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Tesouro Direto: juros dos títulos públicos sobem nesta 5ª, com destaque para prefixados com vencimentos longos

SÃO PAULO – O novo patamar de juros anunciado pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central na quarta-feira (27), com a Selic em 7,75% ao ano, gerou ainda mais estresse para os papéis do Tesouro Direto nesta quinta (28).

O mercado de títulos públicos negociados na plataforma opera em alta, no início da manhã. O destaque está nas taxas pagas pelos papéis prefixados de prazo mais alongado, que chegaram a avançar até 21 pontos-base na abertura das negociações.

Isso porque, na avaliação de economistas ouvidos pelo InfoMoney, o aumento anunciado ontem pelo Copom é insuficiente para ancorar as expectativas do mercado para a economia brasileira. Agentes financeiros queriam ajustes ainda maiores – entre 1,75 e 2 pontos percentuais.

Investidores também monitoram nova tentativa de Arthur Lira (PP-AL), presidente da Câmara, para fechar um acordo sobre a PEC dos precatórios para que o texto consiga ser votado na semana que vem, após novo adiamento na sessão de ontem.

Dentro do Tesouro Direto, chama atenção a diferença cada vez menor entre a remuneração oferecida por títulos de prazos diferentes. O juro pago pelo Tesouro Prefixado com vencimento em 2024, por exemplo, era de 11,96% ao ano, contra 11,82%, na tarde de ontem.

Enquanto isso, o retorno do papel com vencimento em 2031 e pagamento de juros semestrais era de 12,05% ao ano, acima dos 11,84% vistos na sessão anterior. Na prática, isso representa uma diferença de 9 pontos-base na remuneração oferecida pelo título com vencimento em 2024 e o papel com prazo até 2031.

Da mesma forma, o retorno real oferecido pelo título atrelado à inflação com vencimento em 2026 avançava de 5,37% para 5,49% ao ano, no início da sessão. Já o juro real do Tesouro IPCA+ com vencimentos em 2055 e pagamento de juros semestrais era de 5,56% ao ano no início da manhã, frente aos 5,48% vistos ontem.

Confira os preços e as taxas de todos os títulos públicos disponíveis para compra no Tesouro Direto que eram oferecidas na manhã desta quinta-feira (28): 

Taxas Tesouro DiretoTaxas Tesouro Direto
Fonte: Tesouro Direto

Copom, troca no BC e IGP-M

Com a decisão anunciada após o fechamento do mercado ontem (27), investidores seguem repercutindo a elevação de 1,5 ponto percentual da Selic pelo Copom, estabelecendo a taxa básica de juros em 7,75% ao ano.

No comunicado, o Comitê destacou ainda que antevê um ajuste de mesma magnitude – 1,5 ponto – para a Selic no próximo encontro, em dezembro. Com isso, os juros encerrariam 2021 em 9,25% ao ano.

Ainda que a postura do BC tenha sido um pouco mais firme do que nas reuniões anteriores, o mercado esperava mais, especialmente por entender que o ajuste é insuficiente para ancorar as expectativas de inflação.

Em live organizada pelo InfoMoney após o anúncio, Luana Miranda, economista da Gap Asset, disse que o aumento da Selic deveria ter sido de pelo menos 2 pontos percentuais.

“O BC está sendo visto como atrás da curva o tempo inteiro. Essa sensação de ‘desancoragem’ das expectativas, de perda de credibilidade com o anúncio de mudança da regra do teto de gastos ou o furo no teto de gastos que seria incluído na PEC dos Precatórios, isso dá uma sensação de fragilização da nossa âncora fiscal e consequentemente aumenta nosso juro neutro”, disse Luana.

A economista destacou que o BC admitiu uma inflação de 4,1% para o ano que vem, muito acima da meta de 3,5%. “O mercado, no geral, espera mais. Aqui nós projetamos 4,6%”, disse. “Tudo indica que a Selic deve voltar aos dois dígitos no ano que vem”.

Também nesta quinta-feira (28), o Banco Central comunicou a saída de João Manoel Pinho de Mello, diretor de Organização do Sistema Financeiro e Resolução, ao fim do seu mandato, em 31 de dezembro deste ano. Pela lei da autonomia do BC, o mandato de Pinho de Mello poderia ser renovado por mais um ciclo.

A autarquia também informou que Roberto Campos Neto, presidente do Banco, indicou o economista Renato Dias de Brito Gomes para substituir Pinho de Mello. Ele é bacharel e mestre pelo Departamento de Economia da PUC-Rio e PhD em economia pela Northwestern University.

Outro tema de destaque da agenda econômica está na divulgação do Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), que subiu 0,64% em outubro, após queda de 0,64% no mês anterior. Os dados foram apresentados hoje pela Fundação Getulio Vargas (FGV).

Com esse resultado o índice acumula alta de 16,74% no ano e de 21,73% em 12 meses. Em outubro de 2020, o índice havia subido 3,23% e acumulava alta de 20,93% em 12 meses.

PEC dos precatórios e Auxílio Gás

Na cena política, as atenções estão voltadas novamente para a PEC dos precatórios. Após novo adiamento da votação, Arthur Lira (PP-AL), presidente da Câmara, disse que espera fechar um acordo nesta quinta-feira (28) para votar o texto na quarta-feira da semana que vem (3).

A PEC busca abrir espaço para viabilizar o Auxílio Brasil – novo programa de transferência de renda do governo e garantir o custeio do benefício no valor mínimo de R$ 400.

No entanto, boa parte dos parlamentares vê a proposta com maus olhos e diz que o texto pode virar uma “bola de neve”.

Também na frente política, a Câmara dos Deputados aprovou ontem (27) o Projeto de Lei 1374/21, que cria o Auxílio Gás, a fim de subsidiar o preço do gás de cozinha para famílias de baixa renda. A matéria será enviada agora à sanção presidencial.

Cena internacional

Enquanto isso, no cenário externo, o radar do mercado está nos dados do Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos. Segundo o Departamento do Comércio, a primeira estimativa de crescimento apontou que o indicador cresceu 2% na taxa anualizada entre julho e setembro deste ano.

A previsão dos economistas consultados pela Refinitiv era de avanço de 2,7% na comparação trimestral em termos anualizados, o que representa uma desaceleração após a alta de 6,7% no segundo trimestre.

Também no começo da manhã, foram divulgados os números de pedidos de auxílio-desemprego da última semana nos Estados Unidos, que ficaram em 281 mil pedidos. A projeção Refinitiv era de 290 mil.

O mercado repercute ainda a decisão do Banco Central Europeu (BCE), que optou por não alterar as taxas de juros da região, conforme esperado pelo mercado.

Os dirigentes do banco, no entanto, ressaltaram que as compras de ativos por meio do programa emergencial da pandemia, conhecido como PEPP, seguirão em ritmo “moderadamente menor” do que no segundo e terceiro trimestres deste ano.

Fonte: Infomoney

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