Reflexões sobre o impacto ecológico da escalada na natureza: Sustentabilidade

Este texto é uma continuação de um primeiro artigo que abordao mesmo tema. Esta, entretanto, é mais uma reflexão sobre impacto ecológico da escalada na natureza do que uma análise científica. A reflexão é uma tentativa de apostar que, caso o escalador seja realmente consciente, a escalada como atividade esportiva não se trata somente de “ter mais atitude com relação ao medo”.

Quando nos referimos à sociedade pós-moderna, também devemos falar sobre uma sociedade preocupada com o ecológico, o rural, o respeito pelo meio ambiente, etc. Em suma, uma sociedade que busca o desenvolvimento sustentável. Não há uma definição universalmente aceita sobre o conceito de desenvolvimento sustentável, no entanto, a definição mais frequentemente citada é a proposta pelo relatório “Nosso Futuro Comum”, publicado em 1987, da Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento das Nações Unidas (Relatório Brundtland, citado in fullana e Ayuso, 2002).

No relatório, pode ser destacada a passagem que afirma que “O desenvolvimento sustentável é um desenvolvimento que atende às necessidades do presente sem comprometer a capacidade das gerações futuras de atender suas próprias necessidades” (Fullana e Ayuso, 2002, p.27).

Sustentabilidade nos termos esportivos

A sustentabilidade em termos estritamente esportivos e de acordo com a dimensão ecológica deve ser entendida como indicado no artigo 10º da Carta Europeia do Desporto (1992): “Garantir e melhorar o bem-estar físico e social das pessoas de uma geração para a próxima, exige que as atividades esportivas, incluindo as áreas rurais, urbanas e marítimas, sejam adaptadas aos recursos limitados do planeta e sejam realizadas de acordo com os princípios do desenvolvimento sustentado e da gestão ambiental. Estes incluem:

  • Levar em conta os valores da natureza e do meio ambiente no planejamento e construção de instalações esportivas
  • Apoiar e incentivar as organizações esportivas em seus esforços para conservar a natureza e o meio ambiente
  • Aumentar o conhecimento e conscientização das pessoas sobre a relação entre esporte e desenvolvimento sustentado assim como a sua compreensão da natureza

Conclusão

Escalada em geral, internacionalmente está mudando e isso se reflete no aumento de áreas de escalada e no aumento de espaços de esporte, para a prática e desenvolvimento desta atividade. A consequência da relação entre o esporte e o meio ambiente, é o nascimento de uma série de conflitos que não existiam anteriormente ou pelo menos não nas magnitudes atuais, e que está longe de se opor. Por isso devemos encontrar uma maneira de adaptar nosso esporte com perfeita harmonia com o ambiente natural.

“Dentre esses conflitos, destacam-se as possíveis consequências negativas ao meio ambiente, que existem, crescem e se diversificam de acordo com determinados critérios de ponderação. Entre estes, o mais importante, e que condiciona o resto, é a falta de educação ambiental do atleta, equipe, espectador e escaladores em geral”.

O impacto ambiental nas áreas de escalada está começando a ofender aos outros. Este parece ser um produto dos problemas característicos que ocorrem nas grandes cidades, como resultado de um comportamento irresponsável com a natureza. Todos estes problemas da cidade estão se manifestando nesses lugares.

A abordagem ideal não é parar de se aproximar da natureza, seja para turismo, esportes ou simplesmente para observar a riqueza ambiental. Pelo contrário, é necessário promover uma prática esportiva na natureza que implique e promulgue o cuidado e respeito por ela.

“Praticantes ou atletas devem atuar como guardiões e conservadores do patrimônio natural para ser um esporte sustentável e ecológico. As atividades organizadas sob esta estrutura devem ser concebidas quase dentro do espírito do atleta como um agente do processo de conservação”.

Referências

  • Pablo Luque Valle, Antonio Baena Extremera y Antonio Granero Gallegos – “Buenas practicas para un desarrolo sostenible en los eventos deportivos en el medio natural” (2011)
  • Boyle, Stephen A. and Fred B. Samson. 1985. “Effects of Nonconsumptive Recreation on Wildlife: A Review.” Wildlife Society Bulletin 13.2: 110-116
  • Camp, Richard J., and Richard L. Knight. 1998a. “Rock climbing and cliff bird communities at Joshua Tree National Park, California.” Wildlife Society Bulletin 892-898.
  • Camp, Richard J., and Richard L. Knight. 1998b. “Effects of rock climbing on cliff plant communities at Joshua Tree National Park, California.” Conservation Biology 12.6: 1302-1306.
  • McMillan, Michele A., and Douglas W. Larson. 2002. “Effects of rock climbing on the vegetation of the Niagara Escarpment in southern Ontario, Canada.” Conservation Biology 16.2: 389-398.
  • Müller, Stefan W., Hans-Peter Rusterholz, and Bruno Baur. 2004. “Rock climbing alters the vegetation of limestone cliffs in the northern Swiss Jura Mountains.” Canadian journal of botany 82.6: 862-870.

 

Gonzo Rocanbolt é chileno, médico, escalador e indiscutivelmente uns dos mais completos autores de artigos sobre treinamento de escaladores existentes no mundo. Respeitado em todo o mundo é o organizador do Simpósio de Medicina de Montanha no Chile e palestrante de eventos de escalada no Chile, Argentina e Espanha

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Fonte: R7

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