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Viva o novo Parlamento | Opinião

Os resultados eleitorais, excepto na abstenção que ainda é demasiada, correspondem a uma boa compreensão dos portugueses do espectro político e do que podem esperar dos seus representantes.

Confirmou a liderança do PS e de António Costa, que provara uma capacidade de liderança, de negociação e de gestão muito acima dos governos anteriores destes últimos 20 anos, dando-lhe mais 20 deputados.

Reconheceu em Rui Rio uma liderança de centro-direita, difícil nos tempos de hoje, evitando o retorno de um PSD de direita que com este resultado pode aprofundar o que o seu nome indica, a social-democracia. E de ser, nas necessárias ocasiões, não só o apoio social-democrata de um governo que hoje tem condições para fazer algumas reformas estruturais de fundo, mas também de tomar iniciativas nesse sentido.

Renovou as bases da “geringonça”, baixando um pouco o enfatuamento de Catarina Martins, mas reconhecendo as boas capacidades do BE e obrigando talvez o PCP e o querido Jerónimo de Sousa, o único partido comunista da Europa Ocidental que sobrevive leal à sua ideologia, a encontrar um caminho em que os seus princípios agarrem o eleitorado deste século: talvez procurando relembrar aos nossos representantes que o crescimento não tem no consumismo um valor absoluto e que construir uma comunidade humana obriga a ser inteligente, sensível e generoso. A minha neta que, com 23 anos, luta pela vida, dizia-me: “Avó, sabes o que quero ser? Rica, porque percebi que só assim podemos ajudar a mudar o mundo a ser generoso.” Seria uma visão diferente da economia que espero não seja só idealista.

Enfim, o voto abriu para outras zonas e trouxe ao nosso Parlamento uma grande diferença com a eleição de Joacine Katar Moreira. Pela segunda vez parecemos reconhecer a nossa história verdadeira. Parabéns a ela e a Rui Tavares. Li que também o PS, o BE e o PCP se preocuparam desta vez em trazer ao Parlamento representantes das culturas em que mergulhámos mundo fora. Espero para ver se, como Joacine, farão a diferença e terão visibilidade política.

António Costa e, no seu tempo, João Cravinho, conseguiram fazer a diferença no PS, impondo-se como personalidades contra o fechamento da mentalidade portuguesa. Foi a primeira vez e não foi tarefa fácil para nenhum. Mas o PS tem de ir muito mais longe. Ainda muito, demasiado, aparelhista, ganhou com esta vitória muito mais espaço para um trabalho de fundo no sentido da abertura à sociedade. Ana Catarina Mendes, secretária-geral adjunta é, pelo seu cargo, quem deve trabalhar nesse sentido, pela democratização do partido. Mas não lhe basta ser mulher. Precisa também ela de se impor a um partido de estruturas fechadas e centralizadas e vigiar no seu cargo e como deputada a forma como os concursos públicos são efectivamente públicos.

Enfim, uma palavra sobre o PAN. Os animais, por definição, não têm partido, são apenas fiéis ao seu dono. Percebo que haja solitários que encontrem nos animais uma companhia e uma compensação afectiva. Penso que a sua família, se a têm, devia preocupar-se de ser esse o único recurso. Mas enquanto houver no meu país tantas crianças, ricas e pobres, com questões graves de carências diversas, prefiro preocupar-me com que tenham o carinho e atenção indispensáveis.


Fonte: Google News

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