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Viagem aos EUA: câmbio desfavorável e aéreas com novas rotas ao país; veja o que é preciso saber antes de arrumar as malas

Bandeira dos Estados Unidos

GONÇALVES – O comunicado recente da Casa Branca de que estrangeiros (os brasileiros estão incluídos) poderão entrar nos Estados Unidos, a partir de novembro, animou os setores da aviação e do turismo no Brasil.

Muito afetados pela pandemia de Covid-19, os dois segmentos ainda passam por um processo de reestruturação que, na avaliação de analistas de mercado, só será concluído em 2023, quando os setores conseguirão atingir os índices de desempenho econômico obtidos na fase pré-crise sanitária.

Mas o anúncio em si do governo de Joe Biden aqueceu as expectativas, com as companhias aéreas já incrementando planos de mais voos aos Estados Unidos, e as agências de turismo retomando a agenda dos pacotes de viagem para destinos mais acessados por brasileiros em solo americano.

No dia do anúncio, em 20 de setembro, ações de companhias aéreas europeias também subiram com a perspectiva de que cidadãos da região também passarão a acessar o país.

E, claro, pesou no bom desempenho das ações, na ocasião, o fato de que os voos para os EUA vão injetar lucros às grandes empresas aéreas da região, que perderam participação de mercado para as operadoras de baixo custo.

Executivos disseram ao InfoMoney, no entanto, que os brasileiros com planos de viagem para os Estados Unidos terão de fazer malabarismos financeiros, como encurtar o tempo da viagem, por causa do câmbio desfavorável.

O dólar comercial fechou, para compra, nesta quinta-feira (23), a R$ 5,30. Em 11 de março de 2020, dia em que a Covid-19 ganhou status de pandemia, a moeda americana era negociada a R$ 4,81; no mesmo 23 de setembro, só que de 2019, o valor estava ainda mais baixo: eram necessários R$ 4,16 para comprar US$ 1.

Além do bolso mais vazio, os brasileiros também estão olhando com lupa para algumas questões que ainda não foram esclarecidas pelo governo americano.

Ainda não se sabe quais vacinas serão aceitas, sobretudo, a da CoronaVac, produzida pelo laboratório chinês Sinovac em parceria com o instituto Butantan, e a da AstraZeneca, criada por cientistas da Universidade de Oxford e fabricada nacionalmente em parceria com a Fiocruz —ambas liberadas no Brasil, mas não nos Estados Unidos.

Por lá, as vacinas autorizadas são a da Pfizer, da Moderna e da Janssen.

Seringa com imunizante contra a Covid-19 (Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

Também não foram informadas as datas exatas para liberação de estrangeiros e nem se crianças e adolescentes precisarão estar completamente vacinadas contra a Covid-19.

A depender das restrições, passeios como para a Disney da Califórnia, local muito procurado pelas famílias brasileiras, estarão comprometidos.

A vacinação de adolescentes de 12 a 17 anos sem comorbidades contra a Covid-19 chegou a ficar em suspensão em parte do país após uma adolescente de São Bernardo do Campo (Grande SP) morrer oito dias depois de receber uma dose de vacina da Pfizer, a única autorizada para essa parcela da população no país.

O ministério da Saúde de Jair Bolsonaro (sem partido) viu uma possível relação entre o óbito e a vacina e expediu recomendações para os estados suspenderem as aplicações do imunizante aos adolescentes.

Investigação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) mostrou, porém, que a menina morreu devido a uma doença autoimune, sem nenhuma relação com a vacina. Depois disso, a pasta da Saúde voltou atrás e passou a recomendar a imunização contra o coronavírus aos adolescentes.

O ciclo vacinal completo (com uma ou duas doses) é, até agora, o único critério bem definido para os Estados Unidos liberarem novamente o retorno de estrangeiros ao seu território.

As novas regras de entrada ao país, também ainda não totalmente esclarecidas, envolverão mais rigor para testes de coronavírus e o rastreamento de pessoas que tiveram contato cruzado com infectados.

Vale lembrar que a vacinação vem sendo amplamente difundida na América do Norte também por causa da incidência de variantes do coronavírus, apontadas pelas autoridades locais de saúde como as responsáveis pelo recente aumento de óbitos  —nesta semana, o país registrou um pico de pouco mais de 2.000 mortes diárias por Covid-19, algo que não acontecia desde maio.

A Embaixada dos Estados Unidos, em Brasília, foi questionada pela reportagem do InfoMoney sobre quando as entrevistas para aquisição de visto de entrada serão retomadas no Brasil, mas o órgão não se manifestou até a publicação desta reportagem.

Para Eduardo Sanovicz, presidente da Abear (Associação Brasileira das Empresas Aéreas), é o avanço da vacinação no país que está reconectando aos poucos os brasileiros ao mundo.

“A minha avaliação é de que há uma tendência de ampliação para os países que passarão a receber os brasileiros vacinados. É fundamental que as pessoas lutem pelo seu direito à vacina, primeiro, para se proteger do vírus e, segundo, para começar a ir voltando àquela vida que conhecíamos antes do coronavírus”, disse.

Segundo Sanoviczs, os voos domésticos já ocupam 74% do volume de malha no ar registrado antes do início da pandemia. No internacional, o ritmo anda mais acanhado, com 23%.

“No doméstico, o setor vai melhorar, a partir do primeiro trimestre de 2021, com o retorno dos eventos corporativos de grande porte. Já o internacional reaquece em novembro, com a reabertura dos Estados Unidos, e só voltará ao normal em meados do fim de 2023”, prevê o executivo, a partir de projeção da Iata (principal associação internacional de empresas aéreas).

Procura de 350% em voos para os EUA

Empresas aéreas que operam voos do Brasil para os Estados Unidos têm registrado alta procura na venda futura de bilhetes para cidades americanas.

Também estão sob os planos das companhias, o aumento dos voos regulares para os Estados Unidos em novembro, quando as fronteiras americanas estarão relaxadas para estrangeiros.

A Latam Airlines disse, por nota, que registrou um pico de 350% na procura de voos do Brasil para os Estados Unidos “nas primeiras 24h após a notícia de reabertura das fronteiras do país para estrangeiros totalmente vacinados contra a Covid-19”.

A empresa afirmou ainda que está preparada para aumentar os voos entre os dois países “assim que a reabertura for oficializada pelas autoridades”.

Atualmente, a Latam opera três voos semanais na rota Guarulhos-Nova York e outros três voos, também semanais, entre Guarulhos (SP) e Miami. Ao todo, a companhia diz ter retomado voos do Brasil para 14 destinos internacionais —antes da pandemia eram 26.

A Azul (AZUL4) disse que aguarda a estruturação das novas regras do governo Biden para reforçar sua operação nos Estados Unidos, um destino bastante demandado. A empresa opera cinco voos semanais aos EUA e afirmou, por nota, “que está pronta para aumentar sua oferta de voos para o país” da América do Norte.

A Gol (GOLL4) afirmou que deseja retomar a oferta de voos para os Estados Unidos com operações para a Flórida —sobretudo, nas cidades de Miami e Orlando. “A companhia ainda está planejando esta retomada, porém, já adianta que os voos partirão do hub em Brasília, e os bilhetes estão sendo vendidos para voos a partir de dezembro de 2021”.

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Fonte: Infomoney

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