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Vendo oportunidades em cenário de três crises, XP segue com visão positiva para a bolsa e recomenda 10 ações

(Shutterstock)

SÃO PAULO – Após um mês positivo para o Ibovespa, com ganhos de 8,57% em maio apesar do noticiário político movimentado, a XP Investimentos aponta que junho deve ser mais uma vez conturbado. Contudo, a equipe de estratégia da XP espera contínua melhora em relação aos meses anteriores, na medida em que os estudos indicam que o começo de junho poderia ser o pico dos casos de coronavírus no Brasil.

Na política, junho começa com o acirramento das tensões entre a Presidência da República e o Supremo Tribunal Federal, deflagradas com a divulgação da gravação da reunião ministerial, e com a operação da Polícia Federal no inquérito sobre fakenews que mira aliados do presidente.

Enquanto isso, o Legislativo ainda precisa concluir a votação das medidas provisórias que instituíram os programas de auxílio à manutenção dos empregos formais, e deve ganhar força a discussão sobre a prorrogação do auxílio aos trabalhadores informais. “Importante também dedicar atenção às discussões setoriais no Congresso, que tem na agenda temas relacionados aos setores financeiro e da saúde suplementar”, avalia a equipe de estratégia.

Porém, quando se olha o gráfico do Ibovespa em dólar desde 1992, a equipe avalia que muitas dessas questões já estejam no preço, enquanto as empresas da bolsa se encontram em boa situação financeira, no geral.

A questão macroeconômica, contudo, continua sendo a principal fonte de preocupação. Recentemente, o time econômico revisou o PIB de 2020 de queda de 1,9% para baixa de 6,0%, mantendo o crescimento em 2,5% para 2021, apesar de reconhecer que a velocidade da retomada dependerá do sucesso no combate ao vírus e da efetividade das políticas públicas adotadas no curto prazo. “Vale destacar que as medidas fiscais anunciadas pelo governo, apesar de apontarem na direção correta, mostraram-se mais limitadas em alcance e tempestividade”, apontam.

Um outro ponto, que a princípio seria visto como negativo, é que os investidores estrangeiros seguem com sentimento negativo com relação ao Brasil, o que fica evidenciado pela saída de R$77 bilhões de investidores estrangeiros na B3 em 2020.

Porém, apontam, “ao invés de desespero, vemos esse enorme consenso como potencialmente positivo para os preços de ativos daqui para frente”.

O cenário não é positivo porém, conforme aponta a XP, também não é mais uma novidade. As crises de saúde, política e econômica são graves e preocupantes, e os seus impactos são sem precedentes em grande parte.

“Porém, as expectativas hoje em relação ao Brasil já estão muito baixas. O Brasil já tem a pior bolsa e a pior moeda do mundo em termos de performance em 2020. Qualquer melhora marginal já pode trazer bons retornos aos ativos brasileiros (ações, juros e câmbio)”, avaliam.

Além disso, as expectativas de lucros do Ibovespa para 2020-2021 já reduziram em 47% e 15%, respectivamente, desde março, indicando que o mercado já passou a precificar uma boa parte dos impactos da crise.

Soma-se a isso o fato de que o cenário para a bolsa continua mais atrativa no cenário atual de juros baixos. “Apesar da redução das estimativas dos lucros das empresas neste ano e consequentemente, do pagamento dos dividendos (em 24% até o momento), os juros continuaram em queda. Portanto, essa relação rendimento dos dividendos menos juros reais continua positiva, o que mostra a atratividade tanto da bolsa quanto dos bons pagadores de dividendos”, avaliam.

Carteira de ações

Em meio a esse cenário, a XP fez três mudanças em sua carteira recomendada para junho com 10 ações e 3 mudanças em relação ao mês anterior.

Saíram da carteira as ações de Marfrig (MRFG3), Ômega Geração (OMGE3) e Pão de Açúcar (PCAR3), sendo substituídas por papéis de Iguatemi (IGTA3), EzTec (EZTC3) e Lojas Americanas (LAME4).

Completam o portfólio os papéis do Banco do Brasil (BBAS3), Cesp (CESP6), JBS (JBSS3), Localiza (RENT3), Suzano (SUZB3), Vale (VALE3) e Vivara (VIVA3).

A XP também manteve a estimativa de preço-alvo para o Ibovespa em 94 mil pontos, representando um potencial de valorização de cerca de 6% frente o fechamento da última segunda-feira (1).

Sobre a EzTec, os estrategistas avaliam que, apesar de impactos no curto prazo em razão da crise do coronavírus e da quarentena, há um potencial atrativo após a recente queda nos preços das ações (recomendação de compra e preço alvo de R$ 44,20). A companhia possui forte posição de caixa e, além disso, o governador João Doria anunciou a flexibilização da quarentena no Estado de São Paulo, foco de atuação da companhia, permitindo a reabertura dos estandes de vendas e retomada das atividades comerciais da companhia nas próximas semanas.

Já sobre a Iguatemi, a XP avalia que a empresa possui um portfólio de alta qualidade, com boa localização e alta produtividade, fatores que trazem segurança adicional em momentos de incerteza e um valuation atrativo. “Apesar do pilar da recuperação econômica e das vendas do varejo ter se tornado uma história para 2021, os shoppings possuem um modelo de negócios mais resiliente em momentos de incerteza em nossa visão e (ativos de qualidade superior tendem a apresentar uma resiliência ainda maior”, aponta a equipe.

Com relação a Lojas Americanas, a XP aponta que o fortalecimento dos recursos de multicanalidade com a B2W entre março-abril e um sortimento de loja flexível e de ticket baixo continuem suportando um forte crescimento médio de lucro de 20% entre 2019 e 2022 e retornos sólidos (28% de ROIC em 2021).

Confira a carteira recomendada para o mês de abril: 

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Fonte: Infomoney

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