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Tesouro Direto: taxas de títulos de inflação sobem e de alguns prefixados recuam nesta 2ª; mercado espera novas altas da Selic

(Rmcarvalho/Getty Images)

SÃO PAULO – A sessão desta segunda-feira (25) é marcada pelas repercussões em torno do Relatório Focus, que foi divulgado hoje. Segundo o documento, o mercado financeiro agora aguarda uma alta de 1,25 ponto percentual para a taxa básica de juros na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) desta semana.

O relatório também mostra que são esperadas uma Selic e uma inflação oficial mais elevadas no fim deste ano e de 2022.

Com a expectativa de que o Banco Central tenha que aumentar o ritmo de alta da Selic em meio a um cenário fiscal pior, o mercado de títulos públicos negociados via Tesouro Direto segue operando sem direção única nesta segunda-feira (25). Os papéis prefixados apresentam queda, enquanto os títulos atrelados à inflação são negociados com alta.

Entre os papéis atrelados à inflação, na atualização das 15h26, o retorno real pago pelo Tesouro IPCA+ com vencimentos em 2055 e pagamento de juros semestrais era de 5,41% ao ano, contra 5,46% ao ano, no começo da manhã. Na sessão anterior, o juro pago, no entanto, era de 5,34%.

A mesma situação ocorria com os títulos atrelados à inflação com vencimento em 2035 e 2045. A remuneração real oferecida por esses papéis avançava de 5,22%, na tarde de sexta-feira (22), para 5,33%, na atualização das 15h. No início dos negócios, o percentual pago era de 5,39%.

No caso dos papéis prefixados, o retorno pago pelo papel com vencimento em 2031 era de 11,96%, abaixo dos 12,08% ao ano registrados na abertura das negociações – o que representa uma queda em relação aos 11,99% registrados na sessão anterior. No mesmo horário, o juro pago pelo título com vencimento em 2024 era de 11,69%, abaixo dos 11,87% vistos na sexta-feira à tarde.

Confira os preços e as taxas de todos os títulos públicos disponíveis para compra no Tesouro Direto que eram oferecidas na tarde desta segunda-feira (25): 

Taxas Tesouro DiretoTaxas Tesouro Direto
Fonte: Tesouro Direto

Focus e mais revisões de casas

Na semana em que o Comitê de Política Monetária (Copom) se reúne e decide o novo patamar da Selic, o mercado financeiro mostrou que espera uma postura mais firme do Banco Central na condução da política monetária, diante da piora fiscal.

Segundo o relatório Focus divulgado nesta segunda-feira (25), a expectativa agora é de aumento de 1,25 ponto percentual da Selic no próximo encontro do Copom, a ser realizado nesta quarta-feira (27), elevando os juros de 6,25% para 7,50% ao ano. Na semana passada, as apostas recaíam sobre aumento de 1 ponto, para 7,25% ao ano.

O mercado financeiro também elevou as estimativas de alta para a taxa básica de juros ao fim deste ano, de 8,25% para 8,75% ao ano. Para 2022, as estimativas para os juros também sofreram ajustes, de 8,75% para 9,50% ao ano, assim como para 2023, de 6,50% para 7,00% ao ano.

As projeções para a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para 2021 também estão maiores, pela 29ª semana, de 8,69% para 8,96%. Os economistas elevaram ainda suas estimativas para o indicador em 2022, pela 14ª vez consecutiva, de 4,18% para 4,40%.

A reviravolta no cenário fiscal, aliada a um real desvalorizado em relação ao dólar e ao avanço maior do que o esperado para a inflação fizeram várias casas revisarem novamente as projeções para o cenário macroeconômico.

Em relatório enviado a clientes nesta segunda, David Beker e Gabriel Tenorio, do Bank of American, disseram que agora esperam que o Banco Central eleve a taxa básica de juros em 1,5 ponto percentual, ou seja, para 7,75%, no próximo Copom.

No documento, eles destacaram ainda que Selic deve terminar 2021 em 9,25%. Para isso, seria preciso mais um aumento de 1,5 ponto percentual em dezembro.

Na sequência, segundo os analistas do BofA, haveria uma outra elevação de 1 ponto em fevereiro e por outra de 0,5 ponto percentual em março, o que faria com que a Selic terminasse 2022 em 10,75%.

Os especialistas também ajustaram as projeções para a inflação neste ano, de 8,5% para 9,1%, e em 2022, de 4% para 5%. A casa informou ainda que elevou as projeções para o câmbio, que agora estão em R$ 5,5 neste ano, contra R$ 5,10 previstos anteriormente. E de R$ 5,3 para R$ 5,7 no próximo ano.

Falas de Paulo Guedes

Na cena política, investidores repercutem a entrevista dada por Paulo Guedes, ministro da Economia. Ontem (24), o ministro defendeu mais uma vez a decisão do governo federal de alterar a regra do teto de gastos para viabilizar o pagamento de R$ 400 no Auxílio Brasil até dezembro de 2022.

Ao lado do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), Guedes disse que foi preciso “moderar a velocidade da aterrissagem fiscal”, para atender a população mais frágil neste momento, e defendeu as reformas para que o país tenha solidez fiscal.

Segundo ele, uma possível aprovação da reforma administrativa traria uma economia de R$ 300 bilhões nos próximos oito a dez anos, frente ao gasto de R$ 30 bilhões para que o Auxílio Brasil chegue aos R$ 400.

Às 17h, Guedes vai participar do lançamento do “Programa de Crescimento Verde”, evento que deve ser acompanhado de perto pelo mercado.

Segundo reportagem da Folha de S. Paulo, membros da área técnica do Ministério da Economia que continuaram na pasta mesmo após a debandada da cúpula avaliam que a situação está mais calma depois que a permanência de Guedes foi confirmada.

Os técnicos, no entanto, avaliam que o ambiente ainda é de preocupação com a fragilidade do quadro fiscal, já que as normas de controle do Orçamento estão vulneráveis.

Cena internacional

Enquanto isso no cenário externo, os principais índices americanos operam no campo positivo por volta das 16h desta segunda-feira. Investidores acompanham a divulgação de mais balanços nos Estados Unidos.

Até o momento, das 117 empresas integrantes do S&P 500 que já divulgaram ganhos, 84% tiveram resultados acima da expectativa, segundo informações da Refinitiv. A expectativa é de que as empresas que compõem o índice cresçam 35% no terceiro trimestre.

Na China, segundo apurações da Bloomberg, alguns credores de um título da incorporadora chinesa Evergrande receberam os juros antes do fim de período de carência no sábado. O valor não tinha sido pago no mês passado.

Fonte: Infomoney

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