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Rubens Menin: os negócios bilionários do empresário que começou como o “patinho feio” da construção

Nome completo: Rubens Menin Teixeira de Souza
Ocupação: Engenheiro e empresário
Local de nascimento: Belo Horizonte (MG)
Data de nascimento: 12 de março 1956
Fortuna: R$ 6,4 bilhões (estimativa da revista Forbes em setembro de 2020)

Quem é Rubens Menin

Engenheiro, empresário, torcedor do Atlético Mineiro e patrocinador esportivo. Todas essas denominações servem para descrever Rubens Menin, mineiro de 64 anos que começou o seu império ao fundar, junto com sócios familiares, a MRV, em 1979.

Engenheiro civil de terceira geração na família, Menin decidiu se voltar para um ramo que era desprezado pelas demais construtoras na época: as moradias voltadas para o público de menor renda.

Ele mesmo já admitiu que esse era o segmento considerado o “patinho feio” no setor. E não era para menos, os primeiros anos da MRV foram em um Brasil que passou por diversas crises, internas e externas, e com pouco acesso a financiamento imobiliário.

“Nós éramos considerados o patinho feio. A indústria popular não dava dinheiro”, disse o empresário durante palestra promovida pela Endeavor Brasil.

Nesse cenário, as construtoras se concentravam em vender para as classes A e B, menos dependentes de crédito. Mas não a MRV.

A fase de maior crescimento da companhia veio em 2009, quando foi criado “Minha Casa, Minha Vida”, programa público que criou subsídios e taxas de juros mais baixas para o financiamento de habitações voltadas para a baixa renda.

Diversas incorporadoras criaram empresas direcionadas para atender esse segmento, mas muitas naufragaram diante das particularidades desse segmento.

Já a MRV (MRVE3), habituada com os custos e processos que envolvem moradias populares, nadou de braçada e se tornou a maior do segmento na Bolsa brasileira.

Rubens MeninRubens Menin
Rubens Menin em cerimônia de Anúncio de Novas Medidas para o Programa Minha Casa Minha Vida 2017 (Crédito: Beto Barata/PR)

Atualmente, o valor de mercado da companhia é de cerca de R$ 8 bilhões, o que a coloca como uma das maiores incorporadoras de capital aberto do país.

A empresa é também a maior construtora da América Sul em vendas, segundo o ranking Global Powers of Construction, elaborado pela consultoria Deloitte.

Mas Menin não ficou apenas na incorporação de residências no Brasil. Ao longo dos anos, expandiu seus negócios para o segmento de galpões logísticos (Log LOGG3), banco (Inter BIDI3, BIDI4 e BIDI11), comunicação (CNN), loteamentos urbanos (Urbamais) e construção civil nos Estados Unidos (AHS).

Também fundou um instituto social e passou a apoiar iniciativas esportivas – especialmente seu clube, o Atlético Mineiro. Além disso, é um dos fundadores do movimento “Muda Brasil”, que se denomina apartidário e em defesa da boa política.

Um estagiário na construção

Quando adolescente, o caminho natural para Menin foi escolher o curso de engenharia civil. Ele concluiu sua formação na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em 1978, mas sua experiência na área começou antes.

Aos 18 anos, garantiu um estágio em que supervisionava obras em áreas mais pobres da região metropolitana de Belo Horizonte. A semente para a MRV estava plantada.

A MRV foi fundada em 1979. Mário Lúcio Pinheiro Menin, seu primo, e a empresa Vega Engenharia Ltda estavam na empreitada. As primeiras casas de alvenaria foram entregues, dois anos depois, no bairro de Vila Clóris, em Belo Horizonte.

No final dos anos 90, a construtora tinha presença não só em Minas Gerais, mas também no interior paulista e na região Sul. A expansão continuou e, em 2007, a empresa aproveitou a onda de oferta públicas iniciais (IPO, na sigla em inglês) e abriu seu capital. Com recursos em caixa, estava pronta para crescer.

Desde sua inauguração até hoje, foram entregues mais de 300 mil habitações em 21 estados e o Distrito Federal.

Em 2014, Menin anunciou que deixaria a direção da empresa para se dedicar exclusivamente ao conselho de administração. A presidência é dividida entre seu filho, Rafael Menin, e Eduardo Fischer, sobrinho do empresário.

A expansão no mercado financeiro

Além da MRV, Menin é fundador do Banco Inter. A instituição foi lançada em 1994 como Intermedium, limitada a uma operação regional e com apelo no mercado imobiliário, como a oferta de empréstimos garantidos por imóveis. Agora, o banco se transformou na maior companhia da família.

A expansão teve início com uma série de mudanças de regulação feitas pelo Banco Central, que estimularam o surgimento de bancos digitais e levaram o banco a transformar a estratégia, dando início ao Inter.

A mudança do nome veio em 2017 e o IPO no ano seguinte. Atualmente, o valor de mercado do Inter é de R$ 13 bilhões. A instituição tem como presidente João Vitor Menin, outro filho do fundador da MRV.

IPO do Banco InterIPO do Banco Inter
Rubens Menin (esq) e executivos do Banco Inter no dia do IPO (Crédito: B3/Divulgação)

Dos três filhos que Menin tem com sua mulher Beatriz, a única que não está atualmente em nenhuma função executiva nas empresas da família é a filha mais velha, Maria Fernanda. Ela já foi diretora jurídica da MRV, mas atualmente atua nos conselhos da construtora e do banco.

Diversificação geográfica e de negócios

Além de MRV e Inter, o empresário tem outros negócios. A Log Commercial Properties foi criada em 2008, e é outra empresa com participação de Menin e ações em Bolsa. O valor de mercado é de R$ 3 bilhões.

A companhia foi criada para atuar nas áreas de incorporação, construção e locação de propriedades comerciais, como galpões e condomínios logísticos, em uma área que ultrapassa 1,6 milhões de m².

A experiência adquirida da MRV também rendeu o surgimento da Urbamais, em 2012, empresa de loteamentos urbanos. Enquanto a MRV constrói empreendimentos, a empresa de loteamentos fatia as áreas em lotes e implementa a infraestrutura necessária.

Em entrevistas, Menin já destacou que, dada a participação relevante da MRV em algumas cidades, a preocupação e o envolvimento com a comunidade local deveriam ir além da construção dos imóveis.

Além disso, desde 2013, a Conedi, o family office que reúne os negócios da família, é uma das investidoras da varejista de materiais de construção e acabamento ABC da Construção, com atuação em Minas Gerais.

A diversificação geográfica também está na cartilha de Menin. A MRV controla a americana AHS, que incorpora, constrói e administra prédios para locação nos Estados Unidos.

No ano passado, o empresário investir também fora do mundo da construção. Fechou acordo para ter a licença no Brasil da rede americana de televisão CNN.

O canal foi inaugurado em março e deve consumir investimentos de R$ 700 milhões em dez anos. Menin tem uma participação de 65% no negócio. A justificava para a empreitada foi o desejo de contribuir para a melhora do ambiente de negócios no Brasil e estimular a filantropia, disse o empresário.

Esportes e cultura

Todos os negócios estão concentrados no family office Conedi Participações. Os lucros acumulados ao longo dos anos não são utilizados apenas para a ampliação e a diversificação dos negócios, mas também para iniciativas de patrocínio cultural e educacional.

E Menin, fanático torcedor do Galo, tem concentrado suas atenções no clube. A MRV é patrocinadora e também apoia e dá o nome ao novo estádio do Atlético-MG, a Arena MRV, que está em construção.

Arena MRVArena MRV
Projeto da Arena MRV, futuro estádio do Atlético Mineiro (Crédito: Reprodução / Instagram/ Arena MRV)

A diversificação de negócios veio acompanhada do crescimento do patrimônio do empresário. A estimativa da revista Forbes é que Menin acumule uma fortuna de R$ 6,4 bilhões. Ele é dono de uma fatia de 36,8% da MRV e de 25% do Inter.

Mas como bom mineiro, esse é um tema que Menin tenta evitar. Tanto que o Bloomberg Markets o classifica como “bilionário oculto”, como parte de um grupo de empresários que optam pela discrição e preferem ficar de fora das listas e rankings de bilionários.

Para saber mais

Fonte: Infomoney

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