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títulos públicos passam a subir na tarde desta 4ª feira, após Fed manter os juros americanos

SÃO PAULO – Os títulos públicos negociados por meio do Tesouro Direto, programa voltado para a compra e a venda dos papéis emitidos pelo governo por pessoas físicas, passaram a registrar alta das taxas na atualização da tarde desta quarta-feira (28), na comparação com os prêmios de abertura. De toda forma, os papéis seguem com pouca oscilação em relação ao fechamento de ontem.

O foco do mercado está na decisão de política monetária dos Estados Unidos, que optou por manter a taxa básica de juros do país próxima de zero e disse que a economia continua a progredir, ainda que haja preocupações com a pandemia de coronavírus. Investidores agora esperam a declaração de Jerome Powell, presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) e tentam digerir os desdobramentos da regulação de empresas na China. Já aqui no Brasil, a atenção está nas alterações ministeriais feitas pelo governo Bolsonaro.

No Tesouro Direto, o juro pago pelo título prefixado com vencimento em 2026 avançava de 8,77% no começo da manhã para 8,81% na atualização da tarde. Um dia antes, o mesmo título oferecia um prêmio de 8,82%. O título prefixado com vencimento em 2031 e pagamento de juros semestrais, por sua vez, pagava um prêmio de 9,28% durante a tarde, contra um prêmio de 9,26% no início das negociações. Anteriormente, o mesmo título oferecia um retorno de 9,29%.

No grupo de papéis com retornos atrelados à inflação, o título Tesouro IPCA + com vencimento em 2026 oferecia um prêmio real de 3,92% na tarde desta quarta-feira, acima dos 3,87% registrados na primeira atualização do dia. Um dia antes, o papel pagava um prêmio real de 3,88%. Os títulos Tesouro IPCA+ com vencimentos em 2035 e 2045, por sua vez, pagavam juro real de 4,23% durante a tarde, contra um retorno real de 4,22% no início das negociações de hoje. Anteriormente, o mesmo título oferecia uma rentabilidade de 4,20%.

Entre os títulos que acompanham a inflação com pagamento de juros semestrais, o Tesouro IPCA+ 2055 oferecia retorno real de 4,46%, acima dos 4,44% vistos na primeira atualização do dia. Na sessão anterior, o mesmo papel pagava um prêmio real de 4,47%.

Confira os preços e as taxas atualizadas de todos os títulos públicos disponíveis para compra no Tesouro Direto nesta quarta-feira (28):

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Fonte: Tesouro Direto

Cena internacional

Nos Estados Unidos, investidores acompanham com a atenção a decisão de política monetária do Federal Reserve, que decidiu manter a taxa básica de juros do país próxima de zero. No comunicado emitido após a reunião, os dirigentes do banco pontuaram que “os setores mais afetados pela pandemia mostraram melhorias, mas não se recuperaram totalmente”.

“A inflação subiu, refletindo em grande parte fatores transitórios. As condições financeiras gerais permanecem acomodatícias, em parte refletindo medidas de política para apoiar a economia e o fluxo de crédito para famílias e empresas dos EUA”, destacaram também os dirigentes.

O comunicado mostrou ainda que o banco reconheceu que a economia americana teve um “progresso” em direção às metas do Fed, embora ele tenha continuado as compras mensais de títulos sem sinalizar qualquer mudança em seu programa de estímulos.

O mercado monitora ainda a pressão sobre empresas chinesas de educação e tecnologia, que vêm sendo penalizadas por causa de temores de maior regulação da China.

No último sábado, o governo divulgou regras que forçariam os serviços de tutoria que ensinam disciplinas escolares aos alunos durante os anos obrigatórios a serem administrados como operações sem fins lucrativos. Além disso, as autoridades chinesas proibiram esses serviços de levantar capital e propriedade estrangeira, ou de ministrar aulas nos finais de semana e feriados públicos ou escolares.

O regulador antitruste da China também anunciou recentemente diretrizes para o setor de plataformas de entrega de comidas, que incluem o pagamento de pelo menos o salário mínimo local aos funcionários que fazem entregas.

De olho no cenário de tensão, o governo chinês se reuniu hoje com bancos para acalmar o mercado, após restrições ao setor de educação, segundo informações da Bloomberg.

De acordo com a publicação, a reunião improvisada foi liderada por Fang Xinghai, vice-presidente da Comissão Reguladora de Valores Mobiliários da China (CSRC, na sigla em inglês). Segundo fontes, alguns banqueiros saíram da reunião com a mensagem de que as políticas do setor educacional eram específicas e que não pretendiam prejudicar empresas de outros segmentos.

Radar local

Na agenda doméstica, o Banco Central mostrou hoje que o estoque total de operações de crédito do sistema financeiro avançou 0,9% em junho em relação a maio para R$ 4,213 trilhões. Já na comparação com o mesmo período do ano passado, o estoque total de operações de crédito cresceu 16,3%.

A pandemia também impactou o endividamento das famílias, que bateu novo recorde no país. De acordo com dados divulgados hoje pelo Banco Central, o endividamento das famílias com o sistema financeiro chegou aos 58,5% em abril. Esse foi o maior porcentual da série histórica, iniciada em janeiro de 2005.

Durante coletiva de imprensa, Fernando Rocha, chefe do Departamento de Estatística do BC, falou que “o crescimento do endividamento das famílias mostra que o saldo de crédito para pessoas físicas tem avançado em um ritmo maior que o da renda dos trabalhadores”.

Ainda na agenda doméstica, o Tesouro Nacional apresentou ontem um balanço do Tesouro Direto, em que mostrou que as vendas de títulos públicos superaram os resgates pelo terceiro mês consecutivo, com captação líquida de R$ 807,1 milhões em junho.

O título mais demandado pelos investidores em junho foi novamente o papel atrelado ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que representou 43,4% das vendas no Tesouro Direto, em meio à pressão inflacionária. Na sequência, aparecem os papéis indexados à taxa Selic, com 42,8% das vendas. Os prefixados, por sua vez, tiveram participação de 13,8%.

Também ontem, o Fundo Monetário Internacional (FMI) elevou a projeção de expansão da atividade econômica brasileira de 3,7% para 5,3% em 2021. A instituição reduziu, contudo, a estimativa para o crescimento no ano que vem, de 2,6% para 1,9%, na revisão de julho do relatório Perspectiva Econômica Mundial.

No documento, a instituição destacou que a revisão para cima neste ano ocorreu por causa dos resultados acima do esperado no primeiro semestre e do forte desempenho das exportações, especialmente de commodities.

O FMI reforçou, porém, que o controle da pandemia é fator preponderante em seu cenário, listando como riscos principais as variantes do coronavírus, os choques pós-pandêmicos, os desajustes de oferta e demanda e a pressão inflacionária persistente.

Já no cenário político, as atenções estão voltadas para a reforma ministerial. Ontem, o senador Ciro Nogueira (PP-PI) informou em sua conta no Twitter que aceitou o convite do presidente Jair Bolsonaro para chefiar a Casa Civil. Presidente do PP, Ciro Nogueira é um dos principais líderes do centrão, base de apoio de Bolsonaro.

Para encaixar Ciro, Bolsonaro fez uma reengenharia no primeiro escalão. O atual ministro da Casa Civil, general da reserva Luiz Eduardo Ramos, será deslocado para a Secretaria-Geral da Presidência.

Em meio às mudanças, o presidente Bolsonaro realizou ontem discurso em que afirmou: “Abandonamos um pouco a questão política, mas vimos que era necessário cada vez mais buscarmos o apoio e o entendimento do Parlamento brasileiro (…) Fomos nos moldando, mas desde o início aquela bandeira que foram de todos os outros que me antecederam que não foi diferente da minha, nós pusemos em prática: o efetivo combate à corrupção”.

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Fonte: Infomoney

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