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Red Bull dá nó tático em Mercedes com inteligência e maior trunfo: Verstappen

A festa de Max Verstappen após a primeira vitória na temporada 2020

Foto: AFP / Grande Prêmio

O certo seria esperar Valtteri Bottas para tirar Lewis Hamilton da zona de conforto, mas quem faz isso é uma equipe de quem nada se esperava em termos de desempenho, mas que soube ganhar a corrida um dia antes. O GP dos 70 Anos pode ser resumido quase dessa forma, tamanha derrota sofrida pela Mercedes, diante de uma Red Bull inteligente, atrevida e que tem no talento de Max Verstappen sua grande arma. No fim, coube ao holandês e à esquadra expor o ponto fraco dos carros pretos, que pareciam imbatíveis até a semana passada. Mais que isso, tiraram grande proveito dessa debilidade dos adversários e aliaram a isso uma estratégica mudança de pneus para pegar os hexacampeões no contrapé.

Tudo começa com o calor. Ainda na primeira sexta-feira de treinos livres do GP da Inglaterra, quando carros e piloto enfrentaram temperaturas que beiravam os 35ºC, a Mercedes sentiu que havia algo errado e que o ritmo não era o mesmo. Depois, porém, o clima ficou mais ameno, e isso devolveu performance aos dois W11. Uma semana mais tarde, o domingo veio mais quente, elevando também a temperatura da pista. Somado a isso ainda havia a questão dos pneus: como forma de apimentar o espetáculo, a Pirelli entrou um conjunto mais macio. A combinação de fatores foi decisiva também para a esquadra alemã. E usada de forma ardilosa pela rival austríaca.

Só que é preciso reconhecer também que os taurinos foram além. E que a vitória teve início no sábado, quando tomaram a corajosa decisão de calçar Verstappen com os pneus duros na fase intermediária da classificação. O danado do holandês não só foi capaz de assegurar lugar na parte final, como garantir uma estratégia totalmente diferente, sequer pensada pela própria Pirelli. A escolha pelo composto de cor branca, o mais resistente, daria a Max a chance de cumprir um longo stint na primeira parte da corrida, mas havia uma dúvida sobre o desempenho, uma vez que a Mercedes largava com pneus em tese mais velozes. Por isso, superar Nico Hülkenberg no apagar das luzes no grid de Silverstone, o jovem se colocou em uma posição forte para começar o ataque.

Seriam necessárias ainda algumas voltas até que o cenário se tornasse mais claro. E isso aconteceu quando Max passou a andar mais rápido que os dois carros pretos à sua frente. Tão melhor que o engenheiro Giampiero Lambiase chegou a pedir que ele controlasse o ritmo, para cuidar dos pneus, mas Verstappen respondeu dizendo que “está é a única chance. Não vou diminuir e guiar como minha vó”.

Talvez aí a corrida tenha rendido a ele.

Já nas garagens alemãs, a luz amarela foi acesa. As estranhas bolhas nos compostos médios do carro de Bottas, então líder, e de Hamilton, que vinha na segunda posição, já revelavam que a parada não poderia demorar. Enquanto a dupla da Mercedes foi buscar os compostos duros, Verstappen permaneceu na pista e seguiu pressionando, colocando uma pulga atrás da orelha da rival – Hamilton chegou a perguntar sobre o estado dos pneus do concorrente, dado o espantou com a performance.

A largada foi um momento onde a tática da Red Bull começou a funcionar

A largada foi um momento onde a tática da Red Bull começou a funcionar

Foto: AFP / Grande Prêmio

O holandês ainda esticou a primeira perna da corrida até o ponto que pareceu seguro parar e voltar à frente de Bottas. O pit-stop lento da Red Bull acabou fazendo Max retornar ligeiramente atrás de Valtteri, mas seria por pouco tempo. Logo, o piloto do carro #33 reassumiu a ponta e fez a Mercedes rever a estratégia. Isso porque Max seguia muito forte. Então, os alemães tentaram virar o jogo, antecipando segunda parada de Bottas. A Red Bull reagiu imediatamente e também chamou Verstappen para trocar os compostos amarelos médios por brancos duros. Max não só voltou à frente, mas mais veloz. Enquanto isso, Hamilton comandava a prova, porém a cada volta ficava mais claro que não seria possível levar o carro até o fim com aquelas bolhas todas nos pneus. Resultado: Lewis teve de ir aos boxes já na parte final da corrida.

E mesmo imprimindo um ritmo alucinante, aproveitando a borracha nova, o hexacampeão não pode confrontar Verstappen e teve de se contentar com a segunda colocação. Bottas acabou terceiro. A vitória do holandês e da Red Bull foi talvez uma das mais inesperadas dos últimos tempos, dada a supremacia apresentada pela Mercedes neste ano. E conquistada na base da tática esperta e certeira.

É bem possível que o que aconteceu em Silverstone, neste domingo, tenha sido um caso isolado, aquela tempestade perfeita, mas Verstappen faz o que se espera dele: ser o piloto que realmente incomoda Hamilton. Tanto é assim que o inglês rapidamente percebeu que seu adversário real na corrida era Max, não Bottas. Ainda na primeira parte, Lewis questiona o rendimento do adversário, fala sobre pressão de pneus e nível de desgaste. E tenta, de fato, marcar o carro #33.

Lewis Hamilton e Valtteri Bottas foram derrotadas no melhor ritmo da Red Bull

Lewis Hamilton e Valtteri Bottas foram derrotadas no melhor ritmo da Red Bull

Foto: AFP / Grande Prêmio

Rainha das estratégias, inventiva, a equipe que melhor lê uma corrida, a Red Bull foi perfeita também. De nada adiantaria se não tivesse alguém ali para cumprir à risca o que foi pensado, lembra um pouco o conjunto Michael Schumacher-Ferrari em tempos de Jean Todt e Ross Brawn, quando as táticas funcionavam como um relógio. Ainda, é interessante pensar que, mesmo com o domínio da Mercedes, Verstappen poderia, de fato, estar na briga pelo título se a vitória na semana passada tivesse vindo. Vale dizer que, agora, o holandês é o vice-líder e foi ao pódio em todas as provas até aqui, depois daquele abandono na Áustria.

Se uma nova vitória vai se repetir, ainda não dá para dizer, mas a ameaça está aí.

Grande Prêmio

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Fonte: Terra

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