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Remuneração de presidentes de conselhos de administração subiu até 33% entre 2018 e 2020 no Brasil

SÃO PAULO – Em meio à crise gerada pela pandemia do novo coronavírus, a remuneração de presidentes de conselhos de administração (PCA) ao redor do país subiu 33% em 2020 na comparação com 2018, considerando os honorários fixos (salário mensal), incentivos de curto prazo (ICP) e ações, segundo estudo feito pela consultoria de carreira Korn Ferry. Os executivos e executivas que são conselheiros tiveram um aumento na remuneração de 24% no mesmo período.

A comparação é no intervalo de dois anos porque a última pesquisa sobre esse tema foi realizada em 2018. O estudo analisou empresas de dez setores diferentes e de todos os portes. O estudo não abre a média de valores recebidos pelos profissionais.

Considerando apenas honorários fixos, também houve aumento de salário: de 19% para presidentes de conselhos e de 14% para conselheiros em 2020, também na comparação com 2018.

Impacto da Covid-19

O estudo faz um recorte sobre o impacto que a chegada da pandemia teve na remuneração dos conselheiros em 2020: apenas 26% das empresas entrevistadas reduziram salários, e em todos os casos foi um movimento temporário.

Das empresas que cortaram valores, a maior parte delas (63%) reduziu algo entre -20% e -40% no ano por um período de seis meses. Passado o período, voltaram a pagar a remuneração anterior.

Por segmento, as empresas que mais reajustaram para baixo os salários dos participantes do conselho foram as companhias de varejo (32% das entrevistadas), as indústria (21%) e as companhias de serviços (21%).

Empresas de tecnologia e transporte foram as que menos cortaram a remuneração: em ambos os casos, apenas 5% das entrevistadas.

Conselheiros x CEO; ações como incentivo

Ainda, o estudo da Korn Ferry compara o salário do presidente do conselho com o do CEO de uma empresa. Na média, o salário do PCA representa 34% do pacote total que o CEO da empresa recebe. Mas, em empresas de grupos familiares, essa proporção sobe para 51%.

Em relação aos incentivos oferecidos, o estudo mostra que em 2020 a concessão de ações se manteve estável, com 19% das empresas ofertando os ativos para profissionais que tinham algum cargo do conselho. 18% das empresas oferecem ações para o PCA; 11%, para o vice-presidente do conselho; e 11%, para conselheiros.

“Essa prática de conceder ações da empresa como incentivo é a mais recomendada, pois está mais alinhada às práticas internacionais e ao papel do conselho de assegurar a sustentabilidade da empresa”, avalia Marco Santana, sócio sênior e líder de remuneração e benefícios da Korn Ferry para América do Sul.

Dentre as empresas que concedem ações, é possível observar que, por controle acionário, a maioria é de capital pulverizado (formato caraterizado pela baixa concentração de poder nas mãos de um único acionista). Já em relação a receita líquida, destacam-se as que possuem abaixo de R$ 5 bilhões.

Santana lembra que parte do PCAs e conselheiros não recebem remuneração, mas é uma parcela pequena do total. “Quando tratamos da remuneração nos Conselhos de Administração, apenas uma pequena parcela dos conselheiros não é remunerada, sendo 7% dos presidentes, 14% dos vice-presidentes e 9% Conselheiros”, explicou.

Nível de governança

Outro ponto ressaltado no estudo é que, ao observarmos o nível de governança, as companhias do Novo Mercado são as que mais concedem ações como incentivo para os conselhos: cerca de 73% delas oferecem esse benefício. No outro segmento divulgado na pesquisa, de Nível 1, cerca de 20% das empresas concedem esse tipo de benefício.

Considerada o “padrão de ouro”, o Novo Mercado é uma categoria da B3 que foi lançada em 2000 e estabeleceu um padrão de governança corporativa – tornou-se o padrão de transparência e governança exigido pelos investidores para novas aberturas de capital na bolsa brasileira.

O Nível 1 é uma categoria abaixo do Novo Mercado em termos de governança, mas segue requisitos como a adoção de práticas que favoreçam a transparência e o acesso às informações pelos investidores. As empresas precisam se comprometer a manter no mínimo 25% das suas ações em circulação no mercado.

Membros independentes

A pesquisa mostrou também um aumento na quantidade de conselheiros independentes: de 55% em 2018 para 60% em 2020. “O número ainda inferior a Estados Unidos e Europa, mas vem
aumentando gradativamente ao longo dos anos”, diz o estudo. Em 2014, a participação dessa categoria de conselheiros era menor: apenas 39% dos executivos eram independentes.

Em média, os conselhos no Brasil são compostos por 60% de membros independentes, 35% de membros externos e 5% de membros internos, segundo a pesquisa.

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Fonte: Infomoney

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