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uma montanha pouco conhecida e visitada

O Nevado Huarancante (5425 m) encontra-se localizado na Cordilheira de Ampato, que faz parte da Cordilheira Ocidental, nos Andes peruanos. Apesar de sua proximidade com a turística cidade de Chivay, no Cañon del Colca, é uma montanha pouco conhecida e visitada. É uma excelente opção para quem deseja subir um cume acima de 5 mil metros de fácil acesso e pouca dificuldade técnica. O Huarancante tem um atrativo extra: é uma montanha sagrada, venerada desde a época pré-hispânica, sendo considerada um santuário incaico clássico de alta montanha.

A primeira ascensão conhecida a essa montanha, com fins esportivos, foi realizada em 1966 por Dick Culbert. Porém, o Huarancante já havia sido escalado pelos incas, como demonstram algumas evidências encontradas em seu cume. Em 1977 Peter Ross e Paul Rose fizeram a segunda ascensão moderna e encontraram restos de antigas fogueiras. Posteriormente, foram realizadas algumas expedições arqueológicas. Em 1982 o arqueólogo americano Johan Reinhard e o guia peruano Miguel Zárate encontraram sinais de duas fogueiras, pedras de rio, uma figura de lhama trabalhada em uma concha marinha Spondylus e madeira. A figura da lhama é, claramente, de origem inca. As pedras de rio e a concha Spondylus estão associadas à simbologia da água e aos cultos de fertilidade. A presença de madeira também é uma característica comum a outras montanhas escaladas pelos incas. Novas expedições foram realizadas em 1991 e 1997, lideradas pelo arqueólogo peruano José Antonio Chávez, tendo sido encontrados novos vestígios, inclusive uma estátua de ouro.O acesso mais fácil ao Huarancante é através da estrada que liga Arequipa a Chivay, partindo-se do local conhecido como “Mirador de los Volcanes”, ponto turístico situado no ponto mais alto da estrada, a cerca de 4800 m, um mirante natural desde onde é possível avistar os diversos vulcões e montanhas da região, como o Ampato, o ativo Sabancaya, o Hualca Hualca, o Chachani, o Mismi e o Misti. O Huarancante encontra-se a leste da estrada e é facilmente reconhecido por sua nevada face sudoeste.

Estando devidamente aclimatado à altitude e saindo de madrugada da cidade de Chivay, tomando algum transporte até o mirante, é possível subir o Huarancante em apenas um dia. Mas é preciso estar bem preparado para isso, pois, apesar da aparente proximidade para quem avista a montanha desde a estrada, são 16 km desde o “Mirador de los Volcanes” até o cume. Ou seja, 32 km ida e volta. Apesar de ser a rota mais curta e acessível, não é a mais fácil. O primeiro trecho, de aproximadamente 5 km, é bem tranquilo, sendo transitável por um veículo 4×4. A partir desse ponto entra-se na aresta que leva até o cume do Nevado Chucura. Transita-se, então por essa aresta, contornando-se o cume por sua base até a aresta que separa o Chucura do Huarancante. Mesmo não sendo um trecho tecnicamente difícil, a aresta pode estar com neve e gelo, sendo necessário o uso de crampons nas partes mais expostas. A aproximação até a base da face sudoeste do Huarancante por essa rota também pode demandar um bom tempo, dependendo das condições da neve, dificultando a vida de quem pretende fazer a ascensão e retornar à estrada no mesmo dia.

Após percorrer-se toda a aresta, chega-se na base da face sudoeste do Huarancante. Essa face também não é muito difícil do ponto de vista técnico, mas com neve ou gelo vai requerer o uso de crampons, pois a inclinação chega a uns 50o. Após subir por essa face, superando uns 100 m de desnível, se chega ao cume sul do Huarancante, um cume secundário. É preciso, então, seguir a aresta que leva do cume secundário ao cume verdadeiro, descer até o colo que separa os dois cumes e subir novamente pela parte mais exposta e difícil dessa rota. É um trecho pequeno, mas bastante exposto e, dependendo da acumulação de neve, pode chegar a 60o de inclinação ou mais. Conforme a experiência do montanhista, pode ser necessária a utilização de uma corda para proteger esse ponto, pois uma queda poderia ser fatal.Vencido esse último obstáculo, se chega a uma aresta bem suave que passará por mais um cume falso até o cume verdadeiro. A altitude conhecida do Huarancante é de 5425 m, mas nosso GPS registrou uma altitude superior (5459 m). No cume, de pequenas dimensões, é possível identificar os sinais das escavações arqueológicas realizadas pelos pesquisadores, além de pedaços de madeira da época inca e pedras de rio. Essas pedras são fáceis de distinguir, pois são seixos polidos, que não existem no ambiente de alta montanha. São trazidos desde os rios até o cume para cultos associados à água e à fertilidade, realizados até os dias atuais. Em nossas explorações nos Andes peruanos, já encontramos pedras semelhantes em cumes de outras montanhas. Vale ressaltar que essas evidências arqueológicas devem ser deixadas no local onde estão, jamais devem ser levadas como uma “lembrança”. Em muitos cumes escalados pelos incas, e na base ou no caminho até esses cumes, é possível encontrar pilhas de pedras (apachetas) ou estruturas mais complexas, como muros ou pequenas construções, que não devem ser desfeitos ou modificados.Para o regresso existem duas opções: voltar pelo mesmo caminho, o que pode demandar bastante tempo, dependendo das condições da aresta até o Nevado Chucura, ou descer toda a face sudoeste do Huarancante diretamente até a quebrada Huanta Occo. Essa pode ser a melhor opção para quem não deixou um veículo estacionado na entrada da trilha que leva à montanha. Quem foi de carro próprio não tem opção: terá que retornar pela aresta. A volta pela quebrada Huanta Occo tem a vantagem de ser quase somente descida, existindo duas possibilidades: sair na estrada de Chivay, a 4000 m de altitude, depois de descer uns 11,5 km (e esperar algum transporte que leve até Chivay nesse ponto), ou seguir diretamente até Chivay pela quebrada, o que significa caminhar 21 km no total na descida. Só não se recomenda descer pela quebrada Huanta Occo durante a noite, pois existem trechos onde o rio corre por um cânion com muitas pedras, difíceis de transitar no escuro, e partes sem trilha e de navegação complicada.Para quem preferir subir o Huarancante em dois ou mais dias, a melhor opção talvez seja entrar pela quebrada Huanta Occo a partir de Chivay e desviar pela quebrada Huarancante, que dá acesso ao lado norte da montanha, onde é possível montar um acampamento base. Essa rota é mais longa, mas bem mais fácil. A subida pela face norte não requer o uso de crampons, é menos inclinada e leva, diretamente, ao cume principal. Muito provavelmente, é a rota que foi utilizada pelos incas para chegar até o cume.

Guia profissional de montanha, com título de “Guía Superior de Montaña” obtido na EPGAMT. Guia de montanha associado à AAGM e à AAGPM. Guia de montanha credenciado no Parque Provincial Aconcagua. Sócio da empresa SummIT – Gestão de Projetos e Desenvolvimento Humano. Além de liderar expedições de escalada e trekking em alta montanha, trabalha com treinamento e consultoria nas áreas de gestão, liderança, motivação e inovação.
Pratica escalada em rocha desde a década de 1990 e alta montanha desde o início dos anos 2000, tendo realizado mais de 80 ascensões nos Andes e no Himalaia

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Fonte: R7

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