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Superman & Lois (com super-spoilers)

Não parece, mas antes de Superman & Lois a última vez que o Super-Homem teve uma série própria foi em Lois & Clark, de 1993. A DC regula tanto seus personagens principais que eles acabam restritos ao cinema. O que é uma pena, pois como S & L demonstra, podem render boas séries.

Superman & Lois

Foto: Divulgação / Meio Bit

Estranhamente a relutância da DC em liberar sua Santíssima Trindade (O Azulão, o Morcegoso e a Maravilhosa) fez com que eles tivessem poucas séries, mas a qualidade não acompanhou a quantidade. Tivemos a série da Mulher-Maravilha com a Lynda Carter, em 1975, um filme horroroso com Cathy Lee Crosby em 1974, e um piloto de série em 2011 com a Adrianne Palicki.

Diana só voltou às telas em 2017. Na TV ela AINDA não voltou, embora seja mencionada em várias séries.

Batman tem uma trajetória semelhante, só vimos Batman sendo Batman em Titãs, mesmo assim foi uma alucinação do Asa Noturna.

Super-Homem por sua vez tecnicamente só teve duas séries, Aventuras do Superman, em 1952 e Lois & Clark: As novas aventuras do Superman, em 1993. Entre elas tivemos Superboy, em 1988, uma série tão esquecível que eu absolutamente não lembrava dela. E sim, é constrangedora como você imagina.

Em Smallville (2001-2011) Clark não é chamado de Superman, sequer de Superboy, e só veste o uniforme clássico no último episódio. O personagem só ganhou um refresco com o Arrowverso do CW, reaparecendo (tecnicamente) em Supergirl (2015-Presente). Eu digo tecnicamente pois no episódio ele é nocauteado pelo vilão e só aparecem as botas, em uma cama de hospital.

Só na segunda temporada Kal=El realmente aparece, interpretado por Tyler Hoechlin. Ele de vez em quando aparece na série, não muito afinal a série é da prima. Aos poucos ele participa dos tradicionais crossovers, com a mitologia se expandido enormemente no ótimo Crise nas Infinitas Terras, com direito até a Brandon Routh repetindo seu Superman.

Junto do Clark de Tyler Hoechlin, apareceu a Lois Lane de Elizabeth Tulloch, e a química dos dois foi tão boa que Greg Berlanti olhou para os executivos do CW, levantando as sombrancelhas “heim? Heim?” e ficou evidente que tinham material para uma série própria, ainda mais com Arrow encerrada, Supergirl e Lendas do Amanhã em suas últimas temporadas e Flash com destino meio incerto.

Superman & Lois – A premissa

A série começa com algo desnecessário mas sempre bom, uma rápida recapitulação da origem do Super-Homem, sua vida como Clark Kent, e seu romance com Lois Lane. A história avança para um ponto aonde o Planeta Diário está enfrentando dificuldades, com a popularização da Internet.

Ao mesmo tempo logo após se casarem enfrentaram a barra mais pesada que tiveram, mas batalharam a grana e seguraram legal quando os gêmeos vieram.

Lois Lane e Clark Kent são pais de dois gêmeos adolescentes. Jonathan  é bem-ajustado, esportista, garoto-modelo. Já Jordan é um nerd com ansiedade social, meio gótico, tímido recluso e rebelde, que toma remédios controlados e faz terapia.

Já deu pra ver que não é uma série oba-oba tipo Legends, né?

Eu sei que é o CW, mas Superman & Lois é uma série bem mais adulta que a média do canal.

Não dá mais pra acusar de usar a cueca por cima da calça.

Não dá mais pra acusar de usar a cueca por cima da calça.

Foto: Divulgação / Meio Bit

Mesmo sendo a criatura mais poderosa da Terra, Clark não é feliz. Ele está prestes a perder o emprego, e suas obrigações como Super-Homem se sobrepõe às suas obrigações como pai. Ele negligência Lois e os gêmeos, ao ponto de perder uma sessão de terapia com Jordan.

Como Clark é uma pessoa essencialmente boa, isso dói muito internamente.

Ele negligencia até a própria mãe, e quando ela liga na manhã seguinte Clark acha que vai reclamar de porquê não a foi visitar na noite anterior, mas quem está ligando é a médica.

Martha teve um derrame, e Clark não estava lá. A tragédia dos Kent se repete.

Em Smallville, para o funeral, os Kent encontram vários antigos amigos, inclusive Lana Lang, ex-peguete de Clark e agora casada com um bombeiro. Eles têm uma filha adolescente que é crush do Jordan, afinal é o CW, gente.

Jordan e Jonathan Kent

Jordan e Jonathan Kent

Foto: CW / Meio Bit

Um ponto MUITO bom na série foi que os filhos não sabem do segredo do pai, Clark não quer que eles fiquem remoendo se são humanos ou aliens, se possuem poderes ou não, ou pior ainda, se um terá poderes e o outro não.

Isso poderia ficar chato bem rápido, mas no primeiro episódio os dois sofrem um acidente, sobrevivem miraculosamente, começam a fuçar o celeiro e acham a nave que trouxe o pequeno Kal-El para a Terra, e Clark é obrigado a revelar seu segredo.

Como tramas paralelas, temos uma grande corporação de um bilionário malvado que estranhamente não é o Lex Luthor, ela comprou secretamente o banco de Smallville, que está executando a hipoteca do sítio. Os Kent possuem a opção de vender tudo em Metrópolis e se mudar para o Kansas.

Masterchief não gosta do Sups.

Masterchief não gosta do Sups.

Foto: CW / Meio Bit

Clark decide que era isso que Martha queria, e Lois começa a usar seus superpoderes de jornalista para investigar o interesse de uma megacorporação em uma cidade do interior.

Os meninos não ficam muito felizes, ainda mais depois que Jordan descobre que Sarah Cushing, seu crush tem namorado. Isso dá início a uma briga numa festa, com todos os jovens da cidade se pegando na porrada. A briga termina quando Jonathan é espancado, isso dispara um gatilho em Jordan e ele usa sua visão de calor para explodir uma caixa de fogos de artifício, ferindo um monte de gente, dando polícia, bombeiro etc.

Ao mesmo tempo várias usinas nucleares nos EUA estão sendo atacadas por um sujeito com uma armadura imune aos poderes do Super-Homem. Clark apanha feio do sujeito, que quer provar que o mundo não precisa do Super-Homem.

Superman & Lois – O Clima Certo

Superman & Lois conseguiu algo que deveria ser praticamente natural para quem escreve séries e filmes baseados em quadrinhos, mas anda bem raro: Eles entenderam o ethos do personagem. Não é sobre ter poderes, não é sobre bater em monstros do espaço. O Super-Homem é uma cria de Jor-El e Jonathan Kent. Ele representa não os EUA como eles eram nos Anos 50, mas sim os valores universais reconhecíveis por todo mundo, em qualquer canto do planeta.

Super-Homem é essencialmente bom, ele foi criado para ser uma pessoa boa de forma ativa. Por isso não faz o menor sentido aquele Jonathan Kent do Zack Snyder, que briga com Clark por ter salvado um ônibus cheio de estudantes. Papa Kent era o oposto do egoísmo.

Já Martha hipotecou a fazenda para pegar o dinheiro e ajudar vários vizinhos que passavam por dificuldades.

Essa é a criação que gerou o Super-Homem, não um mero Sol amarelo.

Mesmo sendo a criatura mais poderosa do planeta, Clark no fundo ainda é aquele garoto do interior, com um imenso apego à família, culpa por não ter conseguido salvar os pais, e senso de obrigação de viver segundo os ideais com os quais foi criado. E quando consegue isso, aí sim ele é realmente feliz.

Em Superman & Lois vemos isso quando Superman salva um garoto de um carro que caiu de um viaduto. O garoto comenta “belo uniforme” e Clark responde, sorrindo com orgulho “Obrigado, minha mãe fez pra mim”.

Essa cena mostra que esse Super-Homem é diametralmente oposto ao soturno e alienígena Super-Homem de Zack Snyder, que vê uma bomba explodir em uma sala cheia de gente, levanta vôo e vai embora.

A cena do garoto aliás é uma festa de referências.

A cena em si é cópia exata de uma cena de Superman: for All Seasons Vol 1, de 1988, escrito por Jeph Loeb e ilustrado por Tim Sale.

Mudaram algumas coisas, o garoto não joga mais baseball, anda de sktate. Inadmissível!

Mudaram algumas coisas, o garoto não joga mais baseball, anda de sktate. Inadmissível!

Foto: DC Comics – Superman: for All Seasons Vol 1 / Meio Bit

O carro verde que Clark levanta? Uma referência direta à capa do Action Comics #1, de 1938.

Em 2014 uma cópia da Action Comics #1 foi vendida por US$3.2 milhões.

Em 2014 uma cópia da Action Comics #1 foi vendida por US$3.2 milhões.

Foto: DC Comics / Meio Bit

Já o uniforme é o mesmo usado no revolucionário e adiante de seu tempo Superman animado, de Max Fleischer, de 1941.

Esses desenhos ainda impressionam.

Esses desenhos ainda impressionam.

Foto: Max Fleischer / Meio Bit

Superman & Lois representa um amadurecimento do CW, o que é ótimo, podemos ter séries para vários públicos, com abordagens diferentes no universo de super-heróis, e essa pegada do Super-Homem pai de família, já na faixa dos quarenta (ok tecnicamente Tyler Hoechlin tem 33 mas o personagem envelhece mais devagar que humanos) nunca foi feita na TV.

É em divertido ver que mesmo o homem mais poderoso do planeta não consegue fazer um adolescente abaixar o volume da vitrola, e por usar “vitrola” já deu pra perceber o por que em me identifico com a série.

Cotação: 5/5 Marthas

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Fonte: Terra

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