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Santander (SANB11) tem resultado sólido e impulsiona ações do setor, mas analistas destacam “velha questão” para o banco

SÃO PAULO – Apesar dos números considerados sólidos em geral por analistas de mercado, contribuindo para o avanço dos papéis do setor na Bolsa nesta quarta-feira (27), o Santander Brasil (SANB11) seguiu levando às mesmas dúvidas para algumas casas de análise, em relação à sustentabilidade do resultado.

O banco registrou lucro gerencial de R$ 4,34 bilhões no terceiro trimestre de 2021, alta de 12,5% na base anual e de 4,1% na comparação trimestral, ficando 4,1% acima do consenso Bloomberg, enquanto o retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) foi de 22,4%, maior patamar histórico.

O resultado melhor do que o esperado deveu-se principalmente ao aumento da margem financeira e à redução da taxa efetiva de imposto, ressalta o Bradesco BBI, enquanto a margem financeira cresceu 8,9% no trimestre.

“O Santander Brasil apresentou um bom conjunto de resultados no período, embora a surpresa positiva tenha sido impulsionada principalmente por um crescimento inesperadamente forte nos ganhos de trading, enquanto a margem com clientes também foi um fator positivo no trimestre”, avaliam os analistas.

Já para o Credit Suisse, o bom desempenho da margem financeira (NII, na sigla em inglês) do cliente e das taxas reforçam a visão de que a combinação do crescimento do crédito de varejo adicionado ao retorno das linhas de crédito rotativo são importantes impulsionadores do crescimento da NII.

Não obstante à normalização do custo do risco no trimestre (superior, conforme esperado), a NII do cliente ajustada ao risco conseguiu crescer mais de 3% sequencialmente. O Santander, avaliam os analistas do banco suíço, continua a aumentar sua base de clientes, adicionando 700 mil deles e atingindo um patamar de 29,7 milhões (2% na base trimestral e 9% na comparação anual), com aumento de clientes digitais para 18,2 milhões (alta de 4% na base trimestral e de 20% frente 2020).

O BBI ressalta ser importante ressaltar que, embora o custo do risco tenha aumentado e ficado acima do estimado, tanto o custo do risco quanto os NPLs – Non Performing Loans, ou inadimplência – estão abaixo dos níveis pré-pandêmicos. “Como tal, esperamos aumentos adicionais no custo do risco, uma vez que os inadimplentes devem continuar se normalizando para níveis pré-pandêmicos, aliados a uma mudança no mix do portfólio”, avalia.

O Itaú BBA, por sua vez, vê o resultado, que levou a um lucro acima do esperado pelos analistas do banco (de R$ 4,1 bilhões), como consequência de crescimento da margem financeira para R$ 12,1 bilhões e de um avanço menor que o esperado das provisões financeiras para devedores duvidosos, em R$ 3,7 bilhões.

Essas provisões, inclusive, que foram uma grande questão nos últimos balanços para a instituição financeira, seguem no radar de algumas casas de análise, como é o caso da XP, mais céticos com o papel.

“Apesar do resultado positivo de rentabilidade no trimestre, os resultados do Santander nos levam a questionar se o banco conseguirá continuar apresentando bons números em um cenário mais desafiador. O índice de cobertura – que representa a proporção que a provisão para risco de crédito é capaz de cobrir os créditos inadimplentes – caiu cerca de 50 pontos percentuais na comparação anual por conta do provisionamento menor, uma vez que o banco teve um provisionamento baixo, enquanto a taxa de inadimplência aumentou 0,30 ponto na comparação anual”, avaliam Vitor Pini, Matheus Odaguil e Artur Alves, analistas da XP, em relatório.

Eles apontam que, apesar do impacto positivo no curto prazo,  banco poderá ter que aumentar as provisões no futuro à medida que as taxas de inadimplência aumentarem, prejudicando a rentabilidade de forma geral. “Apesar dos números positivos, acreditamos que os resultados vieram a um preço alto”, ressaltaram.

Já para o Credit Suisse, as despesas operacionais foram a maior surpresa negativa no trimestre, principalmente liderado por outras receitas / despesas, que aumentaram mais de R$ 1 bilhão em relação ao segundo trimestre deste ano e mais de R$ 1,5 bilhão em relação ao mesmo período do ano anterior.

Isso é explicado em grande parte pela correção monetária sobre obrigações legais, que os analistas acreditam ser provável que tenha impacto menor nos próximos trimestres.

O BBI, por sua vez, vê o crescimento das despesas operacionais refletindo o esforço comercial de captação de clientes e aumentos salariais.

Mesmo destacando o ponto sobre o índice de cobertura, os analistas da XP apontam que a carteira de crédito do banco aumentou 13% no ano (1% acima do estimado pelos analistas), com segmentos mais lucrativos, como Pessoa Física e PMEs, crescendo em um ritmo mais rápido. Segmentos de pessoas físicas, hipotecas, cartões de crédito e empréstimos pessoais tiveram um aumento sólido, enquanto no segmento corporativo o leasing e empréstimos de capital de giro foram as linhas que apresentaram um resultado mais forte.

“Embora impulsione a lucratividade do banco, acreditamos que a mudança no mix reduz a qualidade da carteira do Santander, o que vemos como negativo, pois esperamos um cenário de maior taxa de inadimplência no futuro”, apontam.

Assim, devido à expectativa de aumento nas taxas de inadimplência e exposição do banco a linhas de crédito mais arriscadas, os analistas da XP reiteraram a recomendação de venda e preço-alvo de R$ 36 por ativo (ainda um potencial de valorização de 2,7% frente o fechamento da véspera). O Itaú BBA, por sua vez, tem recomendação marketperform (desempenho em linha com a média do mercado) para a unit do banco, com preço-alvo para 2022 de R$ 41 (upside de 17%). Recomendação equivalente é a do BBI, que é neutra com preço-alvo de R$ 48 (alta de 38%).

Já o Credit Suisse tem uma projeção mais otimista, com perspectiva outperform (desempenho acima da média do mercado) para o papel, com preço-alvo de R$ 58 (ou upside de 65%).

A maior parte das casas de análise segue cautelosa com o papel, com dez das quatorze que cobrem o papel com recomendação equivalente à neutra, segundo compilação feita pela Refinitiv, enquanto duas recomendam compra e duas recomendam venda. O preço-alvo médio é de R$ 43,95 (potencial de valorização de 25%).

Ainda que a cautela impere para o papel, um dos mais otimistas com o case, o Credit Suisse também traçou um prognóstico para os resultados dos outros grandes bancos, a serem divulgados no início de novembro. Para os analistas, o forte desempenho da receita do Santander Brasil no trimestre é uma leitura positiva dos próximos resultados do Bradesco (BBDC4), mas especialmente para o Itaú Unibanco (ITUB4).

Cabe ressaltar que, após a divulgação do resultado do Santander, o dia é de ganhos para os principais bancos. Às 13h30 (horário de Brasília), SANB11 avançava 1,91%, a R$ 35,75, BBDC4 subia ainda mais forte, com ganhos de 3,06% (R$ 20,91) e ITUB4 avançava 2,11% (R$ 24,24).

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Fonte: Infomoney

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