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Relaxamento da quarentena no Brasil começou em março e foi descoordenado, mostra estudo

BRASÍLIA – A maioria dos municípios brasileiros adotou medidas contra a covid-19 antes de confirmar os primeiros casos da doença, mas a flexibilização das restrições foi feita de forma descoordenada e precoce. A conclusão é de pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), Universidade de Oxford e Imperial College, em estudo publicado nesta quarta-feira, 9.

A pesquisa usou dados levantados pela Confederação Nacional dos Municípios (CNM) com 4.061 municípios, ou seja, 73% do total no País. A flexibilização das medidas restritivas foi confirmada em 61,9% dos questionários feitos pela entidade. Já 36,2% dos prefeitos não afrouxaram a quarentena — 1,9% dos consultados não soube responder. A maioria das respostas para essas questões ocorreu nos meses de abril e maio.

“Diferentemente da implantação das medidas não farmacológicas (como distanciamento social), a flexibilização foi extremamente dessincronizada. Já começa em março em alguns municípios”, afirmou a diretora do Centro de Estudos sobre o Brasil da Universidade de Oxford, Andreza Aruska de Souza Santos.

O levantamento, apontado como o maior do País sobre a resposta dos municípios à covid-19, mostrou que 69,2% dos gestores que adotaram restrições tomaram a decisão antes de confirmar o primeiro caso da doença. O relaxamento da quarentena, no entanto, começou ainda em março. Para os pesquisadores, a flexibilização das restrições foi importante para a doença se espalhar.

Apenas durante a última semana de agosto, 4.805 municípios (86,3% do total) tiveram novos casos da covid-19, segundo boletim mais recente do Ministério da Saúde. A doença já atinge cerca de 99,5% das cidades. Os recuos das restrições não estão ligados à redução de casos e não foram feitos de forma sincronizada sequer entre cidades vizinhas. “A maioria dos municípios que registrou picos de ao menos 20 casos novos por dia flexibilizou as restrições antes de chegar nesse patamar”, disse Andreza Santos..

Segundo Eduardo Stranz, consultor da CNM, houve uma “onda” de medidas para controle da doença tomadas pelos governos federal, estaduais e municipais em março. “Depois de umas três semanas fechada, a própria comunidade começou a pressionar pela reabertura, pois não havia infecção na cidade. Assim como foi rápido pra fechar, o gestor teve de dar uma satisfação. Quando abriu começou a dar o problema”, constatou Stranz. Para ele, no entanto, não cabe à CNM apontar se os gestores erraram ou se o governo federal foi omisso ao não orientar sobre as restrições.

Santos, da Universidade de Oxford, afirma que os recuos foram feitos sem observar requisitos básicos, como se há redução de casos. “Depois de flexibilizar é muito difícil dar um passo atrás”, argumentou ela. O estudo indica, ainda, que faltou coordenação nacional sobre as medidas de controle à pandemia. Dessa forma, mesmo os municípios que foram mais rígidos na quarentena podem ter sido impactados pelas cidades vizinhas que desistiram das restrições.

Controle da doença

A CNM questionou prefeitos sobre que tipo de medida de controle foi tomada. Dos consultados, 96,5% disseram ter, em algum momento, limitado a circulação de pessoas, 1,5% não tomou essa medida e 2,1% não responderam.

Iniciativas de isolamento social, permitindo a continuidade de serviços essenciais, foram adotadas por 75,7% dos prefeitos que responderam à pesquisa. Outros 22,6% não tomaram essa posição; 1,6% dos entrevistados não respondeu.

O uso obrigatório de máscaras foi adotado em 94,2% desses municípios. Já 4% não determinaram a proteção e 1,8% não respondeu. A maioria dos prefeitos (54,4%) não reduziu a oferta de transporte público; mas 42,7% adotaram a restrição.

Dos consultados, 59,7% responderam que editaram decretos de calamidade pública e 37,4% não fizeram isso. A medida permite realizar contratações mais rápidas, sem licitação, por exemplo, além de habilitar o município a receber recursos que o governo federal reservar para a crise.

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Fonte: Terra

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