fbpx

Seleção com técnico estrangeiro? Claro que sim, por que não? – Esportes

Ideal é contar sempre com a melhor opção no momento de substituir quem sair ou for saído. Se ela for brasileira, ótimo. Se for estrangeira, ótimo também

selecao brasileira, tecnico, treinador, estrangeiro, jorge jesus, sampaoli, corinthians, palmeiras, vasco, santos, sao paulo, brasileirao, libertadores


Boa parte dos envolvidos com futebol brasileiro ainda acha que a seleção não pode ter um técnico estrangeiro. Para os defensores da tese, os canarinhos são patrimônios nacionais. Devem ser comandados por um brasileiro nato e os técnicos do País, único pentacampeão do mundo, para orgulho supremo da pátria de chuteiras, tem tudo a ensinar e nada a aprender com quem nasceu e fez carreira fora dessas fronteiras.


Nada mais equivocado. E quem se beneficia desse erro brutal é a parte da elite de treinadores locais que adora a dolce vita do troca-troca no comando da seleção e dos principais clubes do País. E tem a espinha tomada por arrepios e a barriga por frios só de imaginar a concorrência ampliada nesse revezamento regado por centenas de milhares de reais mensais de salário, comissões e otras cositas más. Oligopólio profissional: pouca oferta para muita procura. E assim a vida segue, com um sendo trocado pelo outro entre os oito ou dez de sempre. Nada mais conveniente.



Técnicos estrangeiros devem assumir a seleção em todos os momentos em que houver consenso de que um deles for a melhor opção, pelo seu desempenho comparado ao dos locais, o escolhido aceitar o convite e CBF puder bancar o projeto em bases financeiras e éticas aceitáveis. Simples como isso.


Sempre que a ideia de trazer estrangeiro para comandar a seleção ou um clube vem à tona, técnicos brasileiros inflam o debate com o tema do reconhecimento precário, por parte da Fifa e dos países europeus, dos cursos, credenciamentos e diplomas realizados e emitidos no Brasil. Separemos os pontos: uma coisa é lutar pela correta valorização da formação oferecida aqui, que é boa, e outra, bem distinta, é tentar frear, a partir disso, o intercâmbio profissional de gente qualificada em postos importantes de nosso futebol, inclusive o de técnico da seleção.



Como em qualquer outro mercado, setor, atividade, empresa, universidade e espaço de gestão do País que contrata estrangeiros preparados para funções importantes, a exemplo do que ocorre todos os cantos civilizados e produtivos do mundo. Sim, claro, intercâmbio. Porque o discurso de que a atuação de técnicos estrangeiros no Brasil não gera aprendizado para seus colegas brasileiros é outro equívoco quase comovente.


Mais do que isso: treinadores de fora ensinam e também aprendem com os daqui. Há troca de conhecimento – e o ideal é que isso cresça cada vez mais. O português Jorge Jesus reconheceu que deveria ter ouvido mais atentamente seus auxiliares brasileiros antes de escolher os jogadores na disputa de pênaltis perdida para o Athetico Paranaense na Copa do Brasil 2019. O outro Jorge de fora, o argentino Sampaoli, faz consultas frequentes e discute caminhos com brasileiros da comissão técnica principal e líderes das categorias de base do Santos.



Renato Gaúcho, do Grêmio, está cotado para substituir Tite, provavelmente após a Copa do Qatar 2022. Parece justo: é vencedor, busca o jogo bem jogado, está mais maduro e conta, até o momento, com o apoio da grande maioria dos torcedores e da imprensa especializada.


O ideal para a seleção brasileira, é poder contar sempre com a melhor opção possível nos momentos de escolher o treinador que substituirá o que sair ou for saído. Se, respeitado esses critérios, a opção for brasileira, ótimo. Se for estrangeira, ótimo também. Elementar como isso – que, de resto, vale para as trocas de comando em qualquer organização importante do Brasil e do mundo. Não seria uma maravilha ter o Guardiola, o Zidane ou o Mourinho no seu time? Por que não na seleção?


O que é – e sempre será – imperdoável é a CBF pipocar e sucumbir, daqui para frente, à reação corporativa dos técnicos brasileiros quando não houver solução caseira conveniente para o momento.


Defensivo ou ofensivo? Conheça o DNA dos grandes clubes brasileiros



Fonte: R7

Do NOT follow this link or you will be banned from the site!