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Sergio Moro dá explicações ao Senado sobre conversas vazadas com Dallagnol; acompanhe

SÃO PAULO – O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, participa de audiência na Comissão de Constituição e Justiça do Senado Federal na manhã desta quarta-feira (19). O encontro, marcado para as 9h (horário de Brasília), ocorre dez dias após o primeiro vazamento de mensagens trocadas pelo ex-juiz da Lava-Jato e o coordenador da força-tarefa da operação, Deltan Dallagnol, por meio do aplicativo Telegram, divulgadas pelo site The Intercept Brasil.

Acompanhe ao vivo pelo vídeo acima.

Os diálogos teriam ocorrido entre 2015 e 2018 e foram obtidos a partir da invasão de aparelhos dos procuradores por hackers ainda não identificados.

Após os vazamentos das conversas, será a primeira vez que Sergio Moro irá ao Congresso Nacional para falar sobre o assunto. Na semana passada, o ministro participou, no Senado, de um almoço com parlamentares no Bloco Parlamentar Vanguarda – DEM, PSC e PL – mas não falou com os jornalistas.

Desde que ganhou o status de “superministro” e reserva moral no governo Jair Bolsonaro (PSL), Moro acumulou derrotas no Congresso Nacional e no próprio Poder Executivo. A mais recente ocorreu com a perda do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que voltou ao Ministério da Economia.

O ex-magistrado também foi derrotado na edição do decreto que flexibiliza a posse de armas de fogo. Ele viu seu projeto anticrime ser relegado ao segundo plano na pauta do parlamento, inclusive sem esforços do Palácio do Planalto para garantir prioridade à proposição.

No caso das investigações sobre supostas candidaturas laranjas pelo PSL, partido do presidente Bolsonaro, Moro limitou-se a dizer que apenas se “houvesse necessidade”. Os tropeços ocorrem a despeito do status de figura mais popular no atual governo mantido pelo ministro.

Segundo pesquisa XP/Ipespe, realizada entre os dias 11 e 13 de junho, Moro é a personalidade mais bem avaliada entre 12 testadas, com nota média de 6,2 entre os entrevistados em uma escala de 0 a 10. Contudo, houve uma piora ante a nota 6,5 em maio e 7,3 em janeiro.

De acordo com o levantamento, as supostas conversas mantidas entre Moro e Dallagnol pouco alteraram a percepção da população sobre a operação Lava-Jato. 77% dos entrevistados tomaram conhecimento do episódio, ante 23% que afirmam não saber do assunto. Para 47%, o evento não altera a percepção sobre a Lava-Jato. Já para 11%, o acontecimento pode alterar a percepção para melhor, e para 31%, há impacto negativo.

Regras

Para a sessão desta quarta-feira, a senadora Simone Tebet (MDB-MS) detalhou o procedimento. Segundo ela, a reunião contará com reforço na segurança. Moro terá 30 minutos para fazer sua exposição inicial. Em seguida, os senadores inscritos, intercalados por ordem de partido, terão cinco minutos para réplica.

O ministro terá o mesmo tempo para resposta e, depois, os parlamentares terão prazo máximo de dois minutos para réplica e tréplica. Simone disse que as regras de condução foram definidas seguindo as normas regimentais e que a lista de inscrição dos senadores será aberta às 9h, mesmo horário em que a reunião foi convocada.

Estratégia

Ao ser alertado de que no Senado, logo depois do vazamento das conversas, estavam sendo preparados requerimentos com pedidos para que ele se explicasse na CCJ e até de uma CPI pelo senador Ângelo Coronel (PSD-BA), o próprio Moro se adiantou e se colocou à disposição da Casa.

A intenção do ministro foi comunicada pelo senador Fernando Bezerra Coelho(MDB-PE), líder do governo no Senado. Em ofício enviado ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), o líder destacou o desejo do ministro de esclarecer os fatos.

“Manifestamos nossa confiança no ministro Sergio Moro, certos de que esta será uma oportunidade para que ele demonstre a sua lisura e correção como juiz federal, refutando as críticas e ilações a respeito de sua conduta à frente da Operação Lava-Jato”, ressaltou Bezerra no oficio.

A disposição do ministro surtiu efeito e a mobilização do senador Ângelo Coronel para reunir assinaturas para propor uma CPI parou ou, pelo menos, foi suspensa. Na avaliação de parlamentares governistas as explicações dadas por Moro serão suficientes para convencer a maioria e esvaziar uma tentativa de CPI.

Depois da audiência desta quarta-feira na CCJ do Senado, o ministro também deverá ir à Câmara dos Deputados dar explicações sobre o assunto a deputados. O encontro está marcado para 26 de junho.

(com Agência Brasil)

Fonte: INFOMONEY

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