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William Douglas: Estado precisa ter flexibilidade para exonerar servidores

(foto: Ana Rayssa/CB/D.A.Press)

Para o juiz federal William Douglas, o pas precisa ter mais flexibilidade para exonerar servidores do Estado quando o trabalho insatisfatrio. Ele considerado um “guru” em concursos pblicos e o maior autor de best-sellers sobre o assunto. Em entrevista ao CB.Poder — uma parceria do Correio Braziliense e da TV Braslia —, nesta quarta-feira (1º/7), ele afirmou que a estabilidade necessria em algumas carreiras, mas existem “mas podres” que deveriam poder ser removidas com mais facilidade.

“Em alguns cargos, tem de haver estabilidade. No caso de um juiz, que precisa proferir decises contra poderosos ou policiais, que correm riscos, isso necessrio. Mas existem funes que no, voc poderia ter mais flexibilidade. Ou, pelo menos, o processo deveria ser mais simples para mandar embora aqueles que no trabalham direito por incompetncia”, disse.

Douglas tambm comentou as falas do ministro da Economia, Paulo Guedes, que comparou servidores pblicos a parasitas. A declarao foi feita em fevereiro, em uma palestra na Fundao Getlio Vargas (FGV), ocasio em que defendeu uma reforma administrativa para melhorar a situao fiscal de estados que gastam acima do teto. 

“Eu j conheo o Paulo Guedes h muito tempo. Ele extremamente competente e inteligente, algum que eu tenho certeza de que quer o melhor para o pas, mas ele tem a linha dele, baseada no liberalismo da Escola de Chicago. Conversei com ele e falei das excees. Ele at chegou a pedir desculpas. Quando ele fala que tem parasita, a gente sabe que tem. Existem muitos servidores que ficam conversando no trabalho enquanto deveriam estar trabalhando, ou olham com aquela cara feia na hora de atender, tratam mal, esses so parasitas mesmo. Mas o erro dele foi colocar todos no mesmo saco”, pontuou.

Para o juiz, a deciso do governo de travar os concursos pblicos federais est em linha com a agenda liberal do Ministrio da Economia e tem a ver tambm com a pandemia. Na sua avaliao, os concursos voltaro ocorrer porque a economia deve voltar a crescer nas mos de Guedes. Mas ele defende que a admisso de servidores deve seguir o bom senso.

“No pode ter um excesso, colocar muita gente l. Isso j aconteceu antes, um endeusamento do Estado, como se ele fosse resolver tudo. Ele foi inchado e a gente ainda est pagando o preo por isso. Se h um excesso de Estado, h um aumento de gastos”, afirmou.

William Douglas acredita ainda que a contratao de temporrios — alternativa encontrada pelo governo para no realizar concursos — aceitvel em situaes pontuais, como a atual pandemia de covid-19. Porm, segundo ele, servidores fixos esto menos suscetveis corrupo e, em geral, possuem mais comprometimento com seu trabalho. “Em uma situao como esta, pode-se contratar temporariamente. Agora, na questo da corrupo, o temporrio est muito mais suscetvel que o servidor fixo. No gosto do temporrio, o fixo rende mais. Acho que temporrio se justifica em situaes extraordinrias”.

Sobre as cotas em concursos pblicos, o “guru” revelou-se contra, uma vez que, na sua viso, os processos seletivos so mais inclusivos. “Quando a gente consegue colocar um negro dentro do cargo pblico, ele ganha igual ao branco. uma oportunidade extraordinria. Hoje temos cotas. Sou a favor delas quando se trata de educao, dando condies para estudar. No concurso, eu sou contra, porque quero o melhor para o Estado. No importa a cor, quero o melhor”, completou.

 

Assista ntegra da entrevista:

Oua a entrevista em formato podcast:

 

*Estagirio sob a superviso de Fernando Jordo

Fonte: Google News

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