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“Quis fazè-la desprovida de empatia, como os psicopatas são” – Notas – Glamurama

Retratando as mazelas humanas e sociais do Brasil como poucas novelas o fizeram até aquele ano de 1988, quando foi exibida originalmente, ‘Vale Tudo’ revolucionou ao mostrar a corrupção arraigada na memória coletiva brasileira, a falta de ética e o que algumas pessoas são capazes de fazer pela ganância. Uma das novelas mais icônicas até hoje, dona do mistério que fez o Brasil inteiro perguntar “quem matou Odete Roitman?”, personagem de Beatriz Segall, a obra escrita por Gilberto Braga, Aguinaldo Silva e Leonor Bassères, e dirigida por Dennis Carvalho, Ricardo Waddington e Paulo Ubiratan, chega ao Globoplay na noite deste domingo, 19.

Responsável por unir em uma mesma novela duas das maiores vilãs da teledramaturgia, Odete Roitman e Maria de Fátima (Glória Pires), Gilberto Braga fala sobre a característica que marca a maior diferença entre as duas: “Odete Roitman tinha o poder e Maria de Fátima queria chegar lá. O desempenho das duas atrizes ajudou muito que alcançássemos o sucesso”.

Glória tinha apenas 25 anos quando deu vida à personagem e relembra alguns momentos deste trabalho:

Você tinha apenas 25 anos quando interpretou Maria de Fátima. Qual foi o maior desafio na construção dessa personagem tão intensa?
Glória Pires: Antes de qualquer coisa, preciso dizer o quanto adoro essa novela. O melhor do estilo Gilberto Braga está lá, com todas aquelas tintas do folhetim tradicional. O meu entendimento era que Maria de Fátima era uma personagem cerebral, busquei fazê-la desprovida de empatia, como os psicopatas são, em vez de acentuar os atos condenáveis que cometeu contra a própria mãe.

Após fazer tanta maldade na ficção, você conseguia desligar da personagem quando não estava atuando?
GP: Não são as ações más ou boas que pesam na rotina da novela- são os sentimentos que levam àquilo, e nisso é que mora toda a questão do stress.

E o público, confundia muito a ficção com a realidade? Como era a repercussão nas ruas?
GP: Acho que ‘Vale Tudo’ inaugurou uma questão que eu não havia reparado antes nas novelas, a empatia do público com a vilania. Isso é muito interessante porque a crítica social que a novela traz é muito próxima.

Como você descreve Maria de Fátima?
GP: Uma jovem mulher ambiciosa e sem empatia. Uma psicopata.

De todas as coisas que a Maria de Fátima aprontou, qual delas você considera a pior?
GP: Sem dúvida, deixar a mãe desamparada.

Teve alguma cena que te marcou mais?
GP: Houve uma cena que fiquei bloqueada. Era com o pai, Rubinho. Ela o desclassificava como “fracassado”, o humilhava.

Qual a importância da Maria de Fátima para sua carreira?
GP: Foi um divisor de águas, na vida e na carreira. Foi com ela que passei à idade adulta e também para um outro patamar profissionalmente.

 

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Fonte: Glamurama

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