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“Tinha muito receio de não dar conta daquele trabalho todo” – Notas – Glamurama

Ele tinha 27 anos quando estreou na telinha. E foi com Edu em ‘Laços de Família’ que Reynaldo Gianecchini apareceu pela primeira vez na Globo. De cara em uma novela assinada por Manoel Carlos em que contracenava com ninguém menos que Marieta Severo, Vera Fischer e Carol Dieckmann. Desafio daqueles que servem de lição para o resto da carreira. Escuta só o que o ator diz sobre ter participado da trama, que foi ao ar há 20 anos, e que está sendo reprisada no ‘Vale a Pena Ver de Novo’:

Como era o Reynaldo Gianecchini da época das gravações de ‘Laços de Família’?
Eu era um jovem de 27 anos, numa fase de muita transformação. Tinha acabado de voltar da Europa, onde morava, acabado de me casar com a Marília Gabriela e de começar a estudar para uma nova profissão. Tinha feito minha primeira peça no teatro. Foi uma fase muito intensa. Eu era um cara com muita vontade de aprender e descobrir essa profissão. De cara estreei numa novela do horário nobre, sem ter buscado isso. Fui convidado para um teste depois que um produtor de elenco assistiu a peça que eu fazia. E fui de uma hora para outra para o lugar de pessoa pública, aprendendo a conviver com todas aquelas mudanças, tão repentinas e radicais.

Qual a maior lembrança que guarda do trabalho?
Tenho muito forte na minha memória o carinho que recebi dos colegas do elenco, principalmente da Marieta Severo e da Carolina Dieckmann, com quem eu mais trabalhava. Foi uma loucura pensar que eu ia fazer par romântico com a Vera Fischer, a musa que eu cresci assistindo. Juliana Paes começando comigo me marcou também. Apesar de não termos contracenado muito, tenho um enorme carinho pelo o que a gente viveu junto nessa novela. E também lembro que tinha muito receio de não dar conta daquele trabalho todo, já que não tinha experiência nenhuma. Eu tinha um olhar muito atento para tudo. A sensação que me acompanhava diariamente quando eu voltava para casa era que eu havia assimilado muita informação, muito aprendizado e excelentes trocas. Aprendi muito com aquele elenco fantástico, não poderia ter estreado numa novela melhor. Fui muito amparado e consegui dar continuidade à minha carreira. Poderia ter sido um desastre e eu nunca mais ter feito nada na televisão.

Como recebeu a notícia da reprise da novela após 20 anos?
Adorei saber que a novela iria ser reprisada agora, 20 anos depois da estreia. Primeiro porque é uma novela muito bem escrita, com um elenco excelente. Sinto que tem muita gente querendo rever e uma geração nova que vai gostar de assistir. Acho que a novela ainda é muito interessante, não ficou datada. E também é muito bom acompanhar um trabalho sem a ansiedade do momento. É gostoso olhar com mais calma os seus erros e acertos sem se julgar tanto.

Como foi o retorno do público na época da novela, especialmente pelo Edu ter se envolvido com mãe e com a filha? Passados 20 anos, as pessoas ainda comentam sobre esse trabalho com você?
Lembro que na época as pessoas aceitaram muito bem o romance do rapaz jovem com a mulher mais velha. E acho que por isso existiu uma dificuldade do público de sair desse romance para ele engrenar com filha. Mas o Maneco foi um mestre em conduzir lindamente a trama para que as pessoas começassem a aceitar o Edu com a Camila, e entendessem os novos rumos. É impressionante como até hoje falam comigo sobre ‘Laços de Família’, principalmente, no exterior. Tanto na Europa quanto na América Latina, sempre tem gente que vem falar comigo. Acho incrível essa força da comunicação, a forma como a novela chegou no coração das pessoas.

Na sua opinião, por que a trama mobilizou tanto o público brasileiro?
É muito bem escrita, com diálogos muito sensíveis do Maneco, com personagens bem construídos, diversas histórias gostosas de acompanhar. Personagens muito queridos com quem o público se identificava, uma trilha sonora maravilhosa de bossa nova, o Rio de Janeiro deslumbrante e o charme do bairro do Leblon.

Mudando de assunto, como tem sido sua vida desde o início da pandemia?
Minha vida na pandemia tem sido relativamente suave. Tenho ficado em casa, estou recluso há seis meses. E tenho focado em muita coisa boa que eu não tinha muito tempo para fazer antes. Tenho cantado e dançado, trocado muito afeto com as pessoas próximas, além de ler e ver filmes e séries. Estou achando um período muito fértil, apesar da turbulência.

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Fonte: Glamurama

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