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Quem é o escalador favorito à primeira medalha de ouro na Olimpíada?

Tomoa Narasaki. Decore este nome, porque você vai escutar muito dele no próximo ano.

Na cobertura jornalística esportiva, em especial o futebol, vários profissionais usam a expressão “correndo por fora”. “Correr por fora”, é, em poucas palavras, conseguir realizar algo sem que muitas pessoas tenham conhecimento e chegar na frente em uma determinada situação. Esta talvez seja a melhor definição para explicar porque o atleta japonês Tomoa Narasaki é o grande favorito, para ganhar a medalha de ouro em Tóquio 2020.

Inegavelmente, o grande escalador esportivo do momento (ao menos em escalada em rocha) é o tcheco Adam Ondra. O público em geral, especialmente que acompanha notícias do esporte somente pelas manchetes, o considera o grande favorito e que é um “desperdício de trabalho” fazer uma eliminatória para classificá-lo. Houve quem afirmasse que “era certeza” que Ondra seria dos primeiros classificados.

Porém em Hachioji, no Japão, sob pressão da expectativa e uma possibilidade mínima de acontecer qualquer erro, o grande favorito Adam Ondra não correspondeu às expectativas. Com uma performance pífia nas finais de boulder, quando não tirou os pés do chão e sequer chegou à zona de pontuação nas linhas de boulder, a pressão fez Ondra pisar em uma chapeleta e ficar fora das finais do formato olímpico (chamado de “combinado”) ficou de fora das olimpíadas. Toda a cobertura da edição extra do Mundial de Escalada foi realizada pela Revista Blog de Escalada e pelo jornal esportivo Lance!.

O vencedor do formato olímpico (chamado de “combinado”) foi o japonês Tomoa Narasaki. A sua vitória foi uma surpresa para muitos, mas não para a mídia especializada. Para quem acompanha os campeonatos e os resultados, além de monitorar os treinamentos de cada um dos atletas de destaque, sabe que Narasaki já vem demonstrando ser um dos maiores nomes do esporte há tempos.

O Japão é o anfitrião dos Jogos Olímpicos de Verão de 2020 e deve, provavelmente, ser a equipe mais forte no evento. Mais forte do que qualquer país. Na frente do time masculino está Tomoa Narasaki, de 23 anos. Tomoa ganhou as manchetes das principais mídias especializadas em escalada, com a sua dupla vitória em Hachioji. Na final de boulder, foi o único competidor superar a maioria das linhas propostas pelos route setters, terminando dois de quatro, contra nenhum dos rivais Jakob Schubert e Adam Ondra.

Estilo “novo” x “Estilo antigo”

O estilo de boulder considerado moderno, o qual foi apelidado por detratores como “skate” ou “parkour”, é aquele em que a equipe japonesa, em particular Tomoa Narasaki, se destaca. A configuração no Campeonato Mundial de 2019 acabou eliminando alguns dos escaladores especializados em linhas nas rochas, que geralmente privilegia estilos de boulder mais estáticos.

Para entender o que mudou em relação aos estilos, é necessário entender antes como se mede a dificuldade das linhas. Em suma, o estilo largamente utilizado é medido por um valor numérico (geralmente o grau V), que sintetiza a dificuldade de acordo com o movimento mais difícil. Este estilo é conhecido como “antigo” (pois era utilizado há 15 anos atrás nas competições) e privilegia muito mais a força bruta do que a técnica. Este tipo de aferição é muito usado na escalada em rocha e foi transportada para as academias e campeonatos. Até hoje, academias usam esta medição.

Porém, os route setters do IFSC, profissionais que elaboram os desafios, idealizaram uma nova medição, que leva em consideração um outro estilo de escalada: a escala RIC. Nela são avaliados três elementos distintos e não somente a força bruta. Com esta nova escala, o objetivo dos route setters foi o de estimular a capacidade de resolver a complexidade de uma linha de boulder, pela maneira mais técnica e criativa possível. Para isso levou em consideração três fatores essenciais identificados como: R (risco) + I (intensidade) + C (complexidade).

Dentre cada um desses fatores é atribuída uma nota que varia de 0 (mínimo) a 5 (máximo).

O que mudou? A exigência da principal das habilidades de um escalador de boulder. A partir desta medição a exigência não é somente a força, mas também a capacidade de raciocínio e imaginação de um atleta especializado em boulder. Quanto mais hábil na resolução da quebra cabeça proposto pelos route setters, melhor o seu rendimento. E Tomoa Narasaki é um mestre nisso.

Quem é Tomoa Narasaki

Originalmente ginasta olímpico, Tomoa Narasaki começou a escalar aos 10 anos de idade na academia pertencente à família de Sachi Amma. Sachi já foi duas vezes vencedor da Copa do Mundo do IFSC e encadenou a primeira via de escalada esportiva de dificuldade 9b francês (12b brasileiro) do Japão. O estilo e os pontos fortes de Tomoa Narasaki, além de sua capacidade de leitura dos desafios, são a explosão e força em competição indoor.

Quem acredita que os escaladores estrangeiros possuem melhor resultado somente porque “possuem melhor estrutura”, necessitam repensar este raciocínio. Há toda uma filosofia e organização por trás disso. O uso racional dos recursos financeiros, sem gastos desnecessários ou filosofias megalomaníacas. Os ginásios japoneses são principalmente de boulder, e a elaboração de novas linhas no estabelecimento, geralmente, é muito mais “povoada” do que os ginásios do ocidente. Há mais linhas de boulder por metro quadrado que as academias modernas (que adotam o estilo mais clean). Porém há um pequeno detalhe: todas as linhas são redefinidas com bastante regularidade. A palavra de ordem é aprender a decifrar desafios.

Para se ter uma ideia do domínio de escaladores japoneses, dos classificados às finais do Campeonato Mundial de Escalada do IFSC no formato olímpico, quatro eram japoneses. Tomoa se classificou em terceiro no geral, com resultados sólidos em todos as disciplinas. Curiosamente ficou em quarto em velocidade nas classificatórias, embora não seja um especialista.

Na final, novamente, teve bom resultado em velocidade, ficando ​​com o segundo. Em boulder, Tomoa chegou a três tops, quando apenas outros três conseguiram um. Finalmente, em vias guiadas, Narasaki ficou em segundo lugar com Jakob Schubert.

Seu lugar de qualificação nos resultados combinados (formato olímpico) lhe rendeu lugar nos Jogos Olímpicos de Verão de Tóquio 2020. Embora 2019 seja a primeira vitória de Tomoa no formato olímpico, ele possui um currículo invejável de vitórias que provam que não é um azarão. Na verdade o que acontece agora, é o ápice de um trabalho que começou há um bom tempo. Como resultados de destaque, estão o Campeonato Mundial de Boulder em 2016, 5º no formato olímpico de 2018 e 7º em boulder. O próprio escalador confessa que 2018 não tenha sido um bom ano para ele.

Na Copa do Mundo de Escalada IFSC 2018, Tomoa ficou em 2º lugar tanto no formato olímpico quanto em boulder, além de ficar em 16º em vias guiadas. Na copa de 2017, conquistou o 1º lugar formato olímpico e o 2º em boulder, ficando 15º em vias guiadas.

O treinamento de Tomoa Narasaki tem sido muito focado nos últimos dois anos, antes das Olimpíadas de 2020. Ele trabalha com a equipe nacional japonesa, sob o comando do técnico Yasui Hiroshi. Ativo nas redes socais, Tomoa carrega muito material em seu Instagram e mostra que o volume desempenha um papel fundamental no treinamento. De pé possui 1,68 metro e parece amar movimentos dinâmicos. Uma demonstração de seu potencial é um vídeo publicado no seu Instagram, e disponibilizado acima, que demonstra uma considerável impulsão e uma facilidade para torção de corpo.

Tomoa Narasaki também trabalha individualmente com Chiba Tore, conhecido treinador japonês, cujos clientes inclui também Akiyo Noguchi. O trabalho personalizado de Tore envolve uma grande quantidade de diferentes exercícios de alongamento, com peso corporal e faixas elásticas para resistência. A empresa de Tore, a ReNew Chiba, trabalha com muitos atletas diferentes, desde escaladores a jogadores de rugby.

Formado em Engenharia Civil e Ciências da Computação, começou a escalar em 2001 e escalou no Brasil, Áustria, EUA, Espanha, Argentina e Chile. Já viajou de mochilão pelo Brasil, EUA, Áustria, República Tcheca, República Eslovaca, Hungria, Eslovênia, Itália, Argentina, Chile, Espanha, Uruguai, Paraguai, Holanda, Alemanha e Canadá. Realizou o Caminho de Santiago, percorrendo seus 777 km em 28 dias. Em 2018 foi o único latino-americano a cobrir a estreia da escalada nos Jogos Olímpicos da Juventude e tornou-se o primeiro cronista esportivo sobre escalada do Jornal esportivo Lance!

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Fonte: R7

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