valorização de 24% frente os valores negociados nesta sexta.

O Itaú BBA reforçou ainda a visão de que a companhia alocou corretamente o capital para adquirir e desenvolver mais reservas com potencial de gerar retornos que agreguem valor à companhia.

“Búzios já está em desenvolvimento pela Petrobras, que possui um conhecimento incomparável da parte econômica e das características do campo”, apontam os analistas, que preveem que o campo renda um retorno real de 12,8% em um cenário de petróleo a US$ 65 por barril. Para a companhia, aliás, o risco era visto como assimétrico, já que a estatal tem conhecimento prévio sobre o campo.

Quinta também com sinalizações positivas

Desta forma, Búzios (arrematada na quarta), foi a estrela dos leilões. Mas o fato de, na quinta-feira, a companhia não ter feito oferta em dois blocos em que ela tinha direito de preferência (Sudoeste de Sagitário e Norte de Brava), levando somente o bloco de Aram por um bônus de R$ 5 bilhões em parceria com a CNODC, gerou um ânimo adicional para os investidores.

A decisão de não fazer lances por eles ocorreu por conta da maior exposição da Petrobras nos leilões da cessão onerosa, na 16ª Rodada de licitações na ANP sob regime de concessão, em que a companhia, em consórcio com a BP, arrematou uma área na Bacia de Campos por R$ 1,43 bilhão.

Assim, somente na quinta, as ações da Petrobras encerraram o pregão com ganhos de 3%, justamente pela visão de que a companhia segue agindo com cautela para realizar investimentos. Isso mostra que ela segue uma das teses basilares para os analistas seguirem com uma visão positiva para a estatal: o foco em eficiência e em desalavancagem.

Desta forma, mesmo com um leve desvio de rota no ritmo de redução da dívida da Petrobras, é quase unânime a visão positiva com a companhia. Os campos adquiridos por ela, por sinal, guiam uma projeção ainda mais otimista com a produção da estatal – mas os frutos devem começar a ser colhidos bem mais à frente.

Fonte: INFOMONEY

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